DESTAKADA

Outubro tem sido um mês bom. Ele começou em setembro, na verdade, quando fui a São Paulo depois de dois anos (cravadinhos: a última vez em que eu tinha passado pela cidade foi em outubro de 2010), para surpreender um amigo que fazia aniversário e eu também não via há bastante tempo. Coincidentemente o amigo trabalha no Destak. Eu já tinha sido chamada pelo jornal para fazer uma coluna e aproveitei a viagem e discuti melhor com o editor sobre como seria essa colaboração. A resposta do editor (e não por acaso poeta), Márvio dos Anjos, foi poesia pura: “você escreve do seu jeito, sobre o tema que você escolher, uma coluna por dia a partir de outubro.”

Quem não quer isso de um trabalho no jornal? Porque os jornais brasileiros costumam exigir fórmulas mais arcaicas de seus escrevedores. Ai de quem saia do quadrado.

É diferente no Destak. Tá mais para Ladies & Gentleman We’re Floating in Space do que para Another Brick In The Wall.

Por isso vou colando aqui as colunas diárias a partir de agora. Como diria a Pelada do Flamengo, o que é bonito é pra ser mostrado. Lá vai uma batelada de colunas neste mesmo post, então, pois comecei dia 8 de outubro e já tem bastante texto publicado no Destakadas:

Pequeno mosaico simplificado do Brasil atual

POR CECILIA GIANNETTI

Em 19.10.2012, mais ou menos assim parece o Brasil aos olhos do mundo:

Foto  #1: Oi Oi Oi

Deu no Guardian: Dilma Roussef pode ser a mais popular dentre todos os presidentes que o Brasil já teve (índice de aprovação a 62%, atualmente), mas ela sabe muito bem que não tem condições de disputar popularidade com a telenovela que virou mania nacional. Por isso adiou o comício em apoio ao candidato à prefeitura de São Paulo Fernando Haddad: o evento ocorreria na mesma data e hora do último capítulo de “Avenida Brasil”.

O Guardian ressalta que a trama de João Emanuel Carneiro representa o crescimento de um grupo social, a Classe C, antes bastante pobre e que agora se trata do “estrato consumidor mais poderoso no país.”

Diz ainda o jornal inglês: “Espera-se do último episódio de ‘Avenida Brasil’ uma tempestade de 70 minutos de melodrama que incluirá um casamento polígamo, um banquete de celebração e a resposta à pergunta de dezenas de milhões de brasileiros: “Quem matou Max?”

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Say cheese!

Say cheese!

Foto #2: Amijubi, Fuleco ou Zuzeco

Espécie em risco de extinção, o nosso Tatu Bola foi escolhido como mascote da Copa do Mundo 2014. Os nomes sugeridos para batizar o armadillo não agradaram muito os brasileiros e parecem aos gringos apenas tão “estranhos” quanto o de algumas cidades brasileiras onde os jogos irão ocorrer. Mas temos certeza de que os visitantes de outros países irão aprender a falar tudo certinho a bom tempo: afinal, Maracanã, Morumbi e Mineirão não são nenhum trava-língua como Beutelrattenlattengitterkotter ou Beutelrattenlattengitterkotterhottentotterstottertrottelmutterattentäter.

São as críticas do ex-jogador e atual deputado federal Romário, postadas em sua página no Facebook, em relação aos preparativos para o grande evento, que não marcam gol para a nossa imagem: “Brasileiros, continuem cobrando e se manifestando porque essa palhaçada vai piorar quando tiver a um ano e meio da Copa. O pior ainda está por vir, porque o governo deixará que aconteçam as obras emergenciais, as que não precisam de licitações. Aí vai acontecer o maior roubo da história do Brasil“.

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O "Armadillo" em Friends

O “armadillo” no seriado norte-americano “Friends”: velho conhecido das reprises em canais do mundo inteiro

Foto # 3: Relatório da CIA

“Segundo maior consumidor de cocaína do mundo. (…) Onda de violência relacionada ao narcotráfico e contrabando de armas. Importante país de transbordo para a cocaína boliviana, colombiana e peruana destinada à Europa, também usado por traficantes como uma estação de passagem para transbordo aéreo de narcóticos entre Peru e Colômbia. Rendimentos ilícitos de narcóticos muitas vezes lavados através do sistema financeiro.”

Mas a página da CIA sobre o Brasil também fala muitas coisas bacaninhas sobre a nossa economia, fatos que têm repercutido internacionalmente há meses (Veja esta análise, publicada pelo site BrazilianBubble.com: “nós esperamos que a economia doméstica se recupere até o final de 2012 e seja retomado o crescimento“), então não precisa sorrir amarelo na foto.

Do resto todo, os estrangeiros deduzem que Lt. Colonel Nascimento tomará conta.

