Domingo, Outubro 28, 2007

SP

Abri “Malagueta, Perus e Bacanaço” numa página qualquer e:

Era um domingo.
Dia claro, intenso, desses dias de outubro. Um sol…
Desses dias de São Paulo, que ninguém precisa dizer que é domingo.
– João Antonio.

escrito às 6:04 PM por giannetti

FOTOS

Assim que reclamei do post que não conseguia apagar, ele desapareceu. Traquinagi.

Minha geek master e amiga exilada em São Paulo Helena Nacinovic tem fotos do meu lançamento em SP, clicadas por ela numa câmera poderosa. As minhas, feitas numa câmera indigente que eu amo, mas insisto em esquecer em todo lugar onde vou, foi novamente resgatada e acabou indo parar, por algum motivo, na redação da revista Trip. Hmmm.

escrito às 2:23 AM por giannetti

ALTERIDADE E AUTORIDADE

“Não sou eu quem descrevo.
Eu sou a tela.” – Pessoa.

escrito às 12:03 AM por giannetti

Sábado, Outubro 27, 2007

PROVAÇÕES

Um sábado com algumas delas, pra quem precisa sentar o rabo e escrever. Como o sol convidativo que apareceu lá fora pra enxugar a lama da chuvarada que – como é tradição há décadas – bota o Rio de Janeiro pra descer a ladeira (mais ainda). Eu sabia que ele ia sumir antes do fim da tarde; e sumiu. Menos uma provação. Mas uma sujeita que acaba de se mudar para o apartamento abaixo do meu decidiu que sábado era um bom dia para furar o teto e colocar persianas novas. A furadeira, sem dúvida, estava trabalhando bem embaixo da mesa onde fica meu computador. A sala inteira tremia. O barulho chegava a cobrir as vozes que sobem do bar da esquina, um feito e tanto.

O incômodo resistiu mais que o sol. Aparentemente furar o teto (meu chão) é tarefa demorada. E a mulher parecia se dedicar a ela com sadismo. Um dentista escavando um canal. Um canal abaixo dos meus pés. Meu apartamento deve ter agora um daqueles recortes redondos que se fazem em desenhos animados ou nos filmes do Inspetor Clouseau, e a qualquer momento o chão cederá sob este exato recorte. Escoarei pelo buraco com computador e tudo ao apartamento de baixo. Espero aterrissar sobre a cabeça da nova moradora do prédio.

Por outro lado, tentei apagar o post das fotos. Pensei melhor e decidi que o Flickr é o lugar apropriado para imagens de lançamentos etc. Mas não consegui apagá-lo. Nem no Firefox nem no Explorer. O post nem aparece entre os editáveis do Blogger.com. Botton line is: quero tirar as fotos do post abaixo e não tenho como. Porque o post abaixo, segundo me mostra a tela de edição do Blogger.com, não existe. Isso deve parecer fascinante para vocês, feito um episódio de Lost. Um mistério incrível, assim como as intenções da cocoroca do apartamento abaixo. Persianas… really?

escrito às 11:46 PM por giannetti

Quinta-feira, Outubro 18, 2007

LANÇAMENTO

Nesta quinta-feira, 18, lanço Lugares que não conheço, pessoas que nunca vi, às 20h, em São Paulo, na Mercearia São Pedro (ver convite abaixo). Meu desejo é que vá todo mundo. Mas se apenas a minha turma de São Paulo comparecer, fico feliz.

escrito às 3:05 AM por giannetti

Terça-feira, Outubro 16, 2007

LANÇAMENTO EM SÃO PAULO

escrito às 10:38 PM por giannetti

QUEM

Quem (a revista), me colocou lá em sua lista de “70 pessoas que amamos”. Tá em todos os salões de beleza do Catete ao Lebronx, pô. Até meu cabeleireiro hetero viu. E em semana de lançamento do livro. Perfeito. “Hype com conteúdo”, escola Will Self-made-man mais popular (se bem que ele participou até de seriado de TV).

escrito às 9:53 PM por giannetti

Sábado, Outubro 13, 2007

MODELO

Adivinhe:

