O gene do pé-na-jaca

Do http://fuckyeahdrunkpeople.tumblr.com | Abuso do álcool glamourizado

Enquanto todos os olhos se fixam arregalados sobre os números de consumo de maconha no Brasil, em se buscando especificamente os números relacionados ao consumo de álcool entre adolescentes, é difícil encontrar resultados diretos do II LENAD – Levantamento Nacional de Álcool e Drogas, realizado entre novembro de 2011 e abril de 2012 pelo INPAD – Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Políticas Públicas do Álcool e outras Drogas/UNIAD da UNIFESP.

A julgar pelos destaques em periódicos especializados, jornais e revistas – passeie pelo Google e veja -, a preocupação com o consumo de maconha é mais legítima – e legitimada – do que a preocupação com o consumo abusivo e precoce de álcool.

Todos os destaques surgidos em dezenas de ocorrências do termo buscado em páginas na web tratam dos resultados do LENAD em relação a drogas ilícitas, entre elas a já citada marijuana, e incluem crack e cocaína.

Aqui não se dá muita bola mesmo para o problema da bebedeira, especialmente entre menores.

Acima, todas as cenas em que o álcool aparece sendo ingerido no seriado Mad Men

Uma pesquisa do Instituto de Psiquiatria da universidade de King’s College, em Londres, revelou esta semana por que alguns adolescentes são mais propensos às bebedeiras do que outros.

O estudo foi publicado na revista Proceedings, da Academia Nacional de Ciências (PNAS) e detalha processos cerebrais envolvidos no abuso de álcool na adolescência. Álcool e outras drogas que causam dependência ativam o sistema de dopamina no cérebro, que é responsável pela sensação de prazer e recompensa. A recente descoberta dá conta de que é o gene RASGRF2 que detona o risco de abuso de álcool.

Agora, afirma o estudo, pode-se compreender a cadeia de ação: o gene RASGRF-2 desempenha um papel crucial no controle de como o álcool estimula o cérebro a liberar a dopamina, e, consequentemente, provocar uma sensação de recompensa. Então, quem possui a variação genética do gene RASGRF-2, nelas o consumo do álcool lhes dá um sentido mais forte de recompensa, tornando-os mais suscetíveis a beberem pesado.

Binge drinking é o ato secular de enfiar o pé-na-jaca, beber ao ponto total de embriaguez, o que é demarcado por um consumo igual ou maior a 5 doses para homens e maior ou superior a 4 doses para mulheres em cada ocasião. Uma dose equivale a 50 ml de destilado com teor alcoólico de 40%; sendo que 350 ml de cerveja tem teor alcoólico de 4-5% e 150 ml de vinho a 12,5% de álcool.

Adolescentes consumindo álcool demais não são novidade nem no Brasil nem no mundo, mas as políticas para coibir o uso da substância carecem de ações firmes e duradouras.

Uma extensa lista online expõe o problema nos Estados Unidos, elencando estudantes que morreram em decorrência do abuso de bebidas alcóolicas desde 2004.

Na Inglaterra, Cerca de 6 em cada 10 jovens com idades entre 11 e 15 anos bebem. Os adolescentes britânicos bebiam uma média de seis unidades por semana, em 1994, e 13 unidades por semana em 2007. Cerca de 5 mil de seus adolescentes são internados em hospitais a cada ano por abuso de álcool.

No Brasil, de acordo com o I Levantamento Nacional sobre Uso de Álcool, Tabaco e Outras Drogas entre Universitários das 27 Capitais Brasileiras, cerca de 80% dos jovens brasileiros consomem bebidas alcóolicas, 19% são dependentes do álcool e 36% dos universitários declararam ter chegado às bebedeiras extremas nos últimos 12 meses e 25% nos últimos 30 dias.

Ainda no Brasil, o álcool é a droga mais utilizada em qualquer faixa etária e seu consumo entre adolescentes vem aumentando, principalmente na faixa etária de doze a quinze anos e entre as meninas, de acordo com guia produzido pelo INPAD. Além da alta prevalência do consumo de álcool por adolescentes, dois outros fatores são relevantes: a idade de início do uso desta substância e o seu padrão de consumo.

E quando começam a beber?

A média de idade para o primeiro uso de álcool no Brasil é de 12,5 anos.

Dá-lhe RASGRF-2.