‘Editores não procuram autores em blogs’

‘Editores não procuram autores em blogs’. => Matéria escolhida pelo Ave Palavra para post no blog do evento, do qual participarei em  3 de novembro. 

‘EDITORES NÃO PROCURAM AUTORES EM BLOGS’

Cecília Giannetti, escritora que participa do Ave, Palavra ao lado da também escritora Prisca Agustoni, no dia 3 de novembro, concedeu entrevista ao G1 em 2007. A influência da Internet na produção literária contemporânea, as mudanças na rotina após ter se tornado escritora e a relações da literatura canônica com a atual são algumas das questões abordadas no bate-papo. Confira!

Nome que desponta com brilho na ficção nacional, a escritora carioca Cecilia Giannetti, autora do romance “Lugares que não conheço, pessoas que nunca vi”, abre hoje, às 10h, ao lado do poeta paulista Fabrício Corsaletti e da contista gaúcha Verônica Stigger, as mesas de debate da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip).

Ao conferir este destaque ao jovem grupo, a Flip sinaliza que aposta na renovação da literatura brasileira. E é exatamente sobre isso que os três conversam na mesa intitulada “O Futuro do Presente”.

Blogueira, colunista de jornal e agora também tradutora, Cecilia Giannetti diz, em entrevista ao G1, que a internet não facilitou a vida dos escritores estreantes. “Não faz parte da rotina dos editores procurar autores em blogs. É preciso ler um romance, ou alguns contos de um autor, para apostar nele. E mesmo assim ainda é muito difícil vender a idéia de um autor novo dentro de uma editora”, avalia.

Cecilia não gosta que se compare os escritores contemporâneos às gerações anteriores que marcaram a literatura brasileira e diz que a publicação de seu livro não alterou sua vida. “A vida mudou foi quando eu passei a escrever ficção – começando por contos -, há nove anos”. Leia abaixo a entrevista.

G1 – Como é o futuro do presente pra você? Você acha que na literatura brasileira contemporânea têm surgido nomes à altura dos grandes criadores das gerações anteriores?
Cecília Giannetti –
 Não cabe ao escritor – nem mesmo ao crítico – analisar literatura contemporânea requisitando dela que corresponda a modelos antigos, ao mito deformado do Grande Romance. Mais interessante é conhecer as deformações da própria produção contemporânea. Para que se queira carimbar a produção literária dessa forma, é preciso algum distanciamento. Um “nome à altura dos grandes” constrói-se através de uma seqüência de obras, na qual presumivelmente o autor evolui e reafirma seu estilo e voz.

Possivelmente nenhum talento que publica hoje jamais estará “à altura” da sombra gigantesca do Grande Romance Brasileiro ou do Grande Romance Americano. É mais fácil buscar tal coisa entre romances escritos postumamente por Grandes Autores através de médiuns. Não quero dizer com isso que não há qualidade entre os autores contemporâneos, mas que não correspondem exatamente à antiga – vaga e engessada – idéia do Grande Nome.
G1 – Você avalia que o mercado editorial está mais aberto para novos talentos, depois dos blogs, ou ainda é muito difícil para um estreante ultrapassar os critérios comerciais? Você sentiu que sua mudou muito depois do primeiro livro publicado?
Cecilia –
 A maioria absoluta dos editores, em qualquer parte do mundo, continua selecionando originais da mesma maneira que sempre fez. Lendo originais, não blogs. A internet acelera esse processo no caso, por exemplo, de títulos estrangeiros – sabe-se com mais facilidade e rapidez qual livro vende mais; ou qual autor novato estrangeiro deverá provocar uma corrida por seu passe entre as editoras nacionais, porque já se sabe de antemão através de sites como Publishers Weekly (para
citar um só) o que está indo a leilão e por quanto. A relação da maioria absoluta dos editores com os chamados blogs que reúnem algum tipo de produção literária continua a mesma coisa de sempre: não faz parte de sua rotina procurar autores em blogs.

É preciso ler um romance, ou alguns contos de um autor, para apostar nele. E mesmo assim ainda é muito difícil vender a idéia de um autor novo dentro de uma editora. Há todo o tipo de resistência no mercado nacional porque – não é segredo nem novidade – somos um país que lê pouco, e portanto compra poucos livros.
G1 – Você sentiu que sua vida mudou muito depois do primeiro livro publicado? 
Cecilia – A vida mudou foi quando eu passei a escrever ficção – começando por contos -, há 9 anos. Ninguém tira só “três horinhas” do seu dia ou noite para escrever ficção, por exemplo; é uma atividade que exige mais tempo, e diariamente. O resto passa a ser secundário.

G1- Qual a sua expectativa com relação a Paraty? Dos muitos autores que estão aqui, tem predileção ou interesse em quais?
Cecilia –
 Acho estranho falar sobre o primeiro livro. Não tenho um discurso
pronto, como autores mais acostumados a falar do seu trabalho. Em relação à Flip, se eu não tropeçar ao entrar e sair do palco onde acontece o debate, já vou me dar por satisfeita. Dos autores convidados nesta edição, tenho interesse particular por Alan Pauls, Will Self, Jim Dodge, Nadine Gordimer e Guillermo Arriaga.

Fonte: G1 | Foto: divulgação

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