TOM WOLFE

“Depois da guerra, os subúrbios das grandes cidades americanas começaram a se encher de mulheres instruídas com casas grandes, maridinhos sérios e gosto para… comprar coisas caras. A ‘New Yorker’ era mais ou menos a única revista geral que elas ouviam os professores mencionarem de uma… maneira cultural boa. E de repente elas descobriram (…) que essa revista (…) estava falando diretamente pra elas. (…) ter essa revista em casa já é um símbolo, uma espécie de distintivo.”

Wolfe sabia muito bem qual nervo estava atingindo quando escreveu isso. Nada poderia soar mais distante do projeto do fundador da revista, Harold Ross, que uma publicação dedicada às donas de casa suburbanas. E qualquer ofensa ao projeto original de Harold Ross causava terror absoluto em William Shawn, o editor que se negara a colaborar com o repórter para um perfil. Praticamente cada vírgula que Wolfe escreveu em “O caso New Yorker” sobre a revista, ironia e verdade lhe renderam alguns processos por calúnia à época. O capítulo é leitura obrigatória para jornalistas e escritores. E leitores da “New Yorker” pelo mundo inteiro também.

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A revista da dona de casa de hoje é falsamente novidadeira: pretende inventar moda, mas não banca isso; quer garantir que detectou tendência mas não reconhece o novo por falta de hábito, ou simplesmente prefere esperar que o aval ao novo seja conferido antes por uma publicação vizinha “menor”, que tenha menos a perder em caso de o tal do novo não parecer, comercialmente, afinal, coisa boa para a dona de casa.