27.10.05

DEZ MANEIRAS DE FUDER UMA CONVERSA

“Não encosta aí. Nem aí. É que eu decidi apagar todas as minhas tatuagens e as bolhas estão estourando.”

“Eu tava vendo Amor estranho amor no sábado enquanto meu irmão não chegava com as drogas…”

“Não posso ir no teu aniversário. Saio do trabalho e vou direto pra casa terminar uns frilas… tenho feito isso há uns três meses.”

“Fala a verdade: essa coisa de fotógrafo de moda é onda. No dia a dia tu só curte gente feia.”

“Nunca li quadrinho. Meu negócio é Foucault”.

“Minha cor preferida é verde. Ô, verde. Puta que o pario, como eu gosto de verde.”

“Estou deprimido. Quer conversar?”

[não deu pra completar dez. assim até os motivos fogem.]

escrito às 10:34 PM por giannetti

23.10.05

Rugas na tua cara de moleque

“Regardeá ma non tocá”. – c.b. gonzalez.

Se os vestígios de todos os trabalhos que preciso terminar esta semana não estivessem na minha frente, em cima da mesa, ainda assim eu teria noção exata do que é cada um e seus prazos, pelo peso que têm na minha consciência. São dois cadernos cheios de anotações, entrevistas e endereços de sites para duas matérias sobre assuntos diferentes; tenho folhas soltas nas cores verde e branca cheias da mesma coisa, para um terceiro trabalho; tenho na agenda uma seqüência especialmente ininteligível dos meus garranchos – traduzidos, significarão minha conversa por telefone com um escritor novo tão bom que foi muito mais difícil pra mim entrevistá-lo que ao Saramago.

Platão, o rei dos boçais. MIA, a Ivete Sangalo dos mudernos. Eu coração rugas precoces e cara de virado. Eu disse virado.

Todas as coisas à minha frente são negociações com o tempo que eu faço. Pagas as dívidas com as instituições, falta quitar a maior delas, comigo. Não tenho credor mais feroz.

“Vai te fazer bem”, um Fucs me diz, como se a liberdade fosse um remédio fitoterápico. Mas ele tem razão.

Por que eu associo nomadismo e liberdade? Não sei.

Nos últimos três anos, mudei de casa cinco vezes. Cinco vezes. É pouco, cada casa perto demais da outra. Eu imagino que o mundo seja maior.

A bagunça em cima da mesa é melhor organizada na minha cabeça: datas de entrega dos trabalhos, renda e para onde vai cada centavo. Tenho uma relação platônica – no sentido ocidentalizado pós-moderno da coisa, como queira, seu filho-da-puta – com o fruto dos meus trabalhos: nunca chego a tocá-los. Estão sempre fugindo, indo parar nas mãos erradas, deixando-se enfiar nas cavidades das calças dos outros. Meus livros, não, neles eu passo a mão, eu pego quando quero e ainda fico feliz quando outras pessoas os levam pra casa. Livros são outro tipo de produto do esforço do escritor. Não são feitos pra pagar contas, embora alguns desvirtuem e rendam a um autor ou outro um caramingüá a mais de vez em quando. Não tenham medo de ler sobre dinheiro. Ele é a questão principal do mundo e a mais desimportante do mundo; gastar os músculos dos antebraços tratando dela. Cabeça.

Sonhos têm efeito lento homeopático – às vezes placebo – mas experimente ficar sem. O que é contraditório, claro.

escrito às 7:07 PM por giannetti

20.10.05

JUDITH

Tem conto meu no Fórum de Literatura do PACC. [deixei passar dois errinhos bestas, um logo no segundo parágrafo – correto seria “Mas não foi embora” – e lá pro final, uma frase com digitação truncada que até tem seu charme pós-mudernoso].

escrito às 9:11 PM por giannetti

15.10.05

escrito às 12:05 PM por giannetti

FRA(N)QUEZA

Batizei um quadro de Mariana Rebelo, que agora ou descansa numa galeria em Portugal ou foi comprado por uma quantia obscena que deixou rica a artista.

From: Cecilia Giannetti Mailed-By: gmail.com
Reply-To: Cecilia Giannetti
To: —————- @netcabo.pt
Date: Jul 21, 2005 12:35 PM
Subject: Re: QUADRO MARIANA REBELO

Mariana,
quando falamos com um animal pela primeira vez, é bom estender-lhe vagarosamente ao menos uma das mãos viradas para cima, próxima ao focinho, para que ele saiba que a intenção não é o ataque. Um gato ou um cachorro, por exemplo, fica mais à vontade quando pode nos cheirar a palma da mão ao primeiro contato e verificar que não escondemos nada que possa lhe machucar.

Por outro lado, quando temos o primeiro contato com gente, não é raro escondermos o que temos nas mãos. (Ou na manga. Ou na mente).

