ABANO O RABO

De repente, feito mágica, não me incomoda sequer o esporte nacional de apontar o dedo: a mania provinciana de acusar. São perfeitos todos os que acusam de qualquer coisa seus vizinhos, amigos, parentes; somente a perfeição pode respaldar quem acusa, ou não teriam a cara-de-pau de sempre acusar.

Para eles, abano o rabo.

Por um trato feito comigo mesma, com prazo de validade até o último parágrafo deste texto, ponho-me de quatro, uivo e esqueço parte da minha condição humana. Dessa maneira pouco me darei com as corrupções, tragédias e perdas irreversíveis relatadas nas demais seções, estendendo a sobranceria a minha vida pesssoal. Afinal, para quê ?, já vimos tudo isso antes, não passa de deja-vu. Recebemos as más notícias, demos forward a familiares e conhecidos dos mais pavorosos acontecimentos por e-mail, desesperamo-nos e até fizemos o sinal da cruz quando um desabamento ocorreu bem perto de nosso prédio ou do caminho que usamos para chegar ao trabalho; pensamos: “Podia ter sido eu”. E, diante de infinitas possibilidades de infortúnios, optamos por ignorá-las para viver.

É nesse espírito que deixo meu cão me levar para um passeio pela cidade. É nova para mim, ainda não construí nela uma rotina, desconheço suas curvas, parques e enseadas. Nela, posso escrever histórias para cada endereço que vejo pela primeira vez e recontar minha vida ao animal, da maneira que eu quiser. Como se sempre, por 32 anos, eu tivesse vivido aqui. É pra isso que nos mudamos, pela ilusão de sair de mesmo lugar a que fomos pregados, pelo prazer de morar outra vez numa folha em branco.

Conforme trotamos, eu e o animal, tornamo-nos mais parecidos. Não atento às cores das fachadas e nomes dos edifícios, desprezo lampejos de memória, as manchetinhas implacáveis pregadas numa banca de jornais – desagradáveis, incômodas manchetes, a noticiar o fim de tudo como conhecíamos; torturas, roubos, abusos, maldade em cada canto e em seu mais puro estado: injusta e impune. Um velho parado frente à banca mexe a cabeça para a esquerda e para a direita repetidas vezes, um cigarro pendendo da boca finíssima, quase descarnada. Meu cão abana o rabo. Para ele, o jornal não passa de banheiro.

Às vezes acordo querendo ser como o cão, sem passado e sem medo. Sua única memória, impressa no pêlo e nos músculos, é de ter sido bem tratado. Seu nome, minha voz, são sempre prenúncio de felicidade. Na minha cidade nova um cão despreocupado é meu dono, e a vista deitada neste mirante nada me diz a respeito de quem eu fui, de que família vim, em qual casa da infância escondi meus pecados.

Há todo o tempo do mundo para conversar com estranhos na rua. Diálogos sem bagagem nem conseqüência, vivendo um dia de cada vez, feito o meu cão, e todos os dias bem iguais uns aos outros. Repletos de não-memórias felizes.

Recém-chegada à cidade, lavada e nova, sem pulgas, sem coleira, abano com alegria o rabo deselegante para desconhecidos. Dou meu número de telefone, aceito apelidos e carícias das mãos que me percorrem a barriga, o peito, o lombo, mostro os dentes numa imitação de sorriso humano. Não me convém preocupar-me com o rumo que tomam as investigações em torno de assassinos, ladrões e políticos. Leio jornais feito o cão, como se os parágrafos formassem uma padronagem perfeita para a toilette. Abano o rabo, eu sou o cão.

NADA DE NOVO NO FRONT

o que a gente vê hoje é o que se costuma dar título no jornal de “tragédia anunciada”.

taí há muito tempo. bato nessa tecla faz muito tempo. faz muito tempo que perdi paciência com papinho de “acontecimentos isolados”. ISOLADOS? troço é um lastro crescente.

p.s.: lembrando que, em quatro anos de coluna na Folha, escrevi mais sobre belezura do que caos. não me venham com os pedregulhos de “numa-nice” na mão acusando de alarmismo.