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Das “Quotes” selecionadas do filme pelo site IMDB.com: Lt. Nascimento: [shouting, rubbing the student’s face in the blood-soaked body of a dead drug dealer] “Put your face here. Put your face here. You see this, you see this hole right here? Who killed this guy here? WHO KILLED THIS GUY HERE?”

Foto # 4: “No impunity”

A Transparency International, organização mundial contra a corrupção, ajustou o foco sobre o julgamento do Mensalão e vaticinou para inglês ver (aqui traduzidinho): “Supremo Tribunal do Brasil passa uma forte mensagem em 9 de outubro, de que não haverá impunidade para os políticos ao condenar principais membros do partido no poder sob acusações de corrupção.”

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“Payola in the land of Lula”

Foto #5: Geração Z 

Preocupante mesmo é este frame aqui.

A banda Restart foi escolhida pelo púbico para representar o Brasil no MTV Europe Music Awards 2012, no dia 11 de novembro, em Frankfurt, na Alemanha.

Foi a Geração Z (não coincidentemente nome que o grupo deu a seu mais recente álbum), definida basicamente como a primeira a nascer na era do “networking” social na web, que de tanto networkzar e votar via web para que o Restart desse uma surra de likes em cima da competição (ConeCrewDiretoria, Emicida, Vanguart e Agridoce), quem levou os coloridos meninos de São Paulo a concorrerem a uma vaga na final na categoria Melhor artista/Banda DO MUNDO.

Se a gente pudesse, passava um filtro de Instagram nesta, pra parecer mais bonito; mas não dá. É música. Música assim:

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Missão: blog – Polícia desce o gatilho na internerd

POR CECILIA GIANNETTI

Como ficamos sabendo no último dia 17.10, o tráfico prefere utilizar redes sociais como o Facebook para divulgar as novidades mais importantes sobre os seus membros. A recém-descoberta página “Baile da Vila do João”, criada por bandidos do Jacarezinho – comunidade que reunia dez dos traficantes mais procurados do Rio de Janeiro – continha fotos de sujeitos exibindo metralhadoras e drogas; e Mark Zuckerberg deixou-a no ar por um bom tempo, numa boa, como se aquilo não fosse nada demais. A página https://www.facebook.com/BaileDaVilaDoJoao que se pode ver hoje na rede social mostra apenas fotos de um baile, diferentemente da homônima (ou seria a mesma, pós-varredura e devidamente censurada?).

Enquanto isso, a polícia brasileira prova que ainda é old school: utiliza largamente o bom e velho sistema Blogspot, para escrever sobre os mais variados assuntos. Em centenas de blogs, soldados, sargentos e capitães comentam desde segurança pública e preconceito contra homossexuais à pesquisa de qualidade e tamanhos de fezes humanas.

São cantinhos da internet como o “Policialesco e Versátil!!” (assim mesmo, com duas exclamações, pra ficar mais alegre), assinado pelo policial militar Agnaldo, que promete “Nada mais que a verdade, nunca menos que os fatos”, e se diz ciente de que “ainda teremos um futuro muito promissor nas polícias brasileiras”. Ele utiliza o blog basicamente para postar notícias, “humor e algumas ‘pérolas’ extraídas dos anais dos quartéis.”

Teria vindo desses anais o post entitulado “A Ciência do Cocô“? Nele, o policial discorre a respeito de importante estudo sobre fezes em minicapítulos como “O que é isso na minha privada?”; “Pequeno manual do cocô”; “Formato cilíndrico (…) Tipo cabrito, Tipo poça (…)”. E segue nessa toada.

No blog do DuduPM, o sargento Eduardo Andrade faz questão de abrir espaço para parabenizar seu filho ELVIS, vice-campeão na última temporada do estadual sub 16, por um time juvenil.

Já o cabo Fernando da Reserva demonstra apreciar humor de tiras em quadrinhos. E adora socializar: tem uma chat box, um espaço para bate-papo entre os frequentadores do blog, com farta e variada oferta de emoticons.

Sua página não economiza mesmo nos emoticons coloridos saltitantes – mas sem perder a seriedade: lembra que Deus, quando mandou seu filho à Terra para nos salvar, “Não excluiu da salvação os ‘negros’, os ‘nordestinos’, os ‘homossexuais’, os ‘índios’ (…)”. Ah, bom.

O blog do Sargento Andrade é daqueles que invadem seu browser com música, sem pedir licença, assim como quem invade um barraco durante uma ocupação policial. Neste caso, é o som da estrondosa rádio de um colega, a “Major Sales FM”, que ouvimos. Toca sertanejo universitário, gospel brasileiro e às vezes um e outro antigo clássico da dor de cotovelo, a famosa “fossa nova”. E Xuxa. Toca Xuxa. Os temas em debate ficam divididos em seções: Curiosidades, Esportes, Recadinhos (no diminutivo mesmo), Eventos e Festas, Entretenimentos e Boletim Geral da Corporação, que não poderia faltar, não é mesmo? Na barra direita, anúncios de pizzarias, panificadoras, lanchonetes e mercadinhos.