O quadro me parece chamar-se “Fra[n]queza” porque as mãos oferecem ao nosso escrutínio o que possuem. O escorpião exposto é uma fraqueza, não uma arma; é uma chaga: “são estas as possibilidades que guardo – honestamente”. Essa franqueza é humilde, é um baixar de armas apaixonado? E muito bonito. Será que você concorda?

escrito às 11:54 AM por giannetti

13.10.05

HOJE

Vou falar sobre escrevescreve no Castelinho do Flamengo às 18h30. Na carência de boteco e papo furado em que me encontro nos últimos três meses, é possível que fale muito. Seria bom ter por lá quem me interrompesse de quando em quando o monólogo e o transformasse em conversa.

escrito às 9:15 AM por giannetti

escrito às 9:15 AM por giannetti

12.10.05

e.e. cummings

i like my body when it is with your
body. It is so quite new a thing.
muscles better and nerves more.
i like your body. i like what it does,
i like its hows. i like to feel the spine
of your body and its bones, and the trembling
-firm-smooth ness and which i will
again and again and again
kiss, i like kissing this and that of you,
i like, slowly stroking the, shocking fuzz
of your electric fur, and what-is-it comes
over parting flesh . . . . and eyes big love-crumbs,

and possibly i like the thrill

of under me you so quite new

escrito às 9:29 AM por giannetti

11.10.05

E-PISTOLAR

Você se considera uma jornalista gonzo?

[entrevista pra TCC da USP]

Qualquer repórter que trabalhe numa redação convencional hoje e tenha vergonha na cara só pode dizer que é gonzo se estiver de porre, de sacanagem ou delirando de sífilis. O jornalismo gonzo é uma radicalização de um estilo de jornalismo que surgiu no começo do século passado e até hoje ainda é considerado ousado: o jornalismo literário. Imagine o gonzo? Não é só abusado. É comercialmente inviável, principalmente no Brasil.

O Veríssimo, da Trip, não faz gonzo; ele sabe – e brinca com isso – que faz bonzo. Eu não fiz gonzo; fiz algumas matérias que eu acho bacanas porque pude escrever do jeito que queria, porque misturei o que eu realmente pensava sobre o que estava acontecendo à minha volta, porque foram escritas na primeira pessoa – como na matéria em que eu entrei de penetra nos ensaios de uma gravação do Jorge Ben e contei duas histórias, na verdade: a minha, de penetra, e a do que rolava entre Jorge e os músicos, o som, os técnicos, etc – mas isso não era gonzo. É descaralhado mas não posso dizer que é gonzo.

Más notícias: não existe jornalismo gonzo fora de Hunter Tompson.

Boas notícias: o que é viável a partir do gonzo é justamente o que podemos fazer depois de conhecer os textos dele e ficar com vontade de escrever diferente. É essa vontade que tem que virar texto vivo, com personagens e cenários vivos, com ritmo. O que a gente DEVE fazer com jornalismo gonzo não é tentar reproduzir cacoetes de Hunter Thompson mas escrever diferente mesmo, diferente da fôrma de bolo que ensinam na faculdade, que perpetuam nas redações. Não ser regurgitador de release, não depender exclusivamente das assessorias de imprensa, ir mais pra rua, sair, ver a cidade onde mora, procurar o assunto na rua, entre desconhecidos e até entre as pessoas que conhece, entre os amigos.

Notícias melhores: se você observar o fenômeno dos blogs de guerra, dos blogs de judeus e palestinos relatando a merda que vivem lá, o User Generated Content – tendência encampada pela BBC, de utilizar material como fotos e matérias feitos por não-jornalistas, não-repórteres, gente que estava nas ruas e no local no momento de cada acontecimento importante -, o citizen journalism… isso tudo é uma “mutação” que tem a ver com o gonzo. E, nesse sentido, o estilo está mais vivo e disseminado que nunca. Apenas não é o gonzo, nada nunca vai ser, só os textos do Hunter. É uma possiblidade com a qual eu acho que Hunter Thompson teve muito a ver, abriu caminhos pra ela.

Não importa quais limitações te coloquem numa redação (e eles sempre colocam muitas). Não se acomode, não se faça de besta. Não dá pra escrever matéria em primeira pessoa nem no jornal mais metido a moderninho que houver no Brasil mas escrever reportagem em primeira pessoa também não quer dizer porra nenhuma, não quer dizer que seja genial. O leitor quer sim – precisa, exige, porque nada mais nos jornais e revistas interessa, tudo é monótono – ele procura textos diferentes. Mas não basta emular uma coisa que foi vanguarda na década de 60. Não adianta.

Alguns textos do Lester Bangs eram quase gonzo (mas ele era mais voltado pra música e isso carregava também coisas muito pessoais do cara pra cada texto, então também não podiam ser qualificados de estritamente gonzo).

Na atualidade, existem jornalistas gonzo em atividade? Quem são e onde estão?

A coisa mais perto disso que eu já vi é o Xico Sá. Mas ele é um gênio com personalidade e background todo e somente dele. (Vide a última Trip). Excelente escritor. Mas não digo que fulano é gonzo a sério, prum cara sério é que nem xingar a mãe. E não porque o diminua: é que é uma coisa que não existe. Xico também gosta do Hunter mas tem seus encantos particulares, digamos assim. Personalidade. Tem “pechêra”.

Quem Foi Hunter Thompson para você?

Um encosto do bem.

Onde está a principal característica que diferencia o Gonzo Journalism do New Journalism?

Anexei a monografia ao e-mail, é um trabalho que eu quero continuar e que tá sem revisão mas fala disso também:

O interesse pela literatura e sua imersão no mundo do jornalismo, aliados à natureza irrequieta e ao temperamento explosivo de Thompson, resultariam no surgimento de uma diferenciação de Jornalismo Literário, mais ligada à contracultura: o jornalismo gonzo.