Numa nice até o próximo pipoco
Cecilia Giannetti
Folha de S. Paulo 22 de setembro de 2009

O risco está aqui. Vocês e sua impotência e fragilidade diante dele podem contar com isso. É frequente, pode-se desenhar uma constante com as ocorrências – e, por mais cansativo que pareça o comentário sobre a violência no Rio de Janeiro, é necessário tentar juntar lé com cré, crime após crime, para que não passem como fatos isolados, manchetes sem qualquer relação umas com as outras. Ou com as vidas que ainda não cruzaram, por acaso, com arrastões, sequestros e tiroteios que sucedem um após o outro, dia sim, dia não; às vezes dia sim e no dia seguinte também.

Em 16 de setembro, uma tentativa de arrastão no Túnel Zuzu Angel – que terminou com “apenas” um assalto – despertou o lado numa-nice daqueles cariocas que nunca foram vítimas de ataques dos mais comuns, nem jamais levaram um pipoco, nem perderam alguém que já levou. Conheço poucos, mas alguns sortudos ainda existem; e quando surge uma sombra de dúvida sobre qualquer sinal da falta de segurança em que sobrevivemos, debatem o assunto como se este fosse ainda o Rio de 1950; um Rio dourado, porém repleto de estraga-prazeres noiados. Para eles, o terror no túnel não passa de um episódio de paranoia coletiva, provocado pelo ruído dos canos de descarga de motocicletas. Não foi nada, não, os numa-nice sorriem: coisa da mídia. “Pra quê abandonar os carros e sair correndo? Por conta de uns estouros no escuro? Medo de tiro? Que gente estressada.”

São esses os numa-nice. Alcunha baseada em gíria tão ultrapassada quanto seu pensamento sossegadão.

Panos quentes foram colocados sobre o assunto – com a ajuda da polícia, de acordo com sites que debatem constantemente essas ocorrências, além de blogs de repórteres especializados em criminalidade e mesmo de policiais. Mas o ataque ao Zuzu Angel não foi cosplay de violência. A delegacia da Barra da Tijuca teria ao menos um registro que o demonstra: quatro bandidos, em duas motos, e um motociclista vítima de roubo, no Túnel Zuzu Angel, às 21h. Registro baseado em efeitos especiais holográficos? Os numa-nice crêem que sim. Vamos à praia, pois.

Na mesma semana um técnico judiciário foi morto com um tiro em Ipanema, depois que dois homens tentaram roubar sua moto. O crime ocorreu a poucos metros de onde um médico que teve uma moto importada roubada; apesar de baleado, sobreviveu.

Cerca de um mês antes, quatro assaltantes armados com pistolas fizeram a limpa em quem passava pelo túnel Santa Bárbara, sentido Catumbi – com direito a troca de tiros enquanto rolava a ação. E antes disso, os mesmos criminosos roubaram um carro no Leblon, na Zona Sul, fazendo refém o motorista.

No começo de setembro, aproximadamente 10 homens fortemente armados fizeram um muy bem sucedido arrastão no túnel velho, em Copacabana. No mesmo dia, houve outro arrastão em Ipanema, tiroteio rotineiro na favela da Rocinha, o tráfico impediu que bombeiros atuassem em incêndio no Morro do Juramento, e em Campo Grande foram encontrados três corpos – isso porque focamos aqui na narrativa oficial que chegou aos jornais, e dentro de um período curto, de semanas. Menos de 24 horas antes, um prédio luxuoso, num dos pontos residenciais mais caros do Rio de Janeiro – a Av. Delfim Moreira, no Leblon, onde vive o governador Sérgio Cabral – sofreu arrastão, bem como um edifício de classe média na Tijuca.

GUIA PARANÓICO DE CONVIVÊNCIA SEM FUTRICA

Se eu me lembro da Dona Tia? Não sofro de fake amnésia, claro que me vem à lembrança a Dona Tia. Não sei se Tia era abreviatura de algum prenome exótico ou só apelido, quem deu a ela o vulgo nem por quê. Tipo de informação que ela jamais se animava a fornecer. Dona Tia trabalhava apenas com a coleta, adaptação e broadcasting de informações a respeito de moradores, familiares e amigos de moradores – frequentadores em geral – da rua onde eu vivia na Ilha do Governador.