O Sargento Tavares posta, revoltado, que passou da hora de uma “reação dos Governos (…), tomarem uma atitude e mandar um recado curto e grosso, de quem é que manda na cidade: Federal, Estadual e Municipal, dos poderes: Executivo, Legislativo, Judiciário, OAB, Conselho Comunitário de Segurança, Loja Maçônica, Rotary Club, Clubes de Serviços, Imprensa em Geral, incluindo os blogueiros, Associação de Bairros, Pessoas de Influência (…)”

O Sgto. Marlos oferece no http://sgtmarlos.blogspot.com.br/ um dicionário, ferramenta que pode ser útil aos colegas que andam cometendo pecadilhos em seus blogs, como as “ofenças” (sic) à língua portuguesa do http://cabofernandodareserva.blogspot.com.br (aquele, do quadrinho do capeta).

Deixamos você com a animação do http://sargentoricardo.blogspot.com.br. O blog não vê necessidade de expor ao leitor o sobrenome do sargento porque seu apelido tem muito mais carisma. Com ele, assina os vídeos postados na página: “Arraial do Ricardão de Fundão”, “Bloco do Ricardão de Fundão” e, finalmente, para a nooossa alegria, “Músicas do Bloco do Ricardão de Fundão”.

O hit de festa junina “Na minha quadrilha só tem gente que brilha / só tem gente que brilha, na minha quadrilha” é particularmente empolgante e, por que não dizer?, intrigante:

O mendigo viral
POR CECILIA GIANNETTI

“Este rapaz chegou até mim nas ruas de Curitiba e me pediu se eu poderia tirar uma foto dele e eu perguntei para que, ele me respondeu: Para colocar na “rádio”, quem sabe eu fico famoso :) … Na “rádio” eu não posso por, mas aqui no mural do meu Face sim, e ele será famoso entre meus amigos…”

Acima, a legenda de uma fotografia que em apenas 13 horas já obteve mais de 6 mil compartilhamentos (número corrigido enquanto este texto era escrito, pois subiu em cerca de 500 em questão de 40 minutos) no Facebook, divulgada pela fotógrafa profissional Indy Zanardo.

[*Atualização: em menos de duas horas, o número de compartilhamentos da fonte original (O Facebook de Indy) dobrou, agora são mais de 12 mil.]

Foto de Indy Zanardo Foto de Indy Zanardo, clicada na Praça Tiradentes, Curitiba

É um jovem bonito, atestam várias mulheres de diferentes partes do Brasil, nos comentários relacionados à foto. “Ô loco, hein, q mendigo!”, exclama uma. Há quem lhe ofereça uma alternativa à vida nas ruas: “Traz pro Goiás que pra esse aí dou casa, comida e roupa lavada,” promete uma certa Karitha. Patrícia garante: “Me apaixonei… Fala para ele que eu dou abrigo.” Boa parte dos pitacos postados em torno do post questionam mesmo é o motivo pelo qual o mais novo modelo masculino da internet quis ficar “famoso”. Sugere-se confusão mental, com ou sem vício, algum distúrbio que pudesse ter feito com que o rapaz de olhos claros se perdesse dos seus no mundo. Assim, uma foto “na rádio” poderia ajudá-lo a reencontrar parentes, amigos. “Antes que a febre passe, cola umas A4 impressa em preto e branco mesmo pela praça, deixe algum celular de contato. (…) Senão vai ser mais um viral sem resultado,” sugere um publicitário. Um cínico diria que, fosse o mendigo feio, ninguém daria a menor pelota.

De fato, vários cínicos já o disseram, comentando publicamente a foto do jovem impassível: “E se fosse um cara feiosão, banguela e zarolho!?” Verdade, dariam menos pelota: mais de 6 mil compartilhamentos pelo Facebook em 13 horas da foto de um mendigo desgrenhado, sujo e de rosto e traços, digamos, menos favorecidos esteticamente, talvez não fizessem com que a coisa se tornasse um viral tão faminto e rápido. Fotos de gente em situação de rua, ou como o povo generaliza, mendigos, circulam bastante nos jornais.

“E o menino parece profissa! Encarou a câmera com muita naturalidade,” afirma alguém, num equívoco. A imagem dele é uma armadilha. O rapaz de cabeça raspada, enrolado em um cobertor, tem um olhar que não parece exatamente encarar a lente da câmera, mas perder-se além dela. Olhar vago, de rua.

“Isso, é claro, se não for um golpe publicitário.” Fosse golpe publicitário, seria um dos mais burros de todos os tempos. Pois mais de 6 mil fãs compartilhadores (e o contador ainda está subindo) se sentiriam traídos, revertendo a coisa em um fracasso.

Quem você vai matar amanhã?

