A verdadeira face do Femen


O Femen, surgido em 2008, na Ucrânia, é um movimento famoso em todo o mundo pelos protestos em que suas manifestantes apresentam-se com os seios nus. Tem angariado polpudos recursos financeiros e expandido-se, com nova sede em Paris e de olho em Nova York, Montreal, São Paulo e Tel-Aviv. A franquia brasileira do Femen é uma realidade. Suas integrantes já atuam em território nacional e é bom que se fique atento ao que o movimento significa e o que há por trás dele.

Na última sexta-feira, 2 de novembro, três ativistas brasileiras do Femen Brasil marcaram presença no centro de Belo Horizonte à tarde, criticando a violência contra mulheres da tribo Guarani-Kaiowá, do Mato Grosso do Sul, na tradicional Praça da Estação, no centro da capital mineira.

Femen Brasil é liderado com braço de ferro por Sara Fernanda Giromini, aka Sara Winter, curiosamente xará de uma militante nazista do partido fascista britânico da Segunda Guerra Mundial.

O que só nos deixa mais de orelhas em pé quando descobrimos ainda que Sara possui no peito uma tatuagem que reproduz a infame cruz de ferro, um símbolo germânico bastante popular durante o regime nazista, quando circulou como condecoração de guerra. Em seu perfil no Facebook, já chegou a afirmar que admira o líder do movimento integralista brasileiro Plínio Salgado e outras personalidades conservadoras, como Ronald Reagan.

Tattoo You

Após receber críticas por estas e outras, Sara divulgou nota em seu perfil no Facebook afirmando que tudo não passa de um “erro do passado”. “Todo mundo faz merda”, afirmou. Aproveitou a ocasião para declarar que foi prostituta aos 17 e que teria sofrido agressões do marido.

Bruna Themis, estudante paulistana que abandonou o Femen Brasil em agosto passado, chegou a comentar em uma entrevista que a srta. Winter “admira Hitler como pessoa, que ele foi um bom marido e que amava os animais (…)”.

Nhom.

Há um ano, Sara Winter mantinha um blog – hoje fechado ao público – em que publicou o seguinte post a respeito do movimento Femen original:

“Eu fico me perguntando aqui porque diabos essas meninas não fizeram uma marcha normal, quero dizer, COM ROUPAS NORMAIS, reivindicando o direito das mulheres, a igualdade sexual, o respeito, o ‘não’ à violência doméstica. […]

Vocês acham mesmo que [os participantes homens] estão lá em defesa dos direitos femininos? Aham, tá, pra mim isso é uma grande hipocrisia, não querem ser estupradas, mas querem deixar homens desconhecidos visualizarem suas coxas, seios.

[…] A grande verdade é que tudo isso se trata de ‘ibope’. Algumas meninas se sentiram ofendidas em Toronto e criaram essa porcaria, outras mulheres envolta [sic] do mundo que quiseram chamar a atenção de uma maneira promíscua, ou que simplesmente queriam se divertir, adoraram copiar, e como no Brasil agora a moda é marcha polêmica, todo mundo adorou.

[…] dá pra fazer melhor com roupa e sem orgulho puta!”

Aqui a imagem do blog, para não restarem dúvidas:

Mas todos nós temos direito a mudar de opinião, certo?

Especialmente quando somos tão jovens (Sara tinha 19 anos quando decidiu que seria a manda-chuva do Femen Brasil). E, digamos, boas oportunidades surgem.

Daryna Chyzh, repórter do canal 1 + 1 , conseguiu infiltrar-se no movimento ucraniano para tomar parte de um ato anti-islâmico a ser realizado pelo Femen realizado em Paris. Enquanto esteve infiltrada no grupo, descobriu que todas as ativistas recebem cerca de 1000 euros por mês, e as funcionárias da sede de Kiev, onde as atividades do grupo eram coordenadas, recebem salários de 2500 euros por mês. O aluguel de um escritório na capital custa 2000 euros por mês. O custo diário de transporte por manifestante em Paris podia chegar a 1000 euros. Chyzh, a repórter, viu diversas vezes a líder do movimento Femen original, Aleksandra Shevchenko, em companhia de gente graúda: dos bilionários alemães Helmut Geier e Beate Schober, e do empresário judeu norte-americano Jed Sunden.

No Brasil as coisas ainda são um pouco mais modestas. Mas já rola um dinheiro, pelo que descobertas apontadas por gente atenta à página do Femen Brasil no Facebook revelaram.

Sara Winter teria recebido doações para o Femen Brasil em sua conta bancária pessoal, conforme o Dossiê Femen Brasil informa:

“Um dos primeiros questionamentos a respeito na página do Femen Brazil foi em relação à prestação de contas e o registro da ONG. Durante muito tempo eles mantiveram na sua página oficial no Facebook – e único canal de comunicação com o público – que o Femen Brasil era uma ONG, retirando [isto] apenas após uma ativista dizer que levaria ao Ministério Público suas dúvidas em relação a prestação de contas da dita ONG e o fato de receberem dinheiro de doações na conta pessoal da Sara Fernanda Giromini e o uso da empresa do senhor Andrey Cuia, assessor pessoal da Sara Winter e do Femen Brazil, para gerar boletos para a loja online.”

A ex-Femen Bruna Themis lembra que não havia prestação de contas e confirmou que o dinheiro que recebiam ia para a conta pessoal de Sara e para a conta de PayPal de Andrey Cuia (ou Andrey Russo, assessor de Sara e do Femen Brasil e que foi candidato a vereador em Santo André pelo PMN). Bruna afirmou em entrevistas não saber como o dinheiro era gasto. Sugeriu a Sara que as doações fossem revertidas a organizações e ONGs que trabalham com mulheres vítimas de violência domestica mas conta que Sara nunca se posicionou.

Há mais coisas que não batem nessa conta.

O Femen da Ucrânia teria criticado o movimento no Brasil por permitir a filiação e principalmente a aparição diante das câmeras de meninas acima do peso nos protestos. A sede original do Femen teria afirmado que é negativo para a imagem do movimento mostrar  garotas acima do peso como integrantes do grupo.

Sara deu uma entrevista a Danilo Gentilli, em que, portanto, teria omitido a verdade sobre as ordens do Femen, dizendo-se oposta à ditadura da magreza:

Em entrevista ao ZEIT ONLINE, a líder ucraniana Schewtschenko evidencia aqui e ali uma certa proposta rastaquera em seu discurso:

“Antes dos nossos protestos os homens só viam seios na TV tarde da noite ou nas revistas eróticas. (…) Eles podem hoje ver seios na Ucrânia nos jornais ou na TV em horário nobre.”

A coisa fica ainda mais feia:

ZEIT ONLINE: O que haverá no fim da revolução de vocês?

(…)

Schewtschenko: (…) haverá sangue, a revolução será brutal.

ZEIT ONLINE: Sangue de quem?

Schewtschenko: Dos homens.

O feminismo deve lutar pelos direitos das mulheres DENTRO DA LEI. Não degolando homens ou arrancando sangue deles em batalhas no meio das ruas, se é isso mesmo que Schewtschenko sugere que vá acontecer no futuro.

Sua fala é a fala de uma mulher sem projeto.

Para mais sobre como o Femen não representa o feminismo, clique aqui.