Seu principal posto de observação ficava na varanda do segundo andar de sua ampla casa, onde era capaz de passar bastantes horas seguidas à espera de qualquer movimentação na rua que pudesse considerar suspeita e transformar em assunto. Espiava também por detrás das cortinas de uma janelona quando, cautelosa, procurava evitar que sua presença alterasse os rumos do acontecimento que julgava presenciar. Muitas vezes era um nada que via, mas transformava em assunto a ser levado por de um a um aos ouvidos dos vizinhos – exceto aos diretamente envolvidos na fofoca.

O portão de entrada da casa era importante na fase de transmissão da suposta descoberta ou flagra que tivesse obtido durante a vigilância na varanda.

O telefone era um instrumento essencial de propagação – ainda que nada de concreto sobre seus objetos de estudo pudesse ser comprovado.

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Dona Tia trabalhava estritamente com hipóteses mal sustentadas por seus “testemunhos”. A curiosidade provinciana dos vizinhos e a falta do que fazer após o Vale a Pena Ver de Novo alimentavam a atividade de Dona Tia e fortaleciam a rede de disse-me-disse.

Quando finalmente chegava ao conhecimento do(s) protagonista(s) da falação, era impossível descobrir por qual ponto difusor da história o vizinho que fora avistado – através da janela, no aconchego da saleta de sua casinha – a tirar um cochilo com uma almofada felpuda entre as pernas, transformara-se num pervertido praticando zoofilia com o poodle toy da família.

Aí já era tarde. Má fama feita, a vítima via vermelho e partia para acariações entre vizinhos. Tirava satisfação dos buxixos, quase sempre sem resultado positivo.

– Ih, quem não deve não teme, hein! Tá nervoso por que, Seu Fulano? Aí tem coisa…

E Seu Fulano levava a pecha de tarado pro resto da vida ou enquanto durasse a lembrança de seu suposto enlace carnal com o cachorrinho.

A credibilidade de Dona Tia permaneceu inabalada, inquestionável até, durante muitos anos. Motivo? Tenho hipóteses:

1) graças à demanda do povo por assuntos cabeludos que os distraíssem de sua rotina doméstica, das conversas mornas sobre novelas e o sobe e desce de preços nas Casas da Banha.

Uma noite Dona Tia viu um disco voador. No dia seguinte não havia gente na rua, no bairro inteiro até, que não tivesse avistado as mesmas luzes brilhantes dançando n0 céu da Ilha do Governador. Ninguém, dessa turma toda, porém, tivera a ideia de bater uma foto do OVNI. Que pena. Mas havia o testemunho, como não?

Até o dia de sua morte, Dona Tia continuou a ter suas histórias ouvidas, aumentadas e propagadas como verdades.

Hipótese 2) Sua credibilidade era mantida à custa da alta rotatividade de moradores, novos e inocentes vizinhos a chegar sempre sem saber que eventualmente protagonizariam tramas desenvolvidas por aquela senhora e seus colaboradores (que muita vez eram também vítimas dela).

Dos antigos, havia quem preferisse mesmo a trabalheira de uma mudança radical, trocando a rua por outra onde pudessem gozar de privacidade sem ter quem insinuasse que gozavam num poodle.

Hipótese 3) que não exclui as outras duas: tratava-se de uma senhora elegante, sempre muito bem vestida e ornamentada de joiazinhas, que falava bem (além de bem mal a respeito de todo mundo), tinha certo ar de madame de um tipo que não se fazia mais nem àquela época. Não se desconfiava dela como fonte primeira de boatarias nem provocadora de contendas e tretas porque ela “parecia fina”, e era, ela mesma, extremamente reservada em relação à própria vida. Era viúva. E mais não sabíamos. Nenhum de nós vizinhos jamais tínhamos botado os pés na casa dela. Suas conversas e palestras aconteciam todas do portão para fora. Ou pela fiação telefônica.

Sorte nossa não havia internet enquanto houve Dona Tia.

Quando faleceu, o óbvio foi descortinado pelo silêncio que ela deixou para trás. Nunca mais houve fuxico na rua. Ficou claro, como as luzes lançadas pelo OVNI inventado, que Dona Tia era a central de desinformação a qual todos os boatos e confusões podiam ser rastreados.

