QUARTOS DO CATETE

Instalam-se nesses hostels, os estrangeiros, em múltiplos quartos. Dormem em beliches que rangem, presentes nos predinhos estreitos, renovados dos anos 1940, apenas para o café da manhã de frutas de temporada, torradas de proveito do pão que já não era mais fresco, e queijo minas barato. Retornam para madrugadas de exaustão (não há aqui o toque de recolher) e roncos em quartos coletivos. Dividem-se entre mochileiros jovens e viajantes com dinheiro e sem opções, grupos entusiasmados por tudo que propagandistas locais e de revistas importadas dizem ser carioca e muito de nosso feitio – seja lá o que for mesmo isso. Estrangeirada de quem me sinto próximo, pelo jeito largado que se deixam ficar por aqui. Querem tanto estar na mais bela cidade, do mais belo país da estação. Não cabem mais nos hostels e hoteis de outros cantos da cidade mais badalados, abastados. Naufragaram aqui por forte desejo, feito o meu. EU, mais estrangeiro ainda, que sou daqui e não me sinto em casa. Sempre existe um mistério de cidade oculta que procuro na minha, e falho em descobrir.

+ [O clipe desta Dose é homenagem ao Fred Leal, do Baile]

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