31.3.05

PERSONA

“De 1946 a 1951, vida porteña, solitaria e independiente; convencido de ser un solterón irreductible, amigo de muy poca gente, melómano lector a jornada completa, enamorado del cine, burguesito ciego a todo lo que pasaba más allá de la esfera de lo estético” .

“a city with a beautiful site is about as reliably interesting as a person with a beautiful face, and just about as likely to have been spoiled”.

(nao digo mais os nomes. muito ciume).

escrito às 10:34 AM por giannetti

30.3.05

LIGAÇAO

Não é que eu não tenha reconhecido a voz dela. Logo nas primeiras palavras, o tom e a vibração familiares, as modulações que eu não ouvia há mais de dez anos e justamente por não ouvir há tanto tempo essa voz, a associação entre ela e sua dona me parecia impossível. Uma operação automática aconteceu entre o ouvido que estava colado ao celular o meu cérebro e os dois decidiram, nesse acordo tácito, excluir de cara a possibilidade de que, do outro lado do telefone, estaria Helena. Precisou dizer duas vezes que era ela mesma, Helena, e que estava na cidade, para que eu pudesse compreender a relação entre o seu nome, meu passado e o fato de que

O celular tocou e do outro lado da linha uma voz vagamente familiar me forçou a um acordo rápido entre cérebro e audição para que o reconhecimento fosse possível: era Helena e estava na cidade. Mas meu começo de conto estava perdido e o que pretendi escrever acima aniquilado por sua presença tão próxima.

escrito às 11:00 AM por giannetti

26.3.05

SEU NONÔ DE SUNGA

Estou no Fred, tentando fazer um frila, mas é feriado e o Cardoso tá aqui e um monte de gente na sala. Off-topic mas a questão é que meu micro quebrou e, mais uma vez, quem tenta dar um jeito nele é Fred. Ontem passei a noite revisando “Diário de Pagú” e acordei comprando um HD novo no edifício Central. O que faço agora é tentar traduzir eletro indiano inspirado em baile funk carioca pra leitores da Revista Jovem Pan, tendo à minha volta uma profusão de gaúchos, cariocas, paracambienses, povo de Sanja e Ilha do Governador comentando o futebol.

escrito às 4:01 PM por giannetti

PORTAL LITERAL

O Marcelino Freire me entrevistou e o resultado está lá no Portal Literal. Como é de costume, respondi demais, escrevi demais, então o que ficou de fora lá eu colo mais tarde aqui.

Eu gostei desse quadrado rosa na minha cara. Vou adotá-lo de agora em diante em eventos sociais (melhor que a sacola das Sendas).

ELE- Essa coisa de literatura feminina, de mulheres clariceanas, enche o saco, não? Mas posso perguntar? Respondaí.

EU – Inegável que existam diferenças entre texto escrito por mulher e texto escrito por homem; tanto quanto é inegável que existam diferenças entre textos escritos por autores diferentes. Ninguém é igual a ninguém mesmo. Primeiro – acho que confundem literatura feminina e as clariceanas. Foi tanta mulher copiando Clarice durante tanto tempo que, embora essas “xerocadoras” (elegantemente, evitaremos o trocadilho) não tenham permanecido, parece ter ficado esse ranço: uma metonímia infeliz em que literatura feminina e jorro emotivo desvairado no papel passaram a significar a mesma coisa. Tem uma terrível “carta de editor” num romance do Ian McEwan, Reparação, que trata disso; a protagonista, Briony, uma escritora iniciante, envia os originais de um conto que escreveu embebida, empolgada com a leitura de As ondas, da Virginia Woolf. Aí já viu, chuá chuá. E o editor manda na lata: olha, minha filha, os leitores podem até estar familiarizados com esse negócio de teorias da consciência de Bergson mas, mesmo assim, ainda são todos doidos igual criança por uma história, por “saber o que acontece”. Ou seja: mete uma colher de pau nesse angu senão desanda. Segundo – confundem (homens e mulheres) voz literária com sexo de personagem. E ¿ pior ¿ sexo de autor. Exemplo: se um personagem é macho e criado por mulher, questiona-se se a autora não estaria tentando se libertar do que costumam considerar literatura feminina. A resposta ¿ acredito ¿ é não. Terceiro – Tem o caso da Jane Austen, que eu aproveito para citar porque é uma autora do século XIX que ainda rende scripts para cinema e bate-bocas em pleno 2005. Sua obra é xingada de “literatura de mulherzinha” (o terceiro engano rotula a escrita feminina como propaganda do final feliz ¿ uma lástima), embora sua escrita seja mais que perfeita, prenda totalmente a atenção do leitor e ironize os costumes da época de uma maneira que mulher alguma jamais tinha feito ¿ com elegância, com um texto irretocável, com um puta senso de humor, um poder de observação que qualquer repórter metido a besta ou a gonzo hoje em dia reza escondido para ter (se possui discernimento para saber o que lhe falta). Em Orgulho e preconceito, ela cria um macho tão bom, mas tão bom que até hoje tem mulher vidrada nele. O que distingüe o texto masculino e o feminino? É isso o que todo mundo quer saber quando faz a pergunta sobre se existe literatura feminina ou não. Não consigo imaginar qualquer lista de características que não desembocassem em generalizações bisonhas demais para serem levadas a sério. Perdoem as minhas (mas não a ponto de ignorá-las).