POR CECILIA GIANNETTI

Nerds e geeks mal tinham terminado de festejar a mais recente entrevista de Joichi “Joi” Ito divulgada online e já têm motivo para emendar noutra farra, agora em homenagem aos talentos visionários de Philip K. Dick.

Na última semana Joi, diretor do MediaLab do MIT, prometeu para daqui a um ano hologramas exatamente iguais àqueles em que a Princesa Leia aparece projetada pelo robozinho R2-D2, dizendo sua famosa mensagem: “Ajude-me, Obi-Wan Kenobi, você é a minha única esperança”, em Guerra nas Estrelas. Os primeiros hologramas do MIT antes do modelo atual apresentavam movimentos que “travavam”, com resultados inferiores aos apresentados em 2010 pelo professor Nasser Peyghambarian, da Universidade do Arizona, que também participa da corrida pelo holograma perfeito.

Mas agora o MIT garante que vem com tudo. Sim, os hologramas poderão ser transmitidos via internet sem “travar”, com movimentos em tempo real. E poderão ser comercializados. Serventia? Realização de teleconferências, quem sabe, ou pra gente deixar recadinhos presenciais.

Imagine-se chegando em casa da pelada e, em vez de um bilhete na porta da geladeira, você encontra a versão miniaturizada e em holografia de sua mulher, lembrando de que é preciso comprar leite. Realmente útil.

E não é difícil imaginar a equipe do MIT mais empolgada em tornar real o que aprenderam a sonhar graças a George Lucas, em vez de quebrando a cabeça para fazer uma lista de utilidades para o novo brinquedo no mundo. A ponto de, nos testes iniciais do MIT, uma aluna da graduação do instituto ter posado vestida de Princesa Leia para registrar as imagens utilizadas no holograma, reproduzindo a mensagem que conhecemos do filme de 1977: “Help me, Obi-Wan Kenobi, you’re my only hope.”

Haja fetiche.

Mas a coisa esquenta mesmo é para os fãs de K. Dick, na próxima segunda-feira, dia 22, quando será realizado em Washington o congresso “My Brain Made Me Do It” (algo como “Meu cérebro obrigou-me a fazê-lo”). Criado pela New America Foundation, organização sem fins lucrativos comprometida com o ideal de que “cada geração viverá melhor do que a próxima”, o evento abordará questões de um campo da ciência que vem ganhando espaço utilizando ressonâncias magnéticas mais sofisticadas e testes genéticos para comprovar algumas noções que certamente terão papel em alterar o futuro da nossa sociedade e das leis. Tais como a de que algumas pessoas nasceram para cometer crimes. Questões que poderiam ter saído da obra do escritor norte-americano de ficção científica, como:

“O que acontece se pudermos detectar propensão criminal em crianças?”

Lembra dos precogs, de Minority Report — A nova lei (filme de 2002, baseado em um conto de Philip K. Dick publicado em 1956), aqueles três magrinhos branquelos que ficavam boiando inconscientes em uma espécie de piscina e prevendo crimes para a polícia, permitindo com suas visões do futuro que se prendesse o criminoso em potencial antes que ele fizesse a barbeiragem? Funcionava mais ou menos assim: “Nós tínhamos o nome dele — na verdade, tínhamos todos os detalhes do crime, incluindo o nome da vítima (…),” afirma no conto John Anderton, comissário da divisão pré-crime da polícia, referindo-se a um possível assassino detido antes que cometesse o assassinato previsto pelos precogs. “Com a ajuda de seus mutantes precogs, vocês corajosamente e com sucesso conseguiram abolir o sistema punitivo pós-crime de cadeias e fianças,” afirma Danny Witwer, rival de Anderton na trama.

Na versão ultra real da história inventada por K. Dick, a que será debatida durate o “My Brain Made Me Do It“, a neurociência seria uma espécie de precog: faz prognósticos, lê mentes através de recursos de neuroimagem, como ressonâncias magnéticas do tipo fMRI (forma especializada de ressonância que faz um mapa da atividade neurológica no cérebro ou na medula mostrando alterações no fluxo sanguíneo relacionadas ao uso de energia por células cerebrais.)

Já há bastantes evidências, resultado de experimentos controlados, que comprovam que a neuroimagem é capaz de mostrar se o sujeito analisado está, por exemplo, mentindo. Diferentemente do polígrafo, que mede a freqüência cardíaca e a temperatura para tentar detectar a reação de um indivíduo quando ele mente durante uma medição, a ressonância magnética do tipo fMRI detecta a decisão tomada pelo indivíduo para mentir.

De acordo com um relatório da Royal Society — a academia e ciências do Reino Unido, exames como o fMRI podem ajudar na avaliação das chances de um indivíduo condenado pela justiça tornar a cometer crimes: se o seu cérebro apresenta características associadas ao comportamento sociopata e, além disso, o indivíduo tiver sofrido abusos durante a infância, a possibilidade de reincidência no crime é estatisticamente maior.

