Domingo, Julho 30, 2006

BLACKOUT

E a internet em muitas areas nao funciona. Ninguem explica a razao. Isso colabora com o estilo telegrafico, estou num cybercafe. E aproveito pra colar da Bruna:

há 22 sou ninada pelo disco

arranhado

do ventilador de teto.

[Num abandonei nao, eh o blackout.]

escrito às 5:10 PM por giannetti

Quarta-feira, Julho 26, 2006

ENQUANTO ISSO, NA YMCA DE CHINATOWN

I ja kljanus obostzav dva paltza
Schto muzika poshla ot Zvukov Mu
Fioletta, vaja dama ti moja
Eh podayte nam karetu, votetu, i mi poedem kebenjam

escrito às 11:59 AM por giannetti

Sábado, Julho 22, 2006

A MELANCOLIA DOS TROPICOS. A INACESSIVEL ARTE DA ACENTUACAO NO TECLADO MAC. AS MACAS PODRES DA NOVA SAFRA DE STEVE JOBS. HIPSTERISMO E A DITADURA DA PROTECAO AO LEITOR MINHOCO-DA-TERRA QUE NAO VAI COMPREENDER O ARTIGO SE O TEXTO TIVER UMA BOSSINHA

A reporter estah acesa e estah triiiiiiste, estah sem acentuacao [isto eh um trabalho de ficcao, mas eh verdade que a reporter nao pode acentuar suas frases com este teclado.] *

Eh mais como um certo desapontamento previsto, do tipo que pequenas mulheres que curiosamente ainda conservam um dente-de-leite mas jah tem peitinhos estao prestes a comecar a conhecer. Da proxima vez – pensam -, ah, siiiiim, da proxima saberei: soh acredito em edicao que se quer “a supposedly fun thing i’ll never do again” se alguns senhores obscuros que conheco ganharem na loto e decidirem pratica-la.

A reporter estah regredindo a um estado pueril do ser – que eh a essencia desta cultura daqui -, similar a quando ainda usava saias menores que um babador e botas de cano longo e tinha os dentes muito mais brancos. Porem nao pode utilizar os recursos de linguagem que tao melhor explicariam-sem-explicar do que se trata a experiencia.

A mocinha combina com a minissaia que regressou como um milagre do fundo dos anos 70, quando ela nao era nem uma pre-teen [uma pretinha]. Ela vai subir uma escadaria com degraus de vidro transparente.

“Dah um nervosinho ler o David Foster Wallace”, divaga, “e ver que, mesmo o livro sendo jah antigo, a mensagem nao chegou.”

Avanca mais alguns degraus.

“Existe a moda do Hunter Thompson, a teoria do Gay Talese, a fantasia de imersao despertada pela leitura de Joseph Mitchell. Mas, na hora do vamo-ver, eh a realidade da Amelia e a receita de bolo.”

Uma voz cutuca, incomoda:

“A revista Realidade… terah existido, de fato?”

Hoje em dia a reporter duvida ateh dos milagres que estudou.

A voz decreta:

“A gente quer que voce escreva um diario, mas que evite nele a todo custo o uso da primeira pessoa do singular. O texto deve transmitir as nuances culturais entre o estrangeiro e a terra invadida. Mas nao deve falar sobre a predominante cultura local – o hipsterismo abusivo. Nao pode empregar expressoes por lah corriqueiras, dessas que comecam a tomar um espaco na sua cabeca em que antes habitavam equivalentes da lingua portuguesa, e que o fazem – essa pilhagem de memorias – de uma maneira que voce nao esperava [embora fosse algo previsivel pelo que jah havia testemunhado no discurso truncadim de amigos que nao via hah alguns anos] e que isso eh dificil de ser evitado e por essa razao mesmo essas expressoes – que cortaremos da materia – sao um sinal perturbador e um tanto vergonhoso de que voce pode estar perdendo a sua primeira lingua, a lingua do pais onde voce nasceu. Ok?”

“Tah de brinqs?”, perguntariam os safos.

A reporter vai ter que sambar pros gringos do lugar ficticio de seu nascimento. Mas estah feliz por ter se livrado dos grilhoes da redaSSaum. Jornalismo, aih, no fundo, no fundo, se der mole, acaba saindo sempre quadrado mesmo.

Ela pega outra vez o livrinho do David Foster Wallace e o abre na pagina 267. Originalmente eh uma reportagem para uma revista. Ficou tao bom – tao cheio de curvas – que entrou num livro. Ah.

“I am now 33 years old, and it feels like much time has passed and is passing faster and faster every day. Day to day I have to make all sorts of choices about what is good and important and fun, and then I have to live with the forfeiture of all the other options those choices foreclose.”

Isto estah no meio de uma materia escrita por ele sob encomenda a revista Harper’s. [Nao confundir com Harper’s Bazaar. Foi o que fudeu com a equipe do navio que o levou em um cruzeiro]. E estah lah por algum motivo – faz a materia melhor. Bom, isso fica claro se voce ler a materia. Ou se confiar na opiniao da reporter.