De acordo com o próprio inventor do gênero, que é também seu único praticante, Hunter S. Thompson, gonzo é: “Um estilo de reportagem baseada na idéia do escritor William Faulkner segundo a qual a melhor ficção é muito infinitamente mais verdadeira que qualquer tipo de jornalismo – e os melhores jornalistas sempre souberam disso.”

Isto não significa que a ficção seja “mais verdadeira” que o jornalismo – ou vice versa – mas que tanto “ficção” quanto “jornalismo” seriam o que Hunter denomina “categorias artificiais”; ambas as formas, quando realizadas da melhor maneira possível, seriam dois caminhos para atingir o mesmo fim.

O jornalista gonzo deve estar presente na ação que descreve, sendo capaz de vivenciar e documentar a experiência ao mesmo tempo, com “o talento de um grande jornalista, o olho de um fotógrafo, e os culhões de um ator”. Uma das características mais marcantes do jornalismo gonzo é que suas matérias são escritas sempre com uso da primeira pessoa no texto. O jornalista gonzo dispensa as pretensões à objetividade e escreve quase sempre em primeira pessoa. Suas matérias não são mera narrativa, mas relatos de experiências em que participa da ação. O “eu” do jornalista interfere na matéria: nela, reportagem e repórter não estão separados, viabilizando através deste estilo crítica, paródia, ironia e alerta. O riso, a gafe, o erro, o inesperado, podem produzir algum conhecimento.

“Gonzo é uma espécie de Buñuel do jornalismo. Mais do que tirar fotos engraçadas e escrever textos espirituosos, quer rir de si mesmo, da sua cultura, do próprio ato de rir. Assim como o cineasta espanhol, o gonzo quer mostrar a família defecando na sala e almoçando no banheiro. Para isso, é importante o jornalista partir do ‘eu’, da experiência ao vivo, in loco. Para depois recriar a história, ao narrá-la. Não como quem enuncia uma verdade, mas como quem faz um convite. Você aceitaria?” [Eduf]

Para Hunter S. Thompson, a objetividade no jornalismo é um artigo raro, senão inexistente: “Todos procuramos por ela mas quem pode apontar a direção? Não se dê ao trabalho de procurá-la em mim – não sob nenhuma linha escrita por mim; ou por qualquer outro em que se possa pensar.” Por este prisma, o gonzo é um jogo com a definição de objetividade jornalística: Através do uso do “eu” em seu discurso, põe em dúvida a apreensão de toda a complexidade que o leitor costuma pensar ter após ler uma reportagem – Até que ponto é possível realmente saber tudo o que se passou em um evento reportado por um jornalista da maneira tradicional, se o relato é “imparcial” e “objetivo”? E até onde podemos confiar no que relata um jornalista gonzo? – O jogo de perspectiva leva o leitor a questionar tudo o que lê, a pensar a informação e não apenas ler e aceitar o que lhe é entregue como um fato, passivamente.

O jornalismo gonzo ganhou as páginas de veículos como a revista Rolling Stone, tornando-se popular na década de 60, por abordar temas ligados à contracultura de sua época – festivais de rock, drogas, hell´s angels, entre outros, são temas que atraíram profundamente Thompson ao longo de sua carreira. Neste âmbito, o jornalismo gonzo oferece outro tipo de jogo que também tem como objetivo deslocar conceitos e mostrar um outro lado da tão celebrada e disseminada cultura norte-americana e do american way of life. “Eu não obtenho satisfação alguma com a velha e tradicional ótica do jornalista – “Eu cobri a história. Eu dei uma versão equilibrada,” Thompson disse certa vez em entrevista à revista Atlantic Unbound. “O jornalismo dito objetivo é uma das razões pelas quais a política na América tem podido se mostrar tão corrupta por tanto tempo. Você não pode ser objetivo sobre Nixon. Como você pode ser objetivo sobre Clinton?”, concluiu.

O movimento beatnik pode ser considerado o maior ponto de partida para o surgimento do New Journalism de Tom Wolfe?

Mas nem fudendo.

Como você vê a questão ética nos estilos New Journalism e Gonzo Journalism?

São passíveis de cagadas tanto quanto o jornalismo ortodoxo. Na verdade, o jornalismo literário e o gonzo são bem MENOS passíveis de cagadas antiéticas porque neles se esconde menos, se dissimula menos que no jornalismo chamado convencional. No literário e principalmente no gonzo não existe o mito da isenção. Eles oferecem também dados sobre o indivíduo que escreve a matéria – honestidade que mostra ao leitor um dado a mais com que possa julgar as informações que lhe são passadas sobre um fato: permite que o leitor saiba que existe gente – e não uma máquina 100% isenta – escrevendo aquilo ali e que, como gente, tem obsessões, humores, receios, hesitações, questionamentos em relação aos fatos e às fontes, em vez de dissimular tudo numa nuvem de objetividade falsa que é a base dessa estrutura de jornalismo velha, caquética, que ninguém mais agüenta ler.

Vc concorda coma a opinião de William Faulkner de que a melhor ficção é muito mais verdadeira que qualquer tipo de jornalismo?

