Aonde chegamos

POR CECILIA GIANNETTI

Depois do mais recente relatório do Reporters Without Borders, outro abre-o-olho vindo da gringa aponta ao Brasil falhas e oportunidades de melhorias. O Travel & Tourism Competitiveness Index (Índice de Competitividade de Viagens e Turismo) analisa políticas implementadas por diferentes países e sua eficácia no estímulo ao setor de viagens e turismo, abrangendo 140 países. O Brasil está entre eles. 

O estudo é resultado de uma combinação de dados de fontes disponíveis publicamente e da colaboração de instituições e especialistas internacionais do setor de viagens e turismo. Integra igualmente os resultados da pesquisa anual Executive Opinion Survey, realizada pelo Fórum Econômico Mundial e sua rede de parceiros. O documento final é o oráculo que confere informações essenciais sobre questões institucionais e de negócios nos países incluídos em sua análise.

Sobre nós, primeiro as boas notícias: na edição de 2013 do relatório, o Brasil vem na 51ª posição entre os 140 países observados pelo Índice. Subiu uma posição em relação ao ano passado. Se não é motivo para soltarmos fogos, também não é para choramingar: os resultados da análise surgem em um momento de crise global da economia. Mas para apaziguar os pessimistas de plantão, às vezes é preciso chover no molhado, ser muito óbvio mesmo: avançar uma posição nesse cenário é sempre melhor do que despencar. Lembrem-se do copo meio cheio.

Em relação aos países das Américas, o Brasil chegou ao sétimo lugar em 2013, atrás de Estados Unidos, Canadá, Barbados, Panamá, México e Costa Rica.

No setor de recursos naturais – alegria, alegria: aparecemos em primeiro, por conta da biodiversidade brasileira, de recursos naturais e quantidade de locais considerados patrimônio mundial.

No setor de recursos culturais, cabe ao Brasil o 23º lugar no ranking, graças à quantidade e variedade de feiras internacionais, eventos e exportações promovidas pela indústria criativa, à quantidade de estádios esportivos relacionada ao número de habitantes, e locais tidos como patrimônio cultural da humanidade.

Agora às notícias não tão animadoras (e nem tão surpreendentes assim): as normas e políticas empregadas no setor de viagem e turismo pelo Brasil estão longe de serem consideradas uma maravilha. Daí a 119ª posição do país na categoria.

O relatório aponta ainda que o Brasil ”continua a sofrer pela falta de competitividade de preços, com impostos sobre passagens elevados (e crescentes) e taxas aduaneiras”. O que põe o país no 126º lugar do quesito.

Nossa rede de transporte terrestre continua ”subdesenvolvida, com a qualidade das estradas, portos e ferrovias exigindo melhorias para se manter em dia com os desenvolvimentos econômicos do país”. Assim, surgimos na 129ª posição nesse ranking, a mais baixa colocação brasileira em todo o relatório. Porém, os preparativos para a Copa do Mundo (2014) e Olimpíadas (2016), no entanto, são vistos como “oportunidades de superação do déficit de infraestrutura”. Deus (autoridades responsáveis) lhe ouça, Travel & Tourism Competitiveness Index.