O conto publicado junto com a entrrevista é “Ana & Letícia”.

escrito às 1:36 PM por giannetti

24.3.05

MUITA FALTA DE ANTI-PROFISSIONALISMO

Fazendo a trilha nas horas de olhar pros lados e ver o que rola além das quatro paredes está o primeiro disco da galera do Quinto Andar, coletivo hip hop baseado em Niterói que já rendeu Marechal (que hoje colabora com Marcelo D2) e De Leve (entrevistei ele no ano passado). A revista Outra Coisa traz o “Piratão” – como o Quinto Andar batizou o disco – encartado na edição deste mês. Logo mais faço uma matéria pra falar melhor do som. Por ora, se liga os títulos de algumas faixas: “Muita falta de anti-profissionalismo Dub”, “$$$”, “Cara de Cavalo encontra De Leve” (o embate é o bicho), “Rap do calote” (croniqueta das pequenas malandragens como usar camiseta de colégio público pra viajar de graça), “Melô da propaganda” (De Leve muito, muito bom).

Vale ir na banca e comprar: a revista inteira tá boa. Tem o Matias Maxx e a Tarja Preta, com quadrinhos, cinema e moda; uma ode anti-metrossexual por Silvio Essinger (palhinha de “Um rio de cerveja que passou em sua vida”: “Ele vive numa época diferente em que, entre os homens de sua idade, virou uma obsessão apagar as marcas de sua idade. Alguns tem abdomens talhados a lipo, outros passam cremes no rosto e há os que se especializam em sair com meninas que tem metade da sua idade. Eles são muito maduros e portanto talvez não contem a elas que um dia um rio os tragou e eles foram muito felizes. Hoje fazem caras de sabichões e preferem tomar vinho. em goles curtos”); uma matéria sobre a viabilidade de mídias independentes. Tem várias OUTRAS COISAS que muito recomendam a publicação para a NOSSA JUVENTUDE e pros nem tão jovens assim (ora, if you are among the very young at heart…)

escrito às 10:36 AM por giannetti

23.3.05

REVISTA TRIP

Tem texto meu sobre Hunter Thompson e jornalismo literário este mês na Revista Trip. Me pediram um artigo com máximo de 5.000 toques, entreguei quase 9.000, então, o que não entrou no impresso eu vou colocar aqui mais tarde.

A Trip tá interessante, com um “Especial Fim do Mundo” capaz de dar muito motivo para os paranóicos e alarmistas de plantão começarem a acreditar que não são tão paranóicos, nem tão alarmistas assim. Como diria o próprio Hunter, “não existe paranóia.”

escrito às 1:39 PM por giannetti

15.3.05

“E o Senhor me disse: Toma de um livro grande e escreve nele em estilo de homem.” – Isaias, 8 -1.

escrito às 12:22 PM por giannetti

11.3.05

Jantando, quem não lê jornal descobre que a gente é chamado de covarde a granel; quem não lê jornal e não come carne como eu é de certo modo acovardado mesmo e parece gostar de trocadilhos bobos. O adjetivo escroto que melhor me define agora é egoísmo: pra escrever eu não quero ninguém por perto, nem o jornal que você encheu de nomes pra definir seu mal estar com a gente que vem por aí. Geração natimorta enforcada no cordão umbilical?

escrito às 10:23 PM por giannetti

Basquiat no Brooklyn Museum.

escrito às 9:57 PM por giannetti

Não perguntar o que um homem possui mas o que lhe falta. Isto é sombra. Não indagar de seus sentimentos mas saber o que ele não teve ocasião de sentir. Sombra. Não importar com o que ele viveu mas prestar atenção à vida que não chegou até ele, que se interrompeu a circunstâncias invisíveis, imprevisíveis. A vida é um ofício de luz e trevas (…). – Paulo Mendes Campos

escrito às 3:00 PM por giannetti

7.3.05

COM UMA FRASE EM TODAS AS SUAS MÃOS

Em momentos mais propensos à sisudez e à culpa, a classe média poderia argumentar que publicar textos em inglês num blog não é uma forma de exclusão; poderia, caso nao estivesse falida e pretensamente igualada ao resto, sem direito a sentir culpa. Como blog não e telefone e eu trato e-mail como comunicação telepática, sem esperar reclamaçoes vou publicar assim mesmo o trecho do texto de Jesse Kornbluth no link do MediaBistro que já dei ali embaixo.