Mas há um forte pé atrás em relação “leitura de mentes” e os prognósticos realizados pela neurociência. Henry T. Greely, diretor do Centro de Lei e Biociência na faculdade de direito de Stanford e membro do projeto Law & Neuroscience, faz a grita: “Uma das verdadeiras ameaças à sociedade é que cedo demais nós tiraremos proveito de algumas dessas descobertas que têm sido feitas pela neurociência e diremos iIsto é o correto’ e seguiremos um caminho que no final será um caminho muito ruim. Então eu creio que uma das coisas mais importantes que este projeto pode fazer é ajudar a definir quais caminhos são promissores, quais não são, quais soluções funcionam, quais não funcionam. Porque impedir que sigamos o caminho errado é tão importante quanto ajudar a seguirmos o caminho correto.”

O caminho errado pode passar por, digamos, criminosos usando os resultados de seus exames (“Não tenho culpa: meu cérebro nasceu programado para matar”) para atenuar sua sentença, ou inocentes sendo vigiados ou mesmo detidos até que provem que não cometerão um crime. O professor Greely e a defesa da importância de seu projeto soam como ecos da história escrita por Philip K. Dick: os precogs também podem errar.

O precog que não errou foi o próprio Philip K. Dick.

John Carpenter Prefeito de São Paulo

POR CECILIA GIANNETTI

Aconteceu na semana passada, à noite, no SPTV. A sensação foi a mesma de quando vemos no filme a loira sexy e seu namorado atleta saírem para namorar no meio da floresta sinistra à noite, no terror “O Segredo da Cabana”, ou Drew Barrymore atender ao telefonema de um estranho em “Pânico”, ou assistir a Michael Myers, de “Halloween”, escapando do sanatório para perseguir inocentes em uma noite de outubro (outubro, sim… que coincidência).

Agonia, unhas cravadas nos braços do sofá diante do que exibia a tela. Era ele. Ele falava para as câmeras, articulava uma negociação entre partidos, algo que terá forte impacto no segundo turno das eleições para a prefeitura de São Paulo. O ex-governador Luiz Antônio Fleury Filho, que retornou ao PMDB em 2011, estava presente no escritório do vice-presidente Michel Temer na tarde da quarta-feira, 11, quando explicou à imprensa a respeito das pendências que atrasavam a oficialização do apoio do partido à candidatura de Fernando Haddad, do PT, à prefeitura de São Paulo (as pendências: o envolvimento do PT nas disputas das prefeituras de Mauá e Natal).

Por mais entrevistas Fleury dê afirmando que sua responsabilidade pela morte de 111 presos na Casa de Detenção de Carandiru durante o seu governo foi meramente política e que o celular ainda não havia sido inventado então, portanto, possuía apenas o rádio de seu helicóptero para comunicar-se com o rádio do sistema de voo, – Não tinha olhos. Não tinha boca. Não tinha ouvidos. – Fleury “sempre será lembrado como o governador que estabeleceu a ‘linha dura’ em São Paulo”, como afirma manifesto do grupo Levante Popular da Juventude, que no último dia 2 de outubro realizou protesto diante da casa do ex-governador, no bairro do Pacaembu, para marcar os 20 anos do massacre do Carandiru – considerado pelo Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão ligado à Organização dos Estados Americanos (OEA), como um dos mais violentos casos de repressão à rebelião em uma casa de detenção.

A linha dura não está presente apenas ao lado de Haddad. Ela também está com Serra, assombrado, digo, apoiado pelo coronel Adriano Telhada (PSDB), ex-comandante da Rota denunciado por apologia à violência. Em 5 de outubro os promotores Fabiano Petean, Roberto Senise Lisboa e Joiesi Sales, da primeira zona da Promotoria Eleitoral de São Paulo, chegaram a pedir a impugnação da candidatura de Telhada por conta de posts no perfil do Facebook do coronel, como aquele em que teria ameaçado o jornalista da Folha de São Paulo André Caramante, que para se proteger, e à própria família, foi forçado a deixar o país, em vez de fazer a Drew Barrymore e pagar pra ver.

Caramente publicou em 14 de julho o artigo “Ex-chefe da Rota vira político e prega a violência”. Esse título, no mundo real, é o equivalente à loira virgem do filme de terror sair para dar uma volta no bosque à noite com um rapaz assanhado e uma garrafa de uísque. Quem conhece as fórmulas dos filmes de terror sabe o que vai acontecer aí. O texto do jornalista mencionava crimes cometidos pela Rota. Foi a partir de sua publicação que Caramante passou a receber ameaças, uma delas postada pelo coronel Telhada via Facebook:

“Quem defende bandido, é bandido também. Bala nesses safados”.