Tornei a pensar em Dona Tia e suas atividades recentemente, quando um telefone-sem-fio entre conhecidos de conhecidos e amigos de amigos transformou a todos em inimigos. A trama era boa: tinha vaidade, ciumeira, traição e olho-gordo. Para que fosse considerado produto de linhagem similar às invenções de Dona Tia, faltava apenas a zoofilia ou coisa mais esquisita que chocasse o povo.

Pensando nisso, criei o guia abaixo. Curto e grosso (que é pra ninguém esquecer.):

1. Se não puder tapar o ouvido, feche a boca. Não repasse.

2. Se não conseguir evitar que te responsabilizem pelo Holocausto, Hiroshima, o assassinato de Kennedy e a invenção da tecno italiana, deixe quieto. O pessoal está se divertindo horrores inventando essas coisas sobre você. Não queira irritá-los e levar também a pecha de estraga-prazeres.

3. Faça uma lista com as três pessoas em quem você pode confiar. Então, alternadamente, passe a desconfiar um pouco de cada uma delas para sempre.

p.s.: lembra do Hunter Thompson, “Não existe paranoia”.

SONETO PARA THE EVENT E OS AMIGOS QUE PULARAM DO AVIÃO QUANDO SAÍ DE MIM

Deus abençoe a sinceridade.

A jukebox do Village Voice.

O Village Voice soltando tinta em meus dedos.

Uma calçada da 23 com a Lexington. O Bowery. E Kreuzberg. São Paulo, RJ, aqui.

Um labrador que espera o fim do dia de trabalho de seu dono em frente à mesa da recepcionista num edifício preto e espelhado.

Um muy aguardado e-mail sobre o que fazer com o sonho de escrever e o medo de morrer sozinho.

Minha predisposição a jamais não gostar imediatamente de alguém. “Mas ele tentou te matar!”. Tenho certeza de que tinha um bom motivo.

Os ursos que nos abraçam e nos devoram, pra cuspir a carcaça fora no rio. (ALÔ, AMIGÃO).

A única maneira de saber quem é quem (cochicho ininteligível, close da boca do herói da série em sua orelha antes que pule do helicóptero: “Tenho uma filha no Alabama, cuide bem dela… e, ah: a única maneira de saber quem importa é ver como reagem ao seu desmoronamento.”)

Acho que filha no Alabama é coisa de outro seriado.

Não importa, apenas assine o RSS e clique diariamente ou te cutucarei com uma morsa empalhada enquanto você dormir.

FIGURA

Pilastra costuma chamar assim, “figura”, quem não é paradão e cor-neutra feito… pilastra.

Era um termo que eu detestava, quando não entendia as pilastras, não ouvia direito o que elas diziam.

Não entendia que adoram a companhia da figura.

Que, quanto mais figuras puderem ter a sua volta, mais pilastra se tornam, mas lá dentro do concreto e da sua cor-de-nada, acontece alguma alegria.

“Figura” traz circo mas o circo só leva quem brilha, mulher barbada ou palhaço.

https://escrevescreve.files.wordpress.com/2010/11/circo.jpg?w=300

***

A alma dos diferentes – Artur da Távola (via Cross-Dressing Club, site do grupo do Rio de Janeiro)

Diferente não é quem pretenda ser. Esse é um imitador do que ainda não foi imitado, nunca um ser diferente.

Diferente é quem foi dotado de alguns mais e de alguns menos em hora, momento e lugar errados para os outros. Que riem de inveja de não serem assim. E de medo de não agüentar, caso um dia venham, a ser. O diferente é um ser sempre mais próximo da perfeição.

O diferente nunca é um chato. Mas é sempre confundido por pessoas menos sensíveis e avisadas. Supondo encontrar um chato onde está um diferente, talentos são rechaçados; vitórias, adiadas; esperanças, mortas. Um diferente medroso, este sim, acaba transformando-se num chato. Chato é um diferente que não vingou.

Os diferentes muito inteligentes percebem porque os outros não os entendem. Os diferentes raivosos acabam tendo razão sozinhos, contra o mundo inteiro. Diferente que se preza entende o porque de quem o agride. Se o diferente se mediocrizar, mergulhará no complexo de inferioridade.