Sim. Por isso que agora meu trabalho é escrever ficção. Jornalismo – tirando as minhas matérias pro NoMínimo.com.br, que me dá liberdade – é emprego. A menos que aparecesse um veículo muito fudido, de mentalidade aberta, uma outra revista Realidade como era antes de 1968. Já me decepcionei muito com vários projetos. Não dá pra ficar esperando que apareça um veículo assim, a vinda do Messias.

Hunter Thompson alegava que só conseguia ir fundo em suas matérias loucas, sob forte efeito de drogas que segundo ele o ajudavam a manter a sanidade. Com você ocorre o mesmo? ou você encara as matérias loucas que faz de cara limpa?

Essa história é uma das características do jornalismo gonzo capazes de servir de exemplo e mostrar como é ridículo tentar seguir aquilo como método.

O uso que Hunter Thompson fez das drogas e a abordagem dele sobre drogas em sua obra é um produto típico dos anos 60 e 70. Isso o filme do Terry Gilliam pegou muito bem na cena do banheiro da boate/bar, em que Johnny Depp/Hunter comenta sobre a “onda”:

“There was a fantastic universal sense that whatever we were doing was right, that we were winning. And that, I think, was the handle – that sense of inevitable victory over the forces of Old and Evil. Not in any mean or military sense; we didn’t need that. Our energy would simply prevail. There was no point in fighting – on our side or theirs. We had all the momentum; we were riding the crest of a high and beautiful wave. So now, less than five years later, you can go up on a steep hill in Las Vegas and look West, and with the right kind of eyes you can almost see the high-water mark – the place where the wave finally broke and rolled back.”

Hoje acho que a gente deve manter a cabeça acima do nível da água. É uma sorte não pegar uma parada que te foda a capacidade de pensar. Melhor não arriscar muito. Pensa em todas as pessoas realmente idiotas que você conhece. Se você se acha mais articulado, inteligente, interessante que elas, não vai querer correr o risco de estragar isso; devia agradecer. Se você se acha mais burro, mais monótono, não vai se tornar mais interessante se tomar uma parada. [virei reaça, paciência. tempos macabros].

Hunter Thompson tinha personalidade e o lance de encher pote de tudo que era metanol e cia. era parte dessa personalidade mas não quer dizer que geral tenha que fazer a mesma coisa. Se nego começa a imitar isso também, onde é que tá a personalidade, o estilo próprio? E, principalmente, não se come ácido e depois escreve matéria.

Não tem nada mais estupefaciente que ver as fotos de um chá de bebê arruinado numa chacina, a mãe grávida com os pezinhos metidos numas havaianas respingadas de sangue, bandejas de doces cheias de sangue, sangue nas paredes da merda do barraco. E descobrir que quem fez isso foi o BOPE, foi a polícia do Rio de Janeiro. Isso tava no jornal de hoje. Você quer estar fora de órbita quando acontece um negócio desses ou você quer escrever?

Não cabe mais esse tipinho de jornalista drogado. Não a sério. E alguém tem que falar sério, agora, já que é barbárie. Não dá pra seguir modelo de maluquice que era hype (hippie) há 30 anos. Mas não dá também pra escrever lead/sublead tudo quadradão igual a tudo; e não é só a abordagem estética, é o aproveitamento das fontes, é buscar pautas diferentes no meio do caos.

escrito às 4:43 PM por giannetti

6.10.05

PUNK ZIGANE NO CORAÇÃO

“transglobal debauchery”, he says.
“carnaval?”
“get carnal?”

querida, querida, minha sacralíssima querida,
vamos discutir nossa tática:
eu vou estar louco,
e você vai estar possuída.

escrito às 7:36 PM por giannetti

2.10.05

escrito às 11:11 AM por giannetti

WE ARE NOWHERE AND IT´S NOW

[bright eyes]

If you hate the taste of wine
Why do you drink it till you’re blind?
And if you swear that there’s no truth and who cares
How come you say it like you’re right?
Why are you scared to dream of God
When it’s salvation that you want?
You see stars that clear have been dead for years
But the idea just lives on…

In our wheels that roll around
As we move over the ground
And all day it seems we’ve been in between
A past and future town

We are nowhere and it’s now
We are nowhere and it’s now

In like a ten minute dream in the passenger’s seat
While the world was flying by
I haven’t been gone very long
But it feels like a life time

I’ve been sleeping so strange at night
Side effects they don’t advertise
I’ve been sleeping so strange
With a head full of pesticide

I’ve got no plans in too much time
I feel too restless to unwind
I’m always lost in thought as I walk a block
To my favorite neon sign

Where the waitress looks concerned
But she never says a word
Just turns the juke box on and we hum along
And I smile back at her

And my friend comes after work
When the features start to blur
She says these bars are filled with things that kill
By now you probably should have learned

Did you forget that yellow bird?
How could you forget your yellow bird?
She took a small silver wreath and pinned it onto me
She said this one will bring you love
And I don’t know if it’s true
But I keep it for good luck

Domingo, Novembro 27, 2005

MÉTODOS DE PARK SLOPE, BROOKLYN

[o de fora e o de dentro]

escrito às 9:04 AM por giannetti

MORADOR #1

[didn’t compose his new novel in this office, or in any office at all // poet-wanderer /////// does his writing all over town, in public libraries, in coffee shops and even in the homes of friends. the process of writing has traditionally been romanticized by its creators as an act of self-imposed isolation //// all of this prompts the question of why he needs an office in the first place. ”I need an office,” he explained, a bit enigmatically, ”so I can have a place where I don’t write.”]

escrito às 8:58 AM por giannetti

Sábado, Novembro 26, 2005

MORADOR #2

“Only a person who really felt compelled to do it would shut himself up in a room every day,” he says. “When I think about the alternatives – how beautiful life can be, how interesting – I think it’s a crazy way to live your life.”

escrito às 1:54 PM por giannetti

Quinta-feira, Novembro 24, 2005

A AGENDA DO PRESIDENTE

[meia-noite no jardim do bem e do mal] Duas pautas gift-wraped pra mim pelo Fakir, envolvendo homens que amam fuscas + uma cigarra sobrevivente [verões infernais, você sabe].

