Terça-feira, Julho 31, 2007

KARAOKE LIBERDADE


Reinaldo Moraes, Antonia Pellegrino, eu

escrito às 10:39 PM por giannetti

ENGRAÇADINHA


com jaguar

escrito às 4:32 PM por giannetti

FOLHA DE S. PAULO

[minha coluna de hoje na Fôia]:

“Sem salvação social”

A EXEMPLO do Lula, também fugi da festa de encerramento do Pan. Não por medo de ser vaiada pela multidão. Mas, por conta de conversas telefônicas recentes, ocorridas na hora-que-apavora (entre 4h e 5h da madrugada, limbo dos corações afogados em vinho tinto), acredito que eu poderia receber, de diferentes pontos da arquibancada do Maracanã, manifestações de reprovação em vibrantes faixas. “Interurbano, não!” é um dos slogans que enxergo erguidos para mim no estádio, com impressionante nitidez, em devaneios que um resto de prudência me impede de detalhar aqui.

Para aqueles que se consideram indivíduos sem qualquer possibilidade de salvação social, “gadgets” e softwares para comunicação imediata são apenas mais uma vitrine para a nossa inadequação. Tenho feito mal uso de todos, em especial do celular. E-mail, MSN, SMS, Google Talk e scraps também nos ameaçam o naco de dignidade que sustentamos diariamente como um prato na ponta de um graveto. Naco este que induz nos amigos a ilusão de que nos poderão ensinar truques para vivermos em comunidade sem que nossa presença os lembre constantemente de Peter Sellers, Jerry Lewis ou Didi Mocó.

Fortes palavras para nós, que não temos salvação social. Mas o primeiro passo é admitir que temos um problema. O segundo é reconhecermos certas diferenças: um governante (Itamar Franco) deixar-se fotografar ao lado de uma mulher sem calcinha é um erro. Uma cortina finíssima que pega fogo num restaurante graças a um cigarro de que meus dedos se distraem, isso é não ter salvação social. Um assessor do presidente fazer “top top” em meio a uma tragédia enfrentada pelo país é falta de respeito, de sangue nas veias e de inteligência. Perder as calças em um aeroporto de Paris (as que nos vestiam) exige raro talento.

Quando Peter Sellers faz sua entrada inglória na festa de “Um Convidado Bem Trapalhão” (dá para encontrar no YouTube em busca por “the white shoe in the party”), deixando cair numa fonte um de seus sapatos, antes que consiga atravessar a ponte sobre a água até a sala onde estão os outros convidados, é reconhecível na seqüência o cúmulo do padrão que domina o cotidiano de nossa gente. Tal talento, aplicado a diálogos telefônicos noturnos, engendra confissões que fazem o prato desabar do graveto em que precariamente o mantínhamos girando. Palhaços sem a graça de uma bela trapezista, pedimos desculpas ao respeitável público e sumimos de cena num Fusca que tem margaridas tapando o escapamento, certos de que um passeio conosco é menos atraente do que se pendurar com a trapezista no poleiro.

Mas o que você realmente quer saber, após esse preâmbulo sentimentalóide, é como perdi as calças (as que eu vestia) no aeroporto de Paris. Posso te ligar entre 4h e 5h da madrugada e contar a história. “Não é bonita, mas me faz rir”, é o que dizem.

escrito às 4:14 PM por giannetti

Quarta-feira, Julho 18, 2007

OFICINA DO JOSÉ CASTELLO

Começa hoje, no Portal Literal, a oficina de contos do escritor, crítico literário e jornalista José Castello. Da primeira aula:

“(…) cada escritor é, sempre, um escritor diferente. O que o define e legitima é a voz inconfundível. Uma página de Guimarães Rosa, ou de Clarice Lispector, ou de José Saramago, lançada ao vento, será sempre inconfundível. Ou o escritor busca essa marca, ou não merece ser chamado de escritor.”

E o exercício que ele propôs é curioso. Escrever um conto sobre a praia de Copacabana. Com uma lista de cem (100) palavras “proibidas”, que não podem ser usadas no texto, entre elas Copacabana, praia, peitos e tudo o mais que se possa associar à praia de Copacabana ou qualquer praia. Danado, o Castello.

escrito às 4:27 PM por giannetti

Terça-feira, Julho 17, 2007

FOLHA DE S. PAULO

Trecho da minha coluna de hoje.

Feliz escalada do subúrbio

A VERDADE que os velhos cantam desde sempre é que Copacabana acabou, ai de ti etc., mas o que nela acusavam de fim dos tempos era só o início de um processo. Era uma vez um bairro, que explodiu para renascer cidade dentro de uma cidade. Existe à parte há décadas, concentrando o pior e o melhor do Rio.