O diferente paga sempre o preço de estar – mesmo sem querer – alterando algo, ameaçando rebanhos, carneiros e pastores. O diferente suporta e digere a ira do irremediavelmente igual: a inveja do comum; o ódio do mediano. O verdadeiro diferente sabe que nunca tem razão, mas que está sempre certo.

O diferente começa a sofrer cedo, já no primário, onde os demais de mãos dadas, e até mesmo alguns adultos por omissão, se unem para transformar o que é peculiaridade e potencial em aleijão e caricatura. O que é percepção aguçada em: “Puxa, fulano, como você é complicado”. O que é o embrião de um estilo próprio em: “Você não está vendo como todo mundo faz?”

O diferente carrega desde cedo apelidos e marcações os quais acaba incorporando. Só os diferentes mais fortes do que o mundo se transformaram (e se transformam) nos seus grandes modificadores.

Diferente é o que vê mais longe do que o consenso. O que sente antes mesmo dos demais começarem a perceber. Diferente é o que se emociona enquanto todos em torno agridem e gargalham. É o que engorda mais um pouco; chora onde outros xingam; estuda onde outros berram. Quer onde outros cansam. Espera de onde já não vem. Sonha entre realistas. Concretiza entre sonhadores. Fala de leite em reunião de bêbados. Cria onde o hábito rotiniza. Sofre onde os outros ganham.

Diferente é o que fica doendo onde a alegria impera. Aceita empregos que ninguém supõe. Perde horas em coisas que só ele sabe importantes. Engorda onde não deve. Diz sempre na hora de calar. Cala nas horas erradas. Não desiste de lutar pela harmonia. Fala de amor no meio da guerra. Deixa o adversário fazer o gol, porque gosta mais de jogar do que de ganhar. Ele aprendeu a superar riso, deboche, escárnio, e consciência dolorosa de que a média é má porque é igual.

Os diferentes aí estão: enfermos, paralíticos, machucados, engordados, magros demais, inteligentes em excesso, bons demais para aquele cargo, excepcionais, narigudos, barrigudos, joelhudos, de pé grande, de roupas erradas, cheios de espinhas, de mumunha, de malícia ou de baba. Aí estão, doendo e doendo, mas procurando ser, conseguindo ser, sendo muito mais.

A alma dos diferentes é feita de uma luz além. Sua estrela tem moradas deslumbrantes que eles guardam para os pouco capazes de os sentir e entender. Nessas moradas estão tesouros da ternura humana. De que só os diferentes são capazes.

Não mexa com o amor de um diferente. A menos que você seja suficientemente forte para suportá-lo depois.

AFINAL

Já virei calçada maltratada. (O som nos fones, tapando tv e gritaria). Pode-se dizer. Este é um micropost que não é tão pequeno que caiba no twitter.

Enquanto rola numa galeria ao lado deste boteco o lançamento do seriado que escrevi com outros caras para o braço televisivo da Grande Firma Mantenedora (not Petrobras, not BB), descubro a real sobre parte da pergunta de Freud que permeia toda a trama de TV Afinal o que querem as mulheres.

Antes de tudo, o que é que voce quer? Ou, especificamente: pra se dar realmente bem na vida, o que quer?

Bem-bom, digo. Não vagabundagem-bem. A outra sensação.

Melhor querer a coisa que não é a insônia, que não é a tosqueira subpop (no pior sentido da palavra). Leveza sem lance de truqueiro. Truqueiro as in #valetudo, novela reprisada pelo Canal Viva, que vive mode-on pseudo malandro, pseudo malandra.

Melhor querer coisa boa pra todo mundo.

Tenho noção de estar soando meio pregadora sem pregas. Mas vai por mim. Pega leve e faz amizade. TRU.

Amizade e/ou proximidade TRU, sem puxação de tapete, competição, sem treta. Alguma coisa mais ou menos quase feito esta horda de caras num boteco da Gávea, perto da galeria chique onde agora acontece o lançamento da minissérie ou seriado (sei lá, não sabemos o que será, nem nós, autores).

Jogo do flu com inter.

Chamam por Ogum, os de religião.

Gritam juntos feito irmaos de fe, de sexo. É um momento, mas é demais.

A resposta, ou melhor, a questão: você gosta tanto de algo a ponto de ser capaz de obter ou quase todo o poder necessário para protege-lo?