EL JUSTICIERO, CHA CHA CHA

* apropos texto do Mauricio Stycer na FSP (Fator Solar de Proteção), sobre os “jornalismo justiceiro”, dois vídeos de personalidades políticas e malucos-mix com o ex-Ernesto Varela, atual Tas do CQC, futuro… unknown.

  • Dona Ruth entre 2:50 e 3:08, à pergunta “Por que uma pessoa tão ajuizada, culta e inteligente como ele foi se meter com política?”
  • “Como é o Paulo Maluf por dentro?” em 5:04
  • Maluf em 5:10 “Espero um dia a misericórdia de Deus”.
  • “Temos um crise econômica que sabe Deus quando termina…” FHC lá pelo 2:30

E a mais marota perguntinha:

  • “Mtas pessoas ñ gostam do senhor, dizem q o senhor é corrupto. É verdade isso, deputado?” em 0:45

+ El clipe de El Justiciero, com Los Mutantes:

FORMA

O escritor não pode partir com uma forma pronta. Ela será dada, exigida, imposta pelo próprio tema e com esse elemento de certa novidade, é possível admitir também que cada novo tema tratado jamais deixará de surpreender o escritor. O tema passa a flagrar o desconhecimento do escritor, uma vez que o intérprete aceita um corpo-a-corpo a ser travado com a coisa a ser interpretada. (…) O escritor está entregue à própria liberdade. Daí, não apenas a possibilidade, mas a necessidade da experimentação.

Copacabana, 3 de novembro de 1975. – João Antônio.

NO TEMPO DA ESCASSEZ

A ausência absoluta de revistas importadas, em especial, não passava despercebida. A turma sabia que elas existiam. Às vezes eram citadas nos cadernos culturais por jornalistas que se dispunham a lê-las. Ou apareciam na biblioteca da sede da Cultura Inglesa, de onde nunca podiam sair emprestadas (roubadas, isso era um outro caso).

A falta de bons livros era uma charada fácil de matar: não havia uma só livraria no bairro, só papelarias estrategicamente localizadas ao lado dos maiores colégios, que vendiam apostilas e material escolar. Mas nunca cheguei a qualquer conclusão sobre a seca de periódicos importados. Se a vida no bairro da Ilha do Governador era uma mistura de Twin Peaks com Barrados no Baile, então nada justificava que nos privassem de lixo pop impresso.

Mas o Aeroporto Internacional da cidade não fora colocado à toa ali perto de casa, na Ilhota: foi lá que encontrei duas livrarias de verdade, duas naves-mãe brilhando com fileiras arrumadinhas na parede, cheias de opções inumeráveis, edições dos meses anteriores e novas de Rolling Stone, Details, The Face, Smash Hits, Vanity Fair, NME… um universo inteiro de publicações fincado ali, num lugar de passagem, de transição.

As capas realmente brilhavam. O cheiro do papel chegava a dar barato. A variedade oferecida naquelas prateleiras causava um contraste alarmante em relação à escassez de prata-da-casa. No Brasil tínhamos uma revista de música mais abrangente, a Bizz. É natural que a Revista Brasileira de Música, criada em 1934, não fosse levada em consideração por nós, já que ela mesma desconsiderava o resto do mundo da música. Também só uma revista tratava de cinema, a SET. E, por mais que eu tentasse “economizar” e ler poucos artigos a cada dia, elas não rendiam o mês inteiro. Não tinha Trip, Cult, Bravo, Piauí. E a internet só chegaria às nossas casas dez anos depois; TV a cabo, ao menos em Beverly Peaks 90210, ainda mais tarde. Cerimônia do Oscar, só com o Rubens Ewald Filho; videoclipe, só no Canal 13 e com muito chuvisco e chiado.

Não fossem os tempos de escassez e o choque de topar com coisas fantásticas vez ou outra enquanto eles duraram, a turma que estava lá quando tudo era raro e quase inacessível teria mais dificuldade em identificar o que é ordinário e dispensável. Filtrar (o Grande Trabalho de Hoje). Ou teria se tornado menos resistente às publicações que endossam o ordinário, o dispensável.

TOM WOLFE

“Depois da guerra, os subúrbios das grandes cidades americanas começaram a se encher de mulheres instruídas com casas grandes, maridinhos sérios e gosto para… comprar coisas caras. A ‘New Yorker’ era mais ou menos a única revista geral que elas ouviam os professores mencionarem de uma… maneira cultural boa. E de repente elas descobriram (…) que essa revista (…) estava falando diretamente pra elas. (…) ter essa revista em casa já é um símbolo, uma espécie de distintivo.”

Wolfe sabia muito bem qual nervo estava atingindo quando escreveu isso. Nada poderia soar mais distante do projeto do fundador da revista, Harold Ross, que uma publicação dedicada às donas de casa suburbanas. E qualquer ofensa ao projeto original de Harold Ross causava terror absoluto em William Shawn, o editor que se negara a colaborar com o repórter para um perfil. Praticamente cada vírgula que Wolfe escreveu em “O caso New Yorker” sobre a revista, ironia e verdade lhe renderam alguns processos por calúnia à época. O capítulo é leitura obrigatória para jornalistas e escritores. E leitores da “New Yorker” pelo mundo inteiro também.

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A revista da dona de casa de hoje é falsamente novidadeira: pretende inventar moda, mas não banca isso; quer garantir que detectou tendência mas não reconhece o novo por falta de hábito, ou simplesmente prefere esperar que o aval ao novo seja conferido antes por uma publicação vizinha “menor”, que tenha menos a perder em caso de o tal do novo não parecer, comercialmente, afinal, coisa boa para a dona de casa.