EYECANDY FOR ALL

Um dia difícil para o brasileiro. Nada comparável ao que vem pela frente a partir do que será decidido nas urnas hoje.

Por isso, Mad Men somos nós. Não no sentido Madison Avenue do seriado mais quente do momento.

Por isso, todos precisamos de eyecandy agora.

Somos loucos, e não podemos por esse motivo ser responsabilizados pela trolha que nos governará? Não acredito mais nesse conceito.

Mesmo assim, toma estas imagens para se distrair. O mal está feito. Bem no dia de Halloween. Toma esta Christina Hendricks e alivia teus olhos cansados de Dilma e Serra na TV, em cartazes e em seus piores pesadelos.

Toma (favor ignorar o anúncio “join the army” do exército norte-americano no começo do vídeo, um making-off de quando a atriz foi capa da Harper’s Baazar e que inclui ainda uma singela entrevista da moça).

Toma também:

E ainda o Jon Hamm:

CONVERSA

Aqui é meu canto. Vem quem quer, bem-vindos os de boa fé.

A lembrar antes de retomar a falação aqui:

Trabalhei em muitos, diferentes empregos e mudei de bairro, às vezes de cidade e também país algumas vezes. Ainda que algumas mudanças tenham sido por curto tempo, e uma delas até tenha “inspirado” linhas tortas num roman-à-clef de um cafa, ganhei coisas boas com cada correria dessas.

Acervo Pessoal

Grandes merdas. Mas de 1998 até hoje fui redatora em firma design, redatora criativa em agência de publicidade, repórter, editora, assistente editorial, cronista, garçonete, bartender, escritora, tradutora, roteirista (telão, telinha, web) e agora jornalista simultaneamente com trabalho de roteiro e a edição do segundo livro.

Morei na Ilha do Governador, em Copacabana, Flamengo, Laranjeiras, Novaiorque, um mês em Berlim, back to Catete, depois Paquetá, São Paulo, no The Maze, na Tavares Bastos, Copacabana de novo, escritórios e casas de amigos por períodos em que faltou apê, Flamengo outra vez. Grandes merdas. Mas de cada lugar guardei uma penca de arquivos. Deram em crônicas, contos, livros, amizades.

Acervo Pessoal

Tive uma banda, lá num ponto da minha vida que sempre me parece uma outra encarnação, antes de começar a publicar, escrever todos os dias. Vida de músico não combina com vida de escritor. Não músico que viaja por aí adoidado com a banda. (Tony Bellotto agora escreve mais porque não faz tour direto, só pode ser).

Já fiz muito blog. Parei. Achei bom voltar agora, já que voltei também a escrever para revistas e nem tudo que faço cabe nelas.

Coloquei aqui essa ficha corrida pra deixar que o contraste falasse. Porque andei conversando com muita gente interessante desde que eu voltei a ver pessoas fora do computador, da webcam, do email, do chat. Passei um tempão só trabalhando em casa. Raramente saía. Tipo de coisa que bem não faz. Você aí deve concordar.

O contraste taí: se fechar numa tela vs. descobrir lugares e pessoas.

Read. Write. Run. (O Jonathan Shaw, figura central do meu texto na Revista O Globo de hoje, aprovaria o moto).

Aí vi coisas que até eu mesma duvidei que tivesse visto. Sorte é que tenho testemunha. Amigo é pressas coisas: “Broder, que merda é essa? Aconteceu aquilo ou tô pirando?”. “Não, querida, tá louca, não. Rolou essa parada aí mesmo. Mas tamojunto, segura em mim.”

E aí a gente abriu os olhos um do outro.

A gente precisa do outro. Todo mundo precisa do espelho que outro oferece. Não qualquer outro, não qualquer espelho. E com certeza não de um jeito cafa-sanguessuga. Precisa do outro pra se ver. Isso é uma noção bem básica, qualquer boçal pode, com alguma autoridade, chamar a isso de pseudo-filô. Deve ser, pode ser. Mas é tão básico que a gente nem sempre lembra disso.

Use este post(-it) grudado na testa pra se lembrar.

p.s.: escrevi tanto “merda” neste post em homenagem aos amigos lá do teatro: merda pra gente é sorte.