1. Tom Waits
2. Mark Wahlberg
3. Meu primo

escrito às 1:55 PM por giannetti

DIA DAS CRIANÇAS

Tom Waits voltou cambaleando ao meu player arrastado por Daniel, auto-proclamado último judeu da Ilha do Governador (um inferno, não tem metrô), subúrbio que, a se levar em conta o depoimento desse primo de segundo grau, fica agora sem judeu algum: a partir de hoje, assim que Eliezer, seu pai, vier buscá-lo, Daniel volta a morar no Méier (um inferno, não tem metrô). Quando saiu nos jornais que a Ilha constava em segundo lugar na lista de zonas mais perigosas do Rio de Janeiro, a família a que ele pertenceu nos últimos 365 dias apenas perifericamente – Daniel viveu sozinho num barraco no bairro insulano do Zumbi desde os 12 anos. Ele agora tem 13 – convenceu-o a voltar para casa, na condição de que jamais tornassem a mencionar a questão que o levou a partir em primeiro lugar (a descoberta de que sua mãe consentira em fazer sexo, e não só isso, mas tendo tornado a fazê-lo meses antes de a irmã de Daniel, Natasha, nascer). Está esperando aqui em casa para fazer a transição, como um pit-stop de upgrade de subúrbios. Afinal, esses dias o Méier é considerado um pouco superior à Ilha.

Daniel ama Tom Waits. Durante o ano em que passou longe da família, bebeu Coca Zero com Bourbon traficado por uma tia que, recém-filiada aos Alcóolicos Anônimos, não sabia o que fazer com seu estoque particular; o objetivo de Daniel era ganhar a voz de Tom Waits. Os cigarros de palha Cowboy (aqueles com um cowboy na embalagem) vendidos pelo jornaleiro cego ajudaram. Daniel canta igualzinho ao Tom Waits, mas não sabe nenhuma letra inteira de cor. A bebida deve interferir na memória. O guri é nossa aposta pro Tim Festival de 2015.

Daniel até fez uma tatuagem igual a de Tom Waits. Com a ajuda de um amigo imaginário, um canivete e anestesia de uma garrafa da tia, desenhou o coração envolto em uma faixa na qual não está inscrito nome algum. É o seu jeito de se aproximar das garotas no colégio (Daniel não abandonou os estudos, apesar de não acreditar que a educação formal possa ajudá-lo a se tornar o sucessor oficial de Tom Waits). Ele fala com a voz rascante e arrastada de um interno da Febem: “Ei, seu nome aqui. Que tal?”. Ainda não beijou ninguém e seus dentes já estão apodrecendo.

A música preferida do filho mais novo do meu primo mais velho é justamente “You can´t unring a bell”. Ele me explica o significado da parte da letra de que se lembra – não por acaso o título da canção: “Quer dizer que merdas cagadas não voltam ao cu,” diz pausadamente, movendo um palito do canto esquerdo para o canto direito da boca. Tom Waits pode ser um gênio, mas Daniel sabe colocar as coisas de uma maneira menos empolada.

“Tia, a sua geladeira só tem cerveja. Onde estão os destilados?” “Eu não sou sua tia. Tecnicamente sou sua prima. E você foi adotado, ou seja, não faz sentido ter fugido pra Ilha do Governador pois sua mãe não fez sexo para ter você, ela só assinou uns papéis. Os destilados ficam embaixo da pia.”

Tenho jeito com criança. Vou enrolando.

“Baixa o Closing time e queima um CD pra mim.” Feito.

E ainda tem Tropa de Elite I, II e III (aquele com o BOPE esculachando na real) pra gente ver até Eliezer chegar.

escrito às 1:42 AM por giannetti

AUSTEN

“After long thought and much perplexity, to be very brief was all that she could determine on with any confidence of safety.”
— Northanger Abbey, Chapter 29

escrito às 1:15 AM por giannetti

Sexta-feira, Outubro 12, 2007

TAKE IT LIKE A MAN

“You can’t unring a bell” – Tom Waits. Beleza pura.

escrito às 8:18 PM por giannetti

Quinta-feira, Outubro 11, 2007

BERLIM

Continuo postando no meu blog do projeto Amores Expressos fotos de Berlim com a historinha do lugar em legenda, micos, mitos, anotações. Vou ver se deixo de preguiça e coloco aqui um link fixo para o outro blog.


Veja o que é.

escrito às 10:33 AM por giannetti

Quarta-feira, Outubro 10, 2007

OBI WAN KENOBI

Recebemos e-mail de leitor. Recebemos dois. Três. Por aí vai. Não temos no blog caixa de comentários, para evitar spam, piolho e outras endemias da selva. Tenho colado aqui as mensagens sobre o meu livro, como a de Paula F.

Se fosse resenha, não me convencia.