[saussure/seesaw] Tentando ressuscitar pensamentos impuros necessários pra wrap things up. Certas coisas a gente escreve noutro idioma porque a língua trava de vergonha se reconhece o significado. Aos trancos e barrancos escrevo como posso porque funcionou sempre assim.

[o sr. pode me arranjar um pedaço médio de papel de embrulho ou dois guardanapos não muito finos?] qual dos dois? o papel de embrulho seria melhor. e um chope? e um chope. caneta? tenho aqui, brigada.

[signed sealed delivered i´m yours] motown é bom e eu gosto. remixada, então, é tipo se sentir bem pra caralho.

escrito às 9:27 PM por giannetti

Terça-feira, Novembro 22, 2005

ENTENDE?

[de uma entrevista do autor Mil Millington]:

GW: You’re still quite active online, what with your mailing list and all. Are you using the internet as a marketing machine?

MM: No, I don’t think so. The joy of online is that you can write precisely what you want. A Mailing List is something I write: perhaps something of the same length as a newspaper/magazine piece, but without it having gone through the butchering hands of six copy editors.

GW: Is the Internet a good place for a writer to ‘break out’?

MM: No, no, no. Depressingly, the best way to a book deal remains the age-old route of three chapters and a synopsis to an agent. Also, the Web audience is not the book-buying audience.

escrito às 11:35 PM por giannetti

OFFICE SPACE

“Human beings were not meant to sit in little cubicles staring at computer screens all day” – Peter Gibbons em Office Space, pequeno filme de Mike Judge que, de acordo com os 5% de contingente humano presente em todas os escritórios do mundo, merecia um Oscar. O roteiro, sensivelmente filmado por Judge (criador de Beavis & Butthead), materializa cenas que até então povoavam apenas a imaginação coletiva dos explorados – ou o que sobra dela – como a da destruição de uma impressora num terreno baldio por três nerds armados de um taco de baseball.

links correlacionados: tesão pelo grampeador, comic relief para a galera do suporte técnico, bullshit job: you´re not alone, portal de apoio ao trabalhador, fez um belo tributo ao filme.

escrito às 10:09 PM por giannetti

the debt collectors keep knocking

escrito às 12:08 PM por giannetti

SAY ANYTHING

Coisa mais linda, cheia de graça: ele bloga e fala de Hunter.

[look-alikes: mail to this old fart]

escrito às 10:45 AM por giannetti

Sexta-feira, Novembro 18, 2005

O QUE SE ESCREVE SOZINHO

e-pistolar: narrativa feita de scraps, posts, diálogos de msn, emoticons e escrita por um ou mais personagens.

escrito às 10:29 PM por giannetti

Quinta-feira, Novembro 17, 2005

[a coluna no jornal parece um telegrama de autista. taquigráfica, malabarismo pra caber qualquer tapa-buraco. espaço pouco e tema controlado. assim, é melhor que não role. escrevo isso ao patrão.]

[um troço em jornal é certo: fazer outra coisa fora da redação é inaceitável. escrever ficção é igual tu ser pego com a mão no pau de hitler e um sorrisinho no canto da boca. mikhair, me corrija se eu estiver errada, sobre aquela porcentagem de que falávamos no terrível bar devassa do largo do machado há dez anos: a cada dez tópicos de discussão na internet, nove usam hitler como analogia para o pior que a espécie humana pode produzir. pois então. jornalista que faz outra coisa além de escrever em jornal pega no pau de hitler – no auge do nazismo.]

[o pena de aluguel, da cristiane costa (cia. das letras) debate se a redação ainda é o lugar do escritor. vai ver nunca foi. mas só conheci esse agora, o modelo atual, em que ficção equivale à confissão e a coisa toda equivale à bosta. e muita vez não deixa de ser bosta mesmo. mas vou te dizer: trabalho de redatora (sic) é mexer no cesto de cueca suja do povo. lé com cré, jamé. e, se é pra ser assim, prefiro escrever as boçalidades que chamo de ficção, ausência de lé com cré com licença poética.]

escrito às 10:38 PM por giannetti

Segunda-feira, Novembro 14, 2005

PAREM AS PRENSAS

prestes a exterminar todos os frilas

[contagem regressiva pra recomeçar a escrever]

[sexta passada saí do jornal e aluguei um filme pra relaxar. não funcionou, por algum motivo.]


filme sobre um jornal falha em criar atmosfera serena após o fechamento

escrito às 2:44 PM por giannetti

INTERNERD

minha coluna no jornal Q! estreou e já dá pra ler online. btw, não é sobre livros, nem sobre música, nem sobre as coisas que costumo escrever sempre. não por opção, é claro. it´s just work.

escrito às 2:43 PM por giannetti

Sexta-feira, Novembro 04, 2005

VILLAGE VOICE

Não podia deixar de mencionar. Soon I was immersed in a “newspaper culture” I’d never experienced before. Many of the “assignments” were self-propelled, and the writing had to be in your own voice if you could find it. (This came to be known later as “personal journalism.”)

escrito às 4:24 PM por giannetti

INFERNINHOS DE JESUS

Ainda sei escrever matéria. Acho. O João Pequeno disconcorda, ele diz que eu só aprendi recentemente [e que talvez tenha perdido o jeito ao me dedicar às literatices]. Mas essa reportagem aí vale ler pelo inusitado da coisa: eu numa naite sem cerveja. As fotos também são minhas.