A reporter se sente como Martha Stewart, sabe, quando ela foi em cana e perdeu o espaco em sua propria revista. Mas diferente, porque a reporter nao tem um conglomerado editorial. Tem insights – Burp, um anglicismo – de dentro da cela, abracada ao seu laptop conectado em wi-fi, sem poder publicar suas dicas sobre cortinas drapeadas.

A melhor coisa eh que a reporter desistiu de ser reporter. Vai macaquear, o que nao couber na materia ela coloca noutro livro.

*[Realmente me incomoda a falta desses caracteres de acentuacao mas este computador nao eh meu. Tive que devolver o terceiro MacBook que recebi da Apple porque essas maquinas nao funcionam. Se voce estah pensando em comprar um MacBook porque acredita que ele serah melhor, mais rapido e – este foi o argumento que usei para convencer a mim mesma de que valia a pena investir todo o meu dinheiro naquilo – nao vai dar problemas tao cedo e voce vai poder escrever sem aporrinhacao, pfffff. Em 15 de junho comprei diretamente da AppleStore um MacBook novo. No mesmo dia compreendemos, ao liga-lo em casa, que aquela coisa tinha tanta afinidade com a internet e ferramentas de interatividade quanto um cadarco de sapato. No dia seguinte, voltei a loja com a maquina, que foi examinada e considerada defeituosa. Me deram um novo MacBook, o segundo. Em casa, consegui me conectar com a internet usando o MacBook; porem, ele nao estava conectado a sua essencia de MacBook – queria ser um refrigerador velho e fazia um barulho de acordo com esse desejo: Brrrrrr. Brrrrrr. Brrrrrrrr. No entanto, esquentava como um forninho. Coisa desagradavel de se colocar no colo. Para completar, resistia bravamente aos updates necessarios de softwares da propria Apple. Retornando a AppleStore no mesmo dia, os Geniuses (uns caras tatuados, com cabelos cheios de gel e/ou embaralhados como se tivessem acabado de pular da cama onde passaram a noite com duas supermodelos suecas bissexuais mas na verdade dormem cheirando a sola do pe de um roomate no mesmo colchonete num loft adaptado que costumava ser o vestiario de uma fabrica desativada, e eles usam umas camisetas em que se le isso, assim, na frente: “Genius”) analisaram a segunda maquina e a consideraram defeituosa. Me deram, entao, o terceiro MacBook. Com o qual fiquei, aos trancos e barrancos, ateh esta semana, quando ele morreu pela segunda vez e decidi ir a AppleStore exigir meu dinheiro de volta. “O servico de Atendimento ao Consumidor de voces me disse que eh uma excessao na historia da Apple fornecer ao consumidor tres Macs fudidos um atras do outro. Entao quero que a Apple abra para mim tambem a excessao de me devolver o dinheiro da compra fora do prazo de devolucao – que vence 15 dias apos a compra – e aceitar de volta esta maquina, que soh trabalha quando quer”. Depois de debater durante tres horas com dois Geniuses, consegui me livrar daquela sucata superfaturada e superfetichizada. Foi desta maneira que fiquei temporariamente sem computador proprio e sem acentuacao. Vou comprar um Bill Gates usado mesmo e me dar por satisfeita. Bill Gates pode ser capaz de truques sujos, mas ao menos ele nao criou uma loja toda de vidro. A pior coisa eh subir de saia uma escada transparente cheia de Geniuses embaixo, que assistem com ar superior a bunda exposta da clientela insatisfeita flutuar ateh a 5a. Avenida. Eh tudo muito humilhante.]

escrito às 2:04 AM por giannetti

Domingo, Julho 09, 2006

DOGS BARK

Pra retomar o hábito sem susto, pingando, antes que eu perca mais palavras. Um monte de livros acharam na rua uma estrangeira que começou a lê-los com o dicionário aberto no colo. Muito romântico nos jardins públicos.

Cuidado com o patrão. Mais não digo agora. Tenho enviado e-mails loooongos, que só ele lê. Se é que ele lê.

Ouvir muito, teclar picado.

Hoje trabalhei costurando livros numa editora pequena, que funciona no segundo andar de um armazém num fim de mundo. Eles costuram porque os livros são muito finos.

Achei numa pilha de edições com defeito as palavras certas:

[de Anja Mutic]

I am (…)
Trilingual mess
(It was Spanish that really did me in)
(…)
A deserter,
Not an exile.
I chose to leave.

(…)

A little jewish blood thrown in,
Hidden,
Faded over generations.

(…)

So I ran away.

From amnesia,
Rewritten history books,
Ethnically cleansed,
Literary canon,
Redrawn maps,
New street names
And a language
I could not anymore speak.

In the last census,
I was a cosmopolitan
By ethnicity
And agnostic by religion,
And immediately thrown
Into a rubbish bin.
Or –
“Not phisically present at the time of
census; in diaspora.”

escrito às 1:26 AM por giannetti