Resenhista não dança balé, como a Paula (fucei o Orkut da Paula. Paula dança balé). Resenhista lê de pé. No metrô. Ou no engarrafamento. Falando ao celular. Assim que funciona, acho. Trabalhei em jornal, deduzo daí.

Leitor… bem, leitor lê. Paula, diferentemente de outros leitores, diz ainda por cima ter me ouvido também. Vamos progredindo, então, para-psicologicamente, de carta de leitor em carta de leitor.

Qualquer dia vai me chegar um e-mail informando que alguém comprou o Lugares que não conheço, pessoas que nunca vi, e que, ao abri-lo, me materializei em holografia a sua frente.

“Help me, Obi Wan Kenabi, you´re my only hope”. Esse tipo de coisa.

(Tive um amigo que, toda vez que bebia e era solto na rua feito fera, ajoelhava-se frente à primeira caçambinha da Comlurb, dessas presas a poste, e pedia com urgência e humildade: “Help me, Obi Wan Kenobi, you´re my only hope”, como se ali enxergasse o Membro do Alto Conselho Jedi de Guerra nas estrelas.)

Cecília,

te vi a primeira vez na FLIP deste ano. Ri e me emocionei com as suas palavras no palco.
Te vi pela segunda vez ainda na flip, porém entre uma multidão..
estava sozinha e observando pessoas ou alguma coisa.
te vi pela terceira vez numa livraria. li mais de suas palavras e te comprei para presentear uma amiga. (quero deixar claro q fiquei em duvida entre vc e o nobel coetzee, mas fiquei com a 1ª opção pq gosto de lugares que não conheço e de pessoas que nunca vi, apesar de ter te visto já duas vezes até então).
te vi pela 4ª vez aqui nesse novo meio de comunicação.

posso te adicionar?

beijos da sua leitora de terças feiras – Paula F.

Te add.

escrito às 12:46 AM por giannetti

Terça-feira, Outubro 09, 2007

HIC ET ILLE

Um espelho não tem coração, mas tem muitas idéias. (Malcolm de Chazal).

“Todo ser humano carrega consigo, vida afora, um espelho exclusivamente seu e do qual será tão difícil livrar-se quanto de sua própria sombra.

Jogo de salão para uma tarde chuvosa: imaginar os espelhos de nossos amigos. O amigo A tem um enorme espelho de pendurar em parede com uma moldura dourada e barroca; o B, um pequeno e discreto espelho de bolso, dentro de um estojo de pelica, com as iniciais gravadas no verso; sempre que olhamos para o amigo C, este está prestes a jogar fora seu espelho, mas se olharmos para dentro de seu bolso, ou mesmo para o forro das mangas de seu paletó, encontraremos outro espelho, sobressalente.

A maioria, talvez a totalidade de nossos espelhos, distorce ou não faz jus a nossa imagem, embora isso se dê em graus e formas diferentes. Alguns aumentam, outros diminuem, outros refletem imagens lúgubres, cômicas, sarcásticas ou aterrorizantes.

Mas as propriedades de nossos espelhos não são tão importantes como às vezes julgamos. Seremos avaliados não pelo tipo de espelho que possuímos, mas pelo tipo de utilização que a ele damos por nossa, riposte ao nosso reflexo.” – w.h. auden, em “A mão do artista” [se me deixam citar sem brincadeiras. senão, passem ao post abaixo, em que brinco de citar.]

escrito às 12:12 AM por giannetti

Segunda-feira, Outubro 08, 2007

PANAMERICANA

Aparecem pela minha casa uns bloquinhos finos, de papel branco, pautado, marca: PanAmericana. A capa estampa meio termo entre vaca malhada e dálmata. Pequenos mesmo: 100×70. Milímetros. Irresistíveis, combinam com toda sorte de vício disfarçado sob o genérico termo “pesquisa”. Três livros que leio e deles anoto nos caderninhos minúsculos. A regra de utilização dos caderninhos é que cada entrada tenha no máximo cinco linhas. Se for algo muito excitante, é concedida à notação uma página INTEIRA de 100x70mm.

Minha caligrafia vem se amiudando com o treino nos caderninhos. Logo, só eu vou entender o que escrevo neles. Deve ser isso que xingam de obscurantismo infantil.