B-boys customizam suas roupas com o nome do Ídolo


Fileiras de dançarinos a la ‘Footlose’ formam-se no meio da Igreja

e da fumaça do gelo seco

escrito às 1:45 PM por giannetti

Quarta-feira, Novembro 02, 2005

[sabe quando levam 40 minutos pra lhe arrancar um dente daqueles grandes e ficam aplicando injeções de anestesia durante todo o “processo” e cada vez que você consegue abrir os olhos você enxerga gotas do seu sangue respingadas na máscara da VACA com a broca partindo seu dente em mil pedacinhos por fora antes de arrancar a parte que está lááááá dentro pela raiz e você ouvir créque créque várias vezes quando ela gira o que resta do dente com um alicate grande demais pra caber dentro da sua boca?, pois então. ela consegue enquanto cantarola junto com a versão instrumental de my love do paul mccartney que tá rolando e você vai pra casa e passa o resto do dia dopado e cuspindo sangue na pia e a boa notícia é que vai ficar dopado durante os próximos sete dias porque vai ter que tomar todos esses remédios que a VACA passou, que custam uma nota, dão um puta sono, nada indicado pra quem tem que estar de manhã às 8h no trabalho mas hoje era feriado – ninguém avisou? não precisava ter chegado às 8h, podia ter acordado do meu sono químico às 9h e vindo às 10h, às 8h não tem ninguém aqui além do coitado que veio de são paulo e a quem ninguém avisou também sobre o horário, ah, mas avisaram, via email, às 4h da manhã, pelo menos a mim avisaram, eu apenas não tive a iluminação de acordar às 4h da manhã para ler o recado, e o paulista, coitado, chegou aqui e botou um rádio miserável pra tocar she´s like the wind com patrick swayze, turn around com bonnie tyler, e, como não poderia deixar de ser, my love com paul mccartney em versão instrumental.]

escrito às 10:01 AM por giannetti
30.12.05

INSTANTÂNEOS DO RIO EM PROSA E POLAROIDS

No post anterior não expliquei muito sobre o lançamento, organizado por Beatriz Resende e publicado pela Casa da Palavra.

Tem conto meu lá: Rio Literário – Textos em diálogo com flagrantes da cidade captados em polaroids de Bruno Veiga. Vinícius, Clarice Lispector, Ferreira Gullar, Ana Maria Machado, Antônio Callado, Sonia Coutinho, Aldir Blanc, Sérgio Santanna, Sebastião Uchôa Leite, Edilberto Coutinho, Rubem Fonseca, Carlos Drummond de Andrade, Antônio Torres, Antonio Cicero, Armando Freitas Filho, Luiz Alfredo Garcia-Roza, Rubens Figueiredo, Silviano Santiago, Marcílio Moraes, Adriana Lisboa, Cecilia Giannetti, Marcelo Moutinho, Chico Buarque, João Paulo Cuenca, Arthur Dapieve, Pedro Süssekind, Rodrigo Lacerda, Paulo Lins e João Antônio.

escrito às 11:28 AM por giannetti

22.12.05

RIO LITERÁRIO

Folha de S. Paulo – Folhamais!

São Paulo, domingo, 18 de dezembro de 2005
“Ser carioca é antes de mais nada um estado de espírito”, define Vinícius de Moraes no primeiro texto deste guia da cidade do Rio de Janeiro, que inclui ainda textos de Aldir Blanc, Carlos Drummond de Andrade, Chico Buarque e outros nomes importantes das letras nacionais. Organizado pela crítica literária Beatriz Resende, e com fotografias de Bruno Veiga, o guia se propõe a ajudar o leitor a construir seu próprio conhecimento sobre a cidade a partir da escrita de autores consagrados. Ed. Casa da Palavra (tel. 21 2222-3167). 176 págs., R$ 52.”

