Destruindo a Internet 101

O quê? O Facebook vai controlar nossas vidas?!

POR CECILIA GIANNETTI

Este é um futuro que Marty McFly e Doc Brown não viram quando viajaram na Delorean. Gostaria que tivessem nos avisado caso qualquer coisa parecida com uma rede social com as proporções e raio de ação do Facebook tivesse chamado sua atenção durante sua viagem.

Hoje definitivamente não encaramos o Facebook como o fazíamos até certo ponto do dia ontem.

Uma coisa muito esquisita aconteceu nesta quinta-feira, 7 de fevereiro. Toda vez que clicava em um link de sites de peso como CNN, Washington Post, BuzzFeed, Huffington Post e Gawker, o internauta era misteriosamente redirecionado a uma página de erro no próprio Facebook.

A URL apresentava um código gerado aleatoriamente, mas era, sem dúvidas, uma página do Facebook. Tanto que era possível checar nela as suas notificações (os avisos de atividades do Facebook surgiam num canto da tela).

Era preciso dar “Log Off” do Facebook para fazer com que as páginas que você de fato queria visitar se tornassem novamente disponíveis.

O erro foi logo consertado pelo Facebook, mas aí a história já havia se espalhado e todo mundo dava o seu pitaco.

Os mais entendidos suspeitavam de que se tratava de um bug no todo-poderoso Facebook Connect, aquele botãozinho sorrateiro que Zuckerberg nos ofereceu em troca de nossa alma e, de acordo com a rede social, “facilita que você leve sua identidade online por toda a web, compartilhe o que você faz online com seus amigos e fique atualizado sobre o que eles estão fazendo. Você não terá que criar contas separadas para cada site, basta usar o seu login do Facebook em qualquer site onde o Facebook Connect estiver disponível.”

Outros sabichões conhecedores dos meandros da rede preferiram acusar o botão “Curtir” (Like), algo muito mais simples e mais amplamente utilizado do que o Facebook Connect. Todos os sites que continham um botão de “Curtir” redirecionavam o usuário ao Facebook.

De um jeito ou de outro, ficou claro que a cada vez que nós fomos redirecionados feito marionetes pelo bug, íamos parar em uma página controlada pelo Facebook.

Quantos sites você conhece e utiliza que possuem o Facebook Connect ou o botão de “Curtir”?

No final de janeiro um estudo divulgado pela Global Web Index mostrou a liderança do Facebook na web, com 903 milhões de contas. O Google+, com 343 milhões de usuários, tornou-se a segunda maior rede social em número de usuários ativos do mundo. O Youtube, em terceiro, com 300 milhões de usuários. O Twitter, em quarto, com 288 milhões.

Foi um bug consertado relativamente rápido. Mas serviu para nos deixar em estado de alerta. Não sem motivos.

“O Facebook controla a internet para os idiotas que utilizam o Facebook”, afirmou um comentarista em um fórum sobre o assunto, em um dos sites que saíram do ar ontem por conta do bug. Mas e todos aqueles que utilizam o Facebook para divulgar e manter o buzz e o diálogo aberto sobre sua empresa e/ou produto, desde grandes marcas a às menores e estreantes nos negócios? Aqueles que usam o Facebook para estabelecer e/ou manter boas conexões de trabalho, que podem lhes ser rentávei$, em vez de postar um relato sobre a salada que almoçou no Bibi Sucos ou que acabou de fazer as unhas no estilo francesinha (foto inclusa). Imagino que esse tipo de gente se beneficie financeiramente do Facebook. Eles não vão se importar se a rede de Zuckerberg os impedir de vez em quando de ver este ou aquele site, sequer chegam a imaginar que a rede de Zuckerberg pode derrubar uma parte considerável da web (o que não lhes traria lucro algum).

Think, McFly, think: os números da Global Web Index + como a pisada de bola do Facebook ontem nos permitiu enxergar por trás da coxia quem é o dono da web e o que esse mestre pode fazer quando e como quiser (ou “sem querer”, como parece ter sido o caso ontem) com a nossa liberdade de navegar pelos sites que escolhermos, conforme desejarmos. Este é o futuro, McFly. Marionetes, McFly.