A “pesquisa” é toda codificada, como o diário de Annie Lister em inglês do século 21, o que teria sido mais difícil de decodificar caso meus bloquinhos fossem encontrados em fins de 1800 dentro das calças um tanto folgadas de Lady Lister ou sob a cama de uma de suas amantes, Marianne. Aquele marido de Marianne, vou te dizer. Um bovino (bovariano) sem testículos. Annie teria mais chance – e teve. Lister não foi a primeira sapata moderna, mas a primeira menine moderna a escrever. Há quilômetros de diferença, como Berlim insiste em evidenciar, entre as duas coisas. Um dos milestones que marcam essa distância é estabelecido pelo banheiro público. Pense, McFly.

Um(a) menine entra no banheiro público feminino. As mesmas características que podem fazer com que seja espancada no banheiro masculino podem levar com que seja expulsa do banheiro feminino pela maldade das mulheres que acham que se trata de um tipo de mulher cujo exterior não corresponde ao sexo com que nasceu. The “urinary segregation”, como descreve Lacan (now I´m just messing with ya. diga se apanhei-te, cavaco, e te direi quem és).

Dito isto, troco o diário por um romance inútil do Gore Vidal em que o fanfarrão Harold acusa o idealista Peter (esta vai pro meus bros reducionistas, yo):

– Diletante.

Delectare, deleitar. Os caderninhos. Cada nota no máximo cinco linhas.

escrito às 11:12 PM por giannetti

Domingo, Outubro 07, 2007

PEQUENO POST QUE VALE POR UM BIFINHO

Do Diário da Corte de Pisuerga: “Vou atacar a razão de novo, sabe, porque sou um tipo fascistóide e obscurantista. A razão é boazinha, coitada, muito trabalhadeira e tal, mas meio chocha. Se for madrugada e você vir um ou dois filmes de horror, cria um bom clima de medo na casa, e esse clima é, afinal, gostoso. Mas o que acontece se dois amigos se reunirem para ver uma maratona de filmes racionalistas de madrugada? Sei lá, documentários ateus da BBC, ou de mágicos desmascarando médiuns? Ao final desses filmes o que os amigos dizem um ao outro? “Ah, ficou um clima de racionalismo bem gostoso, né?” Isso não é vida. E que espécie de pessoas se contariam histórias de racionalismo em volta de uma fogueira?”.

escrito às 12:29 AM por giannetti

Sábado, Outubro 06, 2007

DE PESSOAS QUE NUNCA VI

[nem via internet, facebook, mIRC, sms, vídeo-conferência, telepatia. é bom assim também, que dá uma medida diferente de resenha.]

Olá Cecília,

acabei de ler seu livro e gostei tanto que escrevi um textinho recomendando a leitura para uns amigos. Mando para você ler (aí embaixo) porque imagino que se eu tivesse escrito um livro gostaria de receber as impressões das pessoas sobre ele. Aproveito também para pedir que, se possível, você me envie alguns contos seus, porque não consegui encontrar quase nada na internet. É possível me enviar os contos publicados nos livros indicados em seu blog?

Tenho um blog onde rascunho umas linhas de vez em quando, se você quiser olhar, www.razaoedelirio.blogspot.com. Meu post preferido é o mais antigo, lá no fim da página.

Um abraço,

Luciana.

Comentário sobre o livro:

Em meio a buscas de autores contemporâneos de nossa geração, tive a felicidade de cruzar com o livro de Cecília Gianetti, Lugares que não conheço, pessoas que nunca vi. É, foi feliz que fechei a contracapa do livro, feliz por ter vislumbrado beleza ali, não a beleza própria das coisas belas, mas aquela mais difícil de capturar porque emergente das camadas sujas de uma realidade brutal. No livro da Cecília, a violência urbana do Rio encontra uma expressão literária que eu sinceramente não acreditava possível, pois não é somente cenário para peripécias subjetivas, mas desempenha o papel ativo de tanto desencadear a narrativa, como de fornecer o material que deverá ser elaborado e decifrado pela mente da protagonista. O testemunho de uma cena de violência brutal detona um processo de desconstrução e reconstrução da identidade da personagem. A quase dissolução do eu em imagens tecidas em raios de lembranças e alucinações abrirá também um caminho de libertação. Nesse contexto, a tessitura do livro tem a consistência própria à memória e ao delírio, os quais impõe duplamente um caráter fragmentário à sua estrutura, o que não suprime, por outro lado, uma narrativa sutil que é sugerida aqui e ali.

Os conteúdos alucinatórios parecem ser a única resposta coerente à realidade social (pelo menos, de um ponto de vista de classe média, que é afirmado logo de partido no livro), sendo uma tentativa de organizar e conferir sentido à sua irracionalidade. Nesse esforço, competem em irrealidade com o mundo externo mesmo, conduzindo à dúvida do que é mais absurdo, se os delírios ou a sociedade.