Quando morei lá, sabia como funcionava em todos os horários: do dia da feira à madrugada dos carros que passam de faróis baixos, à procura. Continuará assim, tema de novela, líquida e falsa, extrema e sublime, gosmenta e ardorosa, decaída, onde aprendi esses e outros adjetivos que conheço e não aplico a mais nada senão pra descrever um pouco de Copacabana. Hoje, cheia de tendas armadas para o Pan. Ai do Pan.

Ipanema e Leblon têm mesas de bar melhor dispostas, mais limpas. É a impressão que fica da displicência estudada de seus assépticos botequins, que se desdobram em franquias onde passa o tempo mais lento de todos os tempos.

Quase consultórios médicos, se comparados a verdadeiros pés-sujos de outros cantos. São bairros sem bares imundos. Talvez tenha sobrado de pé um único entre Ipanema e Leblon, freqüentado por quase ninguém. Mas é secreto. Não o encontro sozinha, sem os amigos de antigamente.

escrito às 1:17 PM por giannetti

DEDICIDA, ATÉ MESMO RACIONAL

Pensem nessa cara, com o crachazinho embaixo.

escrito às 12:19 PM por giannetti

STAND-UP COMEDY

“Cecilia é romancista carioca.Tem uma cara decidida, até mesmo racional. Nada que possa revelar seu passado como roqueira. Mutila-se ao contrário. (…) Seu livro Lugares que não conheço, Pessoas que nunca vi, é muito pirado, mas com um enorme rigor literário. Faz tempo que não via de perto gente tão interessante.” – Comentário de Jorge de Cunha Lima.

Pirada, com rigor literário, é tudo o que eu sempre quis ser, desde os 7 anos de idade, quando pedi a minha mãe: “Mãe, se dentro de duas décadas eu não tiver atingido meu objetivo de escrever num estilo pirado, com rigor literário, dê-me cicuta”.

Ter uma cara racional também não vai mal. Embora pudesse parecer redundante, eu gostaria de produzir um crachá com a descrição que o Jorge fez de mim e andaria com ele por aí. As pessoas leriam a descrição no crachá e então associariam imediatamente à cara acima dele: “Então essa cara aí é uma cara decidida e racional. Hmmm.” Melhor do que deixar os outros decidirem por si mesmos que cara estão vendo, não acham?

p.s.: Na verdade, aos 7 anos de idade, o que aconteceu foi que perguntei a minha mãe se éramos pobres. Ela respondeu que não chegávamos à classe média. E deu um sorrisinho maroto.

escrito às 12:13 PM por giannetti

Domingo, Julho 15, 2007

AMIGOS, LIVROS

Meu primeiro livro está pronto. O nome é Lugares que não conheço, pessoas que nunca vi (Agir). Os amigos do Rio de Janeiro já o viram semana passada: me procuraram pra ouvir as fofocas da Flip – participei na primeira mesa -, coisa que não tem graça nem cabimento contar via MSN nem telefone a um amigo. As coisas que acontecem na Flip são sempre histórias de muito impacto e ação, quase um filme de Jackie Chan. E MSN e telefone servem pra matar saudade de quem está noutra cidade; com quem está por perto – e me é próximo – o negócio é relato ao vivo e a cores, com direito a re-encenamento dos principais eventos, com onomatopéias. Também não tem graça fugir rapidinho do trabalho pra almoçar e de lambuja ouvir, entre garfadas, um resumo da ópera literária da Flip. Ou da importância que tem esse livro pra mim.

Queriam matar saudades, falar pelos cotovelos e beber, à noite e sem pressa de ir embora. Encontros assim são hábito de amigos, programa semanal. Mas desta vez eles tinham um interesse escuso: queriam cheirar o livro, perversão que se tem com títulos recém-saídos da gráfica. Certo, vocês não fazem assim com os livros. Somos nós os pervertidos.

Conto isso aqui pra todo mundo porque foi uma felicidade sem tamanho. Quero que extrapole a mesa do boteco onde contei pros amigos. Estranhei tudo, tinha ido pra Paraty arredia, achando que ia engolir as palavras na hora de falar. Mas depois do meu stand-up comedy na Tenda dos Autores, ganhei até um bilhete cor-de-rosa do Marçal Aquino. E um da Ane Aguirre. Gente que não conheço comprou meu livro por lá. Minha cara de surpresa. Não sabia que isso acontecia. Assim, logo de cara. Gente que não conheço. Me abraçaram na rua. Escritor, quando o soltam da jaula na rua, é batata, vai se deixando agarrar.

Os amigos que recentemente fugiram do Rio para São Paulo só verão o livro quando for lançado no comecinho de agosto. Quero fazer um lançamento em São Paulo, mas primeiro o do Rio tem que encher de gente. Conto com vocês. Aviso por aqui quando souber a data.

escrito às 10:45 PM por giannetti