Paulo Sérgio Ivasava Guimarães, policial militar, deu aquele like para a ameaça do friend e tascou no mural do Feice:

“Esse Caramante é mais um vagabundo. Coronel, de olho nele”.

Até o site da Folha passou a receber  comentários violentos contra Caramante; exemplo:

“Bala nele”.

As ameaças estenderam-se à família do jornalista, que chegou a ser fotografada por policiais à paisana na rua.

Este mês de outubro, mês de Halloween, mês de eleições, mês de Michael Myers fugir do manicômio, também viu o retorno de uma frase sinistra dita pelo Governador de São Paulo Geraldo Alckmin em setembro, a respeito de ação da Rota que resultou na morte de nove pessoas: “Quem não reagiu está vivo”.

“Quem não reagiu está vivo”, repetiu, ora quem, Luiz Antonio Jason (ele volta…) Fleury, aquele que reapareceu articulando negociações entre os partidos de Haddad e Chalita, referindo-se ao episódio do Carandiru.

Tá com medo ou ainda acha que é só um filme de terror?

Paquistão não tem Glee

POR CECILIA GIANNETTI

CARA!, lembra quando a turminha do fundão tinha o quê?, 14, 15, e matava aula pra beber vinho de garrafão Sangue de Boi e ficava com os dentes manchados e depois ia andar torto no shopping e de noite rolava Bang! ou pegava seis horas de estrada e emendava ALôca em SP?… Então, Malala Yousafzai tem 14 anos e é muito mais doida e radical do que a turminha do fundão, porque o que ela faz é enfrentar o Taleban no Paquistão.

Desde os 11 anos a menina nascida na cidade de Mingora, na ultraconservadora região do Vale do Swat, faz campanha pela paz e pela educação de mulheres em seu país. (O Taleban tem entre suas prioridades proibir que mulheres estudem.) Primeiro, ela escreveu um diário (leia aqui, em inglês) sob pseudônimo para a BBC sobre as atrocidades ocorridas durante a ocupação de Mingora entre março e maio de 2009 pelos Talebans, em seguida passou a aparecer em programas de TV nacionais e internacionais para falar sobre a necessidade da educação das mulheres. Sua coragem lhe valeu uma indicação, em 2011, ao prêmio internacional Children’s Peace Award e o National Peace Award no mesmo ano.

O Paquistão é um dos países mais perigosos do mundo para as mulheres. Por lá, registra-se uma média de quatro casos de mulheres queimadas vivas, a cada semana, e três entre quatro morrem. De acordo com os dados da Human Rights Comission of Pakistan (Hrcp), em 2009 647 mulheres  foram mortas “em nome da honra (izzar)”, e 574 em 2008. É nessa cumbuca incendiária que a criança mete a mão.

Era só questão de tempo: a garotinha vivia sob ameaças do grupo Taleban local, chefiado pelo marmanjo maulana – “mestre” – Fazlulá. Não deu  outra: Malala foi baleada na cabeça e no pescoço por um homem do Taleban na última terça-feira, 8, quando viajava em um ônibus escolar voltando do colégio pelo Vale do Swat, junto a outras meninas. O ataque mostra que o poder do Taleban continua firme no Vale, mesmo após a retomada do local pelo exército paquistanês em 2009.

[Curiosidades: A página recém criada https://www.facebook.com/icon.of.peace, até o fechamento deste texto, tinha mais de 518 “curtidas”, e na pesquisa “Os agressores de Malala devem ser presos e receber pena de morte?” ( ) Sim ( ) Não, o Sim vencia a largo. Em seu Facebook, Malala curte sites de esportes, poesia, educação e fotografia.]

Os membros do grupo Tehrik-i-Taliban Pakistan (TTP) coçaram suas barbas, confirmaram a responsabilidade do grupo pelos tiros e fizeram novas ameaças a outras novinhas:

“Que sirva de aviso para todos os jovens que estejam envolvidos em atividades similares pois serão alvo de ataques se não pararem!”

O porta-voz do Taleban Ehsanullah Ehsan coçou sua barba e chiou:

“Ela é jovem, mas é pró-Ocidente, fala contra o Taleban, e declara Obama como seu ídolo”.

Convenhamos: esses caras são muito piores do que os inspetores das nossas antigas escolas. (Com uma exceção: uma mulher no Colégio Cenecista Capitão Lemos C., que às vezes tinha barba, quando se descuidava da depilação facial. Eu tenho certeza de que ela era membro de uma célula Taleban no Rio de Janeiro.)

Malala foi operada e encontra-se estável, após uma cirurgia que durou cerca de três horas.

“O futuro do Paquistão pertence a Malala e aos valentes jovens como ela. A história não se lembrará dos covardes que tentaram matá-la na escola”, afirmou, através do Twitter, a representante dos Estados Unidos nas Nações Unidas, Susan Rice.