A memória, por sua vez, abre múltiplas temporalidades no narrado. A maior parte do livro é construído como um diário do processo de desintegração do eu da personagem após o testemunho da cena de violência e isso já constitui uma forma de rememorar – e, portanto, de deformar e selecionar –, mesmo que um passado próximo. Naquele processo, como uma segunda camada de memória, lembranças distorcidas vão fornecendo pontos de referência para recompor um passado que muitas vezes a protagonista quer negar voluntariamente.

Fechar o livro da Cecília numa caixinha de poucas linhas é injusto, mas foi minha tentativa de despertar em vocês um pouquinho de vontade de compartilhar essa leitura comigo (posso emprestar o livro para quem pedir primeiro). Segue um trechinho para sentirem o ritmo da toada:

Coloco o homem porta afora. Bêbado, vai fácil. Giro a chave três vezes e fecho ainda outro trinco acima da fechadura. O homem vacila, escuto seu corpo bater contra a madeira da porta, soando magro e disforme. Dou as costas àquela aporrinhação, leve, estou livre de alguém que não reconheço mais, indiferente à dor fanfarrona do sujeito. É como se pela primeira vez eu me desse conta de mim mesma, leve, ainda que ignore informações básicas que – é possível perceber pela maneira como meus amigos me olham quando me fazem perguntas – eu deveria, por algum motivo, reter. Além de seus nomes e profissões, algumas outras informações como: a importância, na minha história, do homem que uiva do lado de fora. Subo as escadas do duplex até o quarto, adivinhando que agora ele gasta com ninguém a cara de cachorro perdido, bufando na calçada deserta a aporrinhação que me desbotaria o sangue, caso eu me deixasse abater.

***

Cecilia,

vi teu livro hoje em uma livraria…e não pude deixar de me emocionar um pouco com essa força da literatura. é como dizia o Whitman… peguei no teu livro e era como se estivesse bem proximo desse teu olhar meio triste e meio doce… sou até capaz de adivinhar alguma selvagem ternura dentro desses olhos…mas o livro foi mais forte e me pegou…fiquei meia hora em pé lendo… vou juntar uma rana para comprar o meu ainda nesta semana. só senti isso…a necessidade quase física de ter uma coisa ..quando saiu opor aqui o primeiros discos dos Smiths e do Pixies….ah e quando comprei a caixa do Salinger. Quero te entrevistar lá para o meu confuso e abstrato teatrofantasma… Posso enviar as questões?

MARCELO.

***

Cecilia
Vou encomendar o teu livro em várias livrarias, assim eles terão no estoque…( E é claro indicar para vários amigos…) O título me atingiu em cheio…

MARCELO.

escrito às 12:38 PM por giannetti

Quarta-feira, Outubro 03, 2007

SOBRE PESSOAS E MONSTROS

De Galvão, Vida Besta.

escrito às 4:02 PM por giannetti

Terça-feira, Outubro 02, 2007

UM BLOGUEIRO COM A CABEÇA NO LUGAR

Da minha coluna na Folha desta terça:

SE A blogosfera fosse um balneário ensolarado, eu chamaria esse cara pra tomar um chope. E se o jornalista e blogueiro Hossein Derakhshan (aka Hoder) tivesse permanecido em Teerã, onde nasceu, estaria preso ou já teria, literalmente, perdido a cabeça.

Hoder tinha 27 anos e uma coluna diária sobre cultura e internet no jornal “Asr-e Azadegan” (algo como “Tempo dos Livres”), quando, em 2000, o aiatolá Khamenei mandou fechar essa e outras 16 publicações, incluindo o “Jameah” (“Sociedade”), primeiro jornal reformista iraniano. Pego de surpresa, como centenas de colegas jornalistas que ficaram desempregados da noite para o dia, mudou-se para Toronto, no Canadá. (…)

escrito às 10:37 AM por giannetti

pois é, brasil

escrito às 10:35 AM por giannetti

Segunda-feira, Outubro 01, 2007

SÚBITO BARRA ÓBITO

meu amor perdeu
os dentes da frente
não pode mais assobiar
seu próprio uivo

meu amor perdeu
todos os dentes
não pode mastigar os cacos
de vidro da dor.

da bruna beber.

escrito às 5:25 PM por giannetti