Quarta-feira, Janeiro 23, 2008

32 EM 23

Parece uma manhã fria de inverno em São Paulo mas é uma manhã fria de verão em São Paulo. E, por mais que tenhamos nos aplicado com dedicação à tarefa, nem bem terminamos de beber todas as cervejas que sobraram do Reveillon e já vai começar o carnaval.

Quando chegou nesta cidade pra ficar, há oito dias, Thiago encostou bolsas e mochilas ao lado de uma banca de jornais na rodoviária e automaticamente comprou a Folha de S. Paulo. Na capa, viu a chamada pra uma coluna: “Sou a primeira carioca a optar por férias em São Paulo”. Achou aquilo esquisito, pensou: “Não é só você, não”. Uma semana depois, eu mudava de um apartamento em Higienópolis para este aqui em Pinheiros. Toquei o interfone e quem abriu a porta para me ajudar com minha mega- mala foi o mesmo hiago. Levou uma semana pra me falar do texto que leu na Folha como uma espécie de sinal quando desembarcou, e descobrir que sua colega-de-sala (ele dorme no sofá vermelho, eu durmo no azul) era quem tinha deixado o sinal. Mais esquisito ainda: na viagem de carro descrita no texto estava seu amigo de infância, meu amigo desde 2003 (?)… que acabou hospedando nós dois aqui. Thiago mexe com números, eu não sei fazer equações básicas. Ele faz parte da trupe mais recente do Rio a se mudar de mala e cuia para SP, capital. Eu, por equanto, sou visita. Faz frio no verão.

São Paulo também pode ser um ovo. Me dei conta disso depois de ouvir (e duvidar) numa conversa de boteco que aqui também, como no Rio de Janeiro e nas novelas, as pessoas vivem esbarrando com quem querem e com quem não querem encontrar. Pra que isso aconteça, basta conhecer gente. Ao sair do bar e passar de carro pela praça Vilaboin, quase de madrugada, avistei na rua um amigo paulista que não via há meses. De todos os horários e lugares, ele estava onde eu estava na hora em que eu estava, e eu tive que ceder: SP também enrosca as pessoas em órbitas de coincidências improváveis.

escrito às 12:06 PM por giannetti

Terça-feira, Janeiro 15, 2008

COTIDIANO

A partir desta terça-feira, minha coluna passa a ser publicada no Cotidiano, da Folha de S. Paulo. Meus agradecimentos aos reis de Kingston Rafa Spoladore e Fred Leal; a Sereia e Fabs, HelenaN e Márvio por me darem aquela força com web, abrigo e/ou coração enquanto estou cigana. E ao Reinaldo Azevedo, pelos comentários finos.

Leia aqui trecho de Fuga para São Paulo:

CECILIA GIANNETTI

DESTA VEZ PEGUEI a estrada. Imagina se caía de novo na conversa do “tudo sob controle nos aeroportos”? Eu, hein… tédio, pão de queijo e cafezinho superfaturados nas salas de longa espera, filas estáticas para o check-in -nem pensar. Esse estresse eu não queria, não neste verão. Não nas minhas primeiras semiférias em pouco mais de dez anos de serviços prestados a… bom, aos mais variados ramos de serviços que se possam prestar lendo, escrevendo e sapateando.

Lamúrias em excesso numa frase comprida demais, tô ligada, mas precisava desovar tanta palavra que guardei nas seis ou sete horas de viagem de carro. No trajeto fiquei até tranqüilona, olhando vacas e fazendas, mascando (biscoitos) e emudecendo feito elas (sonho de gente tensa da cidade é ser quieto feito vaca ou fazenda). Depois disso, passaram por nós cidades minúsculas e um tanto esquecidas. Que sumiram conforme vieram na paisagem, até que a tripulação de nosso carro encontrasse São Paulo de uma vez por todas. Muito prazer, Cotidiano: segundo meus amigos do Rio, sou a primeira carioca a optar por férias em São Paulo (…)