 

 

Metendo a colher

Próxima atração: um reality show político 24/7

POR CECILIA GIANNETTI

“Quem nunca?”, tuitou ontem o ex-jogador Ronaldinho (“o da dieta”), comentando os tapas acertados em Carminha no capítulo 169 da novela “Avenida Brasil”. Parecia dar uma palhinha daquela expressão usada pelo goleiro Bruno (hoje preso sob acusação de sequestro e cárcere privado, homicídio qualificado e ocultação de cadáver de Eliza Samudio) ao comentar a possível agressão do jogador Adriano à então namorada do Imperador, Joana Machado: “Qual de vocês aí, que são casados (…) nunca até saiu na mão com a mulher?”

“Avenida Brasil” é uma trama que até quem não vê fica sabendo, de raspão, de um escândalo ou outro envolvendo seu núcleo de vilões ou o de burrões – estes, usurpados, chifrados e pisoteados pelos primeiros, até o capítulo de ontem sem muita certeza de que pudesse ser mesmo verdade tanta maldade, tamanha sordidez.

Quem não assiste ao folhetim de João Emanuel Carneiro, tido como uma revolução aos padrões da Globo, pode até esconder-se noutro cômodo da casa com um Proust, revistas e  jornais ou outro canal de TV ligado – mas ainda assim acabará escutando os gritos de Adriana Esteves chegando das janelas dos vizinhos, fruto da performance da vida da atriz como Carmem Lúcia, vocalizando sons guturais enquanto tensiona o maxilar assustadoramente em uma careta de piranha prestes a arrancar a cabeça do interlocutor aturdido. Quando a personagem fala mal de alguém pelas costas, recorre a um registro grave, demoníaco, que parece lhe ferir a garganta.


O menor dos crimes de Carmem Lúcia na história toda foi roubo. Resumindo bem resumidinho: armou para cima do primeiro marido, o que acidentalmente resultou na morte do mesmo, atropelado pelo jogador de futebol Tufão; usou a culpa de Tufão nesse cartório para que o jogador se casasse com ela; livrou-se do filho e da enteada ainda pequenos em um ‘lixão’; armou um sequestro (o próprio, inclusive, para ficar com a grana do resgate pago por Tufão, a quem traiu com o cunhado por mais de dez anos); desviou verba de obras sociais, mais precisamente de criancinhas necessitadas; enterrou viva a enteada; mandou espancar e depois subornou um frentista pobrinho, e por fim tentou matar o amante, envenenando-o e deixando-o para que se afogasse em um barco em alto mar.

No capítulo exibido ontem, sua família, que apenas há poucos dias descobrira que Carmem Lúcia rodara bolsinha na juventude, a mesma Carmem Lúcia que, souberam capítulos atrás, abandonara o filho no ‘lixão’, foi notificada ainda a respeito do detalhe do amante. Fotos foram apresentadas como provas. Incontestáveis. Nenhuma pinta de Photoshop.

Aí, mermão, AÍ: o corno da novela, o topeira do Tufão – como os espectadores e os vilões referiam-se ao personagem de Murilo Benício – desceu a mão no maxilar tensionado de piranha de Carmem Lúcia. Uma!, duas! vezes ele acertou a mão na lata da mulher; três! foi a vez de a mãe do jogador fazer a cabeça de Carminha girar com um tapaço bem aplicado. Houve ainda um acalorado (e muito aguardado) desfile de insultos à malvada: “Vagabunda, cachorra, vadia-mor, vadia, piranha, prostituta, cadela, baixa, falsa moralista, ordinária e bandida.”

A novela bateu recorde de audiência com 48 pontos no Ibope e pico de 52 pontos. A tal tuitosfera só falava nisso. Um sujeito postou seus dois vinténs em menos de 140 caracteres, questionando as chapuletadas que a vilã levou: “Vocês gostam de ver novela ou mulher apanhando?” Foi Arnaldo Branco, roteirista e cartunista. Mas Arnaldo foi uma exceção. Ronaldinho foi de: Tabefe? Quem nunca? O ator Bruno Gagliasso: “Isso! Dá nela, Tufão!!!!! Kkkkkkk.”

Em briga de marido e mulher…

Tuitosfera é a fera, o bicho em que se transformam as pessoas quando deixam de ser indivíduos em uma rede social, levados pela vibração coletiva dos hashtags, protegidos pela aparente inocência da rapidez com que se jogam com opiniões.

Mas estamos falando apenas de uma personagem de novela, de uma mulher fictícia – não é? – e que na ficção aprontou um bocado, infernizou muita gente, chifrou o marido, tentou assassinar alguém a quem dizia amar. O telespectador então quer vê-la sofrer, quer ver o sujeito que foi feito de besta por ela a novela inteira acertar a mão na cara-de-pau da vilã.

Quem nunca?

