RUMOS DO LIVRO NOVO

[Café Fatal, romance que se passa em Berlim]

Duas personagens se descolaram totalmente de seus modelos originais; têm trajetória, comportamento, pensamentos dissociados de pessoas que conheci e quis descrever.

Agora conheço melhor seus derivados, como se rostos, fios de cabelo, pele e memórias tivessem se despregado de corpos vivos, e deixado, no lugar do que me era familiar, carcaças de estranhos.

Cruzar novamente com essas pessoas reais seria ainda mais bizarro do que ver um livro cuspir no chão uma personagem. Se, por acaso, uma dessas pegasse um avião ou o telefone para entrar em contato comigo, eu teria que dizer “Desculpe, mas você não pode atender; você não está”.