[o lançamento rolou no rio scenarium na terça-feira, mas não consegui logar a tempo. de qualquer maneira, o livro tá aí – ilustradaço com polaroids do bruno veiga. as fotos da ilha são lindas].

escrito às 10:22 AM por giannetti

18.12.05

FIGURANTES

[conto, + 30 Mulheres que estão Fazendo a Nova Literatura, Editora Record]

Ninguém, gente ou imitação de gente, foi como nós porque estávamos mais vivos que todo o mundo. Lembrei dos figurantes de repente. Na época, embora alguns deles acabassem aparecendo todos os dias no St. Paul como baratas indesejáveis, tínhamos a casca protetora da nossa juventude excessiva, da fome pela nossa companhia, da música de duas cordas de guitarra. Agora, como se multiplicaram assim? Quem deixou que se tornassem uma legião, como permitimos que invadissem? Estão aqui, vêm e vão sem dizer nada. E me assusto ainda mais quando são capazes de rir ou olhar para nós com a velha desconfiança que dispensávamos a eles. Como se cumprimentassem um manequim de loja, falam e exigem de mim interesse. Disfarço, improviso uma resposta, finjo ficar feliz com alguma coisa que me contam. Não entendo o que eles dizem, acho que é nada.

escrito às 8:21 PM por giannetti

O ÚLTIMO QUARTO À DIREITA

[conto, Paralelos – 17 Contos da Nova Literatura, Ediouro/Agir]

Todos comendo os restos uns dos outros. Um dia também já raspei prato, sei como é, conheço o barulho das engrenagens roucas e as traças de pele que as consomem infinitamente, escuto o estômago oco impelindo à mútua devoração e vão pra rua se apaixonar, tocar em minúsculos pontos carnes diferentes, roer o que já está puído. Sabor nostálgico de nada.

escrito às 8:13 PM por giannetti

ILHA DEBAIXO DA TERRA

[conto, Prosas Cariocas, editora Casa da Palavra]

Reapareceu na calçada em frente ao bar dando passinhos curtos. Tinhas as mãos dentro dos bolsos do casaco italiano de brechó, que usava mesmo no verão, sempre por cima de um vestido de velha. Detestava os braços finos, compridos. Usava tênis, estavam desamarrados. Sua pele da cor de um trapo velho. Não queria cigarro. Segurou a minha mão e riu sem abrir os lábios, um risco fino acima do queixo. Chama um táxi?, disse quase sem abrir a boca. Dormiu no carro até chegarmos. Falou outra vez na entrada da casa. “Só assim preu ver esse fim de mundo.”

escrito às 8:13 PM por giannetti

INSETO

[conto, Dentro de um Livro, Casa da Palavra]

“Beijar o gato entre as orelhas é uma forma de solidão. Lavar a louça às três da manhã, apreciar muito a própria letra, ouvir a brasa comer o papel do fumo no silêncio. Acreditar nas estrelas que passam com mais pressa. Deitar sozinho. Às vezes deitar acompanhado também. Ter um casaco de lã cinza-escuro que não lava há dois invernos. Acompanhar um seriado (americano). Achar-se inadequado e esquecido ou achar-se bom demais pros outros. Possuir nesse vasto mundo apenas um cabideiro. Beber destilado em copo plástico, esquecer o aniversário da amiga. Ver televisão com fantasma, ouvir rádio desligado da tomada. Conversar em fila, falar alemão, detestar turista, abrir mão de. Viciar em remédio pro nariz, ganhar na loto, guardar papel de presente, saber cerzir, não ser fascinado pela tecnologia, amar gadgets que não sabe usar. Não amar ninguém. Telefonar a cobrar de um orelhão na chuva pra outra cidade, chamar o garçom pelo nome e ser chamado pelo nome por ele. Concordar que o rock morreu. Escrever sem expectativa, confiar no conselho da manicure, escrever cartas, não enviar cartas. Às vezes mesmo enviá-las é uma forma de solidão. Sentar na segunda fila no cinema, botar bebedouro pra passarinho na janela. Dormir com a caneta na mão.”

escrito às 8:13 PM por giannetti

MÉTODO FELICIANI DE CONSERVAÇÃO DO NÚCLEO FAMILIAR

[conto, Revista Ácaro]

Minha avó deu café na mamadeira a todos os filhos e netos. Dizia que faz a criança ficar atenta, esperta. Ela nunca soube distinguir esperteza de excitação patológica nem toda aquela atenção, que dispersávamos para todos os lados, de esquizofrenia potencial. O conhecimento geral da família sobre nossa fixação por café e o vício negro imposto às gerações que se seguiram à da vó impedem que minha taquicardia e distúrbios nervosos mais graves inspirem os cuidados de parentes que pudessem interferir com o meu desejo crônico e constante de não ter ninguém por perto. É comum relacionarem nossas crises à falta ou excesso de café. Antes de se despencarem de barca, ônibus ou van desde o subúrbio até a minha toca no Alto Leblon, têm seu ímpeto detido por um pensamento: ¿É só a cafeína¿. A explicação que corre na família pra mania de café faz sentido demais, por um lado, pra ter sido inventada por eles, e por outro, é surreal na medida da sua loucura. De qualquer jeito, nos pertence.

escrito às 8:13 PM por giannetti

15.12.05

FANTASMAS DO NATAL

“Assim você não tá escrevendo um romance, tá escrevendo vários sem terminar nenhum e jogando tudo fora.”

[estatísticas da sinceridade genial: com 2 caipirinhas no estômago às 16h, me conhece há dez anos e um mês e trabalha ao meu lado 8 horas por dia. 90% do que vai pro meu lixo não é lixo mas eu não posso mais decidir isso sozinha.]

