DRAMALHÃO GEEK

“(…) no filme de Ridley Scott, Blade Runner (1982) (…) Na Los Angeles do ano de 2019, a polícia persegue androides construídos pela engenharia genética e usados como mão de obra escrava. Depois de um grupo de replicantes ter encetado um motim numa colônia instalada noutro planeta, sua presença fora declarada ilegal na Terra, sob pena de morte. Deckard (Harrison Ford), ex-caçador de andróides – blade runner, aquele que vive no fio da navalha, na gíria policial que dá nome ao filme – é chantageado pelo chefe de polícia para aceitar um caso difícil: replicantes da série mais recente – Nexus 6 – haviam sequestrado uma nave e descido em Los Angeles, onde tentaram invadir a Tyrell Corporation, fabricante de androides. (…) replicantes são orgânicos, obra não da engenharia mecânica mas da genética, de carne e osso ainda que produzidos artificialmente. Baleada por Deckard, a replicante Pris se esvai em sangue e convulsões do tipo elétrico. Somos levados a pensar em Erasmus Darwin, avô do naturalista famoso e autor de uma teoria segundo a qual a eletricidade é o conteúdo da vida, teoria que andou em voga na juventude de Mary Shelley [Nota da Replicante: e que é muito cara hoje também à turma que escreve o seriado Fringe]. É uma concepção espasmódica da morte que torna semelhantes os estertores de um ser humano como Kane, mecânico como Ash [N.R.: Alien, 1979], intermediário entre eles como Pris e os outros replicantes, como se houvesse uma atividade primitiva e puramente nervosa, compartilhada por essas formas de vida, recolhida e idêntica sob as conformações mais variadas.” – “O Fim do Futuro”, Otavio Frias Filho, em Seleção Natural, Ensaios de Cultura e Política.

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Não é nada, não é nada. Mas uma mente imaginativa sempre alcança um pouco do fantástico, mesmo que de forma esquiva, doentia, no mais banal dos incidentes. Foi uma bobagem apenas, graças à… Graça; ganhei pinos e placas metálicas. Ganhei qualquer coisa de máquina – pelo menos, de acordo com o médico, de agora em diante serei capaz de informar previamente sobre mudanças de temperatura em função desses metais que amalgamou à minha carne:

Tyrell Corp

Hoje, tempo bom no Rio de Janeiro. Ask my haute-couture foot.

E, curioso, os espasmos musculares involuntários que costumo ter dormindo – atribuídos sempre à falta de consumo de Potássio – agora se concentram justamente no pé da alta-costura, o que tem plaquinhas e pinos metálicos, levando-o a movimentos bruscos inesperadamente durante o sono. Só sei que não sou robot [N.R.: “corta as unhas e bota o lixo pra fora” – Cersibon] porque, por mais involuntário que sejam tais espamos, DÓEM PRA CACETA num pé recém-operado.

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blade runner

Deckard: She’s a replicant, isn’t she?
Tyrell: I’m impressed. How many questions does it usually take to spot them?
Deckard: I don’t get it, Tyrell.
Tyrell: How many questions?
Deckard: Twenty, thirty, cross-referenced.
Tyrell: It took more than a hundred for Rachael, didn’t it?
Deckard: [realizing Rachael believes she’s human] She doesn’t know.
Tyrell: She’s beginning to suspect, I think.
Deckard: Suspect? How can it not know what it is?