POR CECILIA GIANNETTI

Em maio de 2011 um vídeo divulgado no YouTube tornou conhecida no Brasil inteiro a professora de língua portuguesa Amanda Gurgel. Seu discurso em uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, em Natal, foi ao ar no site de vídeos do Google, onde, em apenas dois dias, recebeu mais de 80 mil visualizações. Hoje, o vídeo já contabiliza cerca de 2,240,583 acessos; com 8 minutos e 30 segundos, fez da professora, de 31 anos, a primeira vereadora do Brasil eleita pelo Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado – PSTU; e não só: foi a vereadora mais votada na Câmara de Natal.

”Vocês gostam de falar de números, que são irrefutáveis, pois vamos a um de três dígitos: nove, três, zero, que é o valor do meu salário”. Que assessor de campanha teria sido tão genial a ponto de escrever um desabafo assim redondinho, capaz de engajar o espectador com uma frase de tal simplicidade? E fazer seu candidato entoná-lo com a indignação contida, educada com que Amanda Gurgel dirigiu essas palavras? Nenhum assessor conseguiu ainda, no Brasil, produzir uma peça publicitária de campanha de custo tão baixo e tamanha competência. Porque o vídeo de Amanda não era uma peça publicitária – trata-se do mundo em que vivemos hoje, um “reality show político 24/7″, como cunhou Gavin Newsom, prefeito de São Francisco.

Mais de um ano após o desabafo de Amanda atingir os trending topics do Twitter – citada por Gilberto Gil e Marcelo Tas, do CQC, entre outros anônimos e famosos -, essa youtubada que a professorinha potiguar não planejara mostrou-se uma peça de campanha preciosa para uma candidata que no horário eleitoral não teve sequer um minuto inteiro para falar na TV.

Tivesse sido de caso pensado, não teria dado tão certo.

É claro que, em 10 de maio de 2011, quando disse o que ninguém gosta de ouvir no Brasil, Amanda Gurgel não tinha em vista uma campanha. Mas tal repercussão pode ensinar um ou dois truques para os marketeiros utilizarem de agora em diante. Não que façam com que seus candidatos forjem desabafos e humanidade diante de uma câmera de celular. Mas, quem sabe, que passem a acreditar, apostar com mais vontade na difusão de vídeos dos candidatos pela internet, nos quais o texto passe longe do que repetem como que hipnotizados, em segundos, no horário eleitoral – que os telespectadores evitam. Na web, escolhendo o que quer ver e compartilhar, o sentimento de participação do eleitor na campanha aumenta. Quem sabe não inspira uma nova “linha de produção” de campanha – mais barata, com estética menos robótica e maneiras de expor compromissos de campanha mais contundentes.

A campanha de Barack Obama na internet, em 2008, alterou para sempre a corrida política por votos nos Estados Unidos, usando e abusando do YouTube como via de propaganda livre, grátis. Isso já foi há quatro anos; o candidato brasileiro ainda duvida desse potencial, simplesmente o ignora ou não sabe como aproveita-lo. Temos vídeos institucionais de candidatos disponibilizados no YouTube; não temos no YouTube a espontaneidade dos candidatos – a menos que sejam apanhados de surpresa fazendo bobagem ou adormecendo durante uma sessão do Congresso, por exemplo. Não vale repetir o que é feito para a TV. Não se trata de propor vários “Tiririca 2222 online”; o abestado apenas transpôs para o YouTube as palhaçadas que já fazia no horário eleitoral gratuito. E por que o YouTube, e não outro serviço de vídeo na web, seria “o” canal – melhor dizendo, a melhor via? O Portal do Google é o rei, ponto. Somente no domingo passado, 7, o YouTube ganhou 60 novos canais com conteúdo original, ou seja, de produções originais para o portal.

Marcelo Freixo, do Rio de Janeiro, cometeu uma ousadia nesse sentido, concedendo uma entrevista ao lado do candidato à vice prefeitura do Rio, Marcelo Yuka, a um sujeito que usa no rosto uma máscara de lutador de lucha libre e cumprimenta seus youtubespectadores com um “E aí, galera, belesma?”

Foi uma oportunidade mal aproveitada pelos candidatos: Freixo começa a entrevista com gás total e depois deixa a peteca cair. A fala de Yuka deixa bastante a desejar, esquece de reforçar conteúdo. Porém o vídeo obteve 51,533 em apenas oito dias; o vídeo oficial de Marcelo Freixo no YouTube obteve 58,122 desde 25 de julho passado – em três meses.

A trajetória de Amanda Gurgel pode servir para dar um sacode na maneira como a web é usada pelos nossos candidatos. Não que ela esteja preocupada com isso. Como já afirmou em entrevistas, a licenciatura a preparou para levar alunos a produzirem textos como resenhas e crônicas. Mas o que encontrou na sala de aula foram alunos incapazes de ler palavras como “bola”. Essa é a briga da professora mais famosa da internet. A dos candidatos às próximas eleições é se libertar do quadrado do aparelho de televisão.