O QUE INTERESSA É QUE

Que soe como chavão: passou rápido demais. Vai assim mesmo, clichês obscenos se dissolvem e anulam com esse tipo de ano que foi 2013.

Três paisagens se alternam em mim a guisa de memórias de 2013:

1. A tela do Word.

2. O caminho da praia, do Flamengo até Botafogo.

3. Uma esteira sobre o chão em Itaboraí: mato alto, ruídos de bichos.

Uma cena deste ano que suprimo há meses:

Se passa tarde da noite, em um hospital. Foi o hospital onde eu nasci. Um amigo mais jovem, muito jovem, morto num leito, e outros amigos que eu não via há tempos reunidos no mesmo hospital, naquela hora estranha. Ninguém podia fazer nada. Às vezes um e outro se aproximavam mais e acontecia um abraço. Mas a maior parte do tempo todo mundo se espalhou sentado no chão, na sala de espera (por nada), nos corredores mudos por onde levaram ele (“Ele não está mais ali. Não vai, não é mais ele”, o sussurro). Até agora não tinha escrito nada sobre ele e não acho que isto seja o que deve ser escrito sobre ele. Um dia, pode ser.

Aquele momento, numa noite, foi o único em que tudo parou em 2013. E mesmo que eu tenha retomado logo todas as coisas que precisam ser feitas, parou por um tempo e eu achei que o carro ia atolar, que o motor não pegava mais.

O resto foi – é, continua, retoma velocidade, retorna, acelerando cada vez mais, sem ordem no calendário: polícia, correria, bombas, mídia ninja, prazos, Word, o sol na orla, o parque, as viagens.

Dediquei (involuntariamente) o tempo parado ao choque e aos pesadelos, intercalados com um intuitivo extermínio de pragas e hábitos que não têm mais cabimento. O óbvio aqui também precisa ser dito: quando perdemos alguém importante, percebemos melhor tudo o que é supérfluo.

1.a) Três redes sociais em que ninguém se conhece mesmo, nem tem interesse em conhecer o outro, mas em se fazer “conhecido”, notório, entre anúncios invasivos no meio do scroll de ocos e ocos, por qualquer coisa que seja. (O Twitter fica – enquanto informar e contra-informar, produzindo assim efeito cômico, mas não se sabe até quando.)

1.b) Cervejas que não estejam brutalmente geladas, com exceção da Colorado Indica, em finais de semana de encontro e conversa.

1.c) Sensibilidades tão espalhafatosas quanto falsas: aka defuntos que respiram, cafonas feito os vampirocos que ainda parecem fazer sucesso entre leitores de sensibilidades tão espalhafatosas quanto falsas. (Neste e em tantos outros pontos, meu jovem amigo morto será sempre mais vivo que qualquer um dessa categoria.)

Outros efeitos de 2013 incluem múltiplas atitudes e regras fáceis de seguir, que podem ser resumidas a