[à noite encontrei outro um fantasma do Natal. prometeu ler. vou anexar agora num e-mail, desta vez sem cortar mais nada antes de enviar.]

escrito às 4:45 PM por giannetti

13.12.05

INFÂNCIA

Atendi telefone duas vezes na última semana: nas duas, noite e do outro lado pessoas com quem nos últimos 20 anos falei quase nada [distância: tempo e espaço]. A que ligou ontem comprou um dos livros de contos que tem coisa minha e disse que identificava alguém no Último quarto à direita. Difícil convencer de que não pode acertar todas alguém que te viu de roupa de colégio. Mas só quem conhece bem acusa com autoridade. Era ele, não era ele, era, não era, aquelezinho assim que fazia isso e isso, desse jeito se arranca confissão de inocente.

escrito às 11:21 AM por giannetti

12.12.05

AVANÇO E RECUO

tô mas não tô [desculpa se não respondo e-mail – quase nenhum – mando de casa postais da volta ao mundo.]

escrito às 8:10 PM por giannetti

8.12.05

PIZA E PIZZA

Essas eram as duas únicas palavras em italiano que eu era capaz de pronunciar e entender [acho que carcamano não é italiani… opa, três palavras]. E sei assobiar o tema do Poderoso Chefão. Com todo esse vasto conhecimento da língua de meus avós, recebi a versão de um conto meu, que vai sair pela Nuova Frontiera, na Itália: Metodo Feliciani per la Conservazione del Nucleo Familiare. Talvez ajude a ampliar meu vocabulário. Ainda não compreendi bem, na primeira leitura, o que muda e o que permanece do meu texto original. Mas parece bom.

A tradução é da mesma organizadora da antologia Sex ´n´ Bossa, que levou à Itália vinte escritores como o Noll, e outros de nova geração, como o Terron. Uma parte do conto fala da família numerosa de um músico da noite que vivia na Ilha do Governador em 1949. Estranha coincidência a tradutora ser justamente uma italiana que morou naquele local, entre 1975 e 1979, conforme me contou por e-mail.

escrito às 11:39 PM por giannetti

WHAT IF

[publicado pelo Q!]

O que Lennon faria, diria e cantaria hoje, caso tivesse escapado dos quatro tiros disparados pelo lunático Mark Chapman há exatos 25 anos? Se “Imagine”, gravada em 1971, ainda é capaz de desarmar alguns cínicos, é difícil saber se o ex-Beatle teria reserva de utopia suficiente para escrever outro hino pacifista com essa força em 2005.

Dá para imaginar que sua persona sarcástica talvez dominasse a do militante da paz. Duas décadas e meia a mais de vida poderiam ter transformado Lennon em um observador desiludido, resmungando contra o jeito como as coisas degringolaram. Ou continuaria a gritar contra a ordem mundial da verba e da guerra, como um profeta maluco de rua, com um cartaz de protesto pendurado no pescoço.

Será que ele ainda traria à tira-colo a vencedora do Troféu Taquara Rachada de Desafinação, Yoko Ono? O posto de desafeto número 1 dos Beatles e de seus fãs ela só perde mesmo para Chapman. Se Paul tivesse morrido em seu lugar, será que John alternaria a ordem dos nomes em suas canções para McCartney/Lennon, em homenagem ao amigo – ao contrário da mesquinharia de Paul, que exigiu que seu sobrenome passasse a vir antes do parceiro morto? Melhor que especular é ficar com a obra de Lennon, tão rica em sonhos quanto em lições pé-no-chão como “A vida é o que acontece enquanto você está ocupado fazendo outros planos”.

escrito às 8:05 PM por giannetti

6.12.05

FAVOR NÃO EXORCIZE SEU CORAÇÃO CONTRA MIM, BRIGADÚ

Dia começa às quatro da manhã. O despertador berra às cinco e meia, eu e todas funções ativadas no jornal às sete, organismo me ejeta da cama uma hora e meia antes. Tem feito isso com freqüência, garante abundantes quatro horas diárias de sono, não durmo antes de meia-noite. Depois não sabe por que é tão sacaneado [o que veio antes, o ovo ou a galinha?, etc.]

[sair do jornal às 15h sem almoço, pegar 14 estações de metrô, tomar táxi pra chegar no lugar onde => frila. entrar em casa às 20h, abrir uma Petra, ligar rádio de doo wop da AOL, “como tornar digerível pro tal do leitor médio o que ouvi?” – ninguém nunca viu esse filho-da-puta, o leitor médio, que não lê isso, não lê aquilo, só compra o que não ofende… deve ser infodível. – tarde em ponto de táxi com motoristas extremamente gentis: contaram tudo].

Por isso hoje-não-show Starving Bluesmen Quartet nem aquela música que ninguém etc. Tenho saudade e tenho que trabalhar. É uma combinação terrível.

E, mesmo assim, quem é de casa há de gostar: conseguindo escrever o que quero [não só o que devo].

escrito às 7:53 PM por giannetti

5.12.05

escrito às 1:03 PM por giannetti

3.12.05

VOA CANARINHO VOA

Quem não conseguiu comprar o jornal [é uma espécie de gincana urbana, vocês sabem] pode ler meu texto da semana no site. Desta vez consegui dois mil toques e joguei os outros seis mil restantes pra web. E trocaram a ilustração do Chiquinho por uma foto. Imagino que meu rosto esteja no chão de algumas gaiolas de passarinho pela cidade a essa altura.

escrito às 8:21 PM por giannetti

GROSSA, PARANÓICA, ANTI-SOCIAL E COM UM GRANDE CORAÇÃO

Gestado por laxante mental, está saindo. Se vão achar cheiroso ou não, pouco importa.

escrito às 12:45 PM por giannetti