Why do you need to read widely in order to write better? After all, you have something to say and it’s like nothing anyone’s ever said before. But if you have any perspective at all, you know it’s all been said before and you are a pygmy standing on the shoulders of giants and the best way to make yourself worthy is to quote your betters and, when push comes to shove, appropriate their work.

By “appropriation,” I don’t mean plagiarism. I’m no fan of those famous writers who keep making the news: the ones who write prize-winning books in which¿and it’s always a mystery to them¿another writer’s sentences end up, word for word, in the book. I’m talking about style, about the sudden burst of dazzle that makes a reader feel you’re not just committing journalism, you’re actually writing.

For instance: Back in my New York magazine days, I wrote a profile of the late Glenn Bernbaum and Mortimers, the restaurant he owned. Mortimers was the ultimate malt shop for the social set in the ain’t-we-rich ’80s¿so snooty it was more like a club than a business open to the public. And the time to be seen there was Sunday lunch.

When I described the scene at 1 p.m. on a typical Sunday, I wrote about Jerry Zipkin, Nancy Reagan’s best friend, entering with two women from the Goulandris clan¿”with a Goulandris on every arm,” I wrote. The imagination-challenged copy editor circled the passage. “Every arm?” she queried. “He only has two.” Yes he did, but as astute readers have already guessed, I got the idea for that phrase from a 1968 Bob Dylan song: “John Wesley Harding was a friend to the poor/He traveled with a gun in every hand.” (I have just read Luc Sante’s review of Dylan’s memoirs and am delighted to learn that Dylan “lifted those five words from Woody Guthrie’s ‘Ludlow Massacre,’ in which the striking miners’ women sell their potatoes and with the proceeds ‘put a gun in every hand.'” From Woody to Bob to Jesse – I hope someone who reads this will remember the phrase and keep the chain going.)

Sometimes what you’re taking is rhythm and style. Just as often you’re recycling obscure quotations. Isaac Babel: “No iron can strike the heart with as much force as a period in exactly the right place.” True. And just as true if you substitute “quotation” for “period.”

escrito às 1:35 PM por giannetti

O BOM LADRAO

Na terça-feira passada participei de um debate no MAM de São Paulo, na Bienal da UNE, com o tema “Decifrando o Mapa da Literatura – Novos Caminhos e Suportes”. Fomos eu, Fernando Bonassi (colunista da Folha), Telma Scherer (criadora do Grupo Mimeógrafo) e o Roger Jones (um dos primeiros autores brasileiros a despertar interesse das editoras publicando um livro antes na web).

Umas duas horas de falação depois, quando começaram as perguntas do povo, surgiu um rapaz com uma questão que não era boba: morava em Goiânia e tinha participado de um workshop nalguma outra cidade. Para retirar o certificado que comprovava sua participação nas aulas, cobraram-lhe R$ 15,00. Tinha pouco mais que isso no bolso para passar os próximos dias por ali (alimentação) e pagar a passagem de volta pra sua cidade. Preferiu comer. Não retirou o certificado. Que, btw, era de um workshop sobre desigualdade social.

O rapaz perguntou, então, algo que girava em torno disso (minha memória não vai conseguir devolver agora a exata pergunta que ouvimos há cerca de uma semana): que chances têm os escritores que, como ele, não têm condições para aprender seu ofício nem divulgar seu trabalho?Até que ponto ele, que mora num local onde só havia um ponto de utilização público pra internet, foi recentemente atingido por um raio, e que ficará parado por seis meses aguardando conserto – até que ponto a internet está aí pra todo mundo, pra gente como ele poder mostrar sua escrita na web?

A coisa é complicada (avalio eu, postando confortavelmente no ar-condicionado e com conexão rápida), assunto pra 200 debates envolvendo não só escritores. Respondemos com opiniões e duvido que tenhamos oferecido soluções pra um problema desse tamanho.

O Bonassi respondeu com uma história dele, contando que metade dos livros que tem hoje na biblioteca foram roubados porque, quando era novo e decidiu que ia se tornar uma pessoa “lida”, mal tinha grana pras necessidades basicas, quanto mais pra entrar numa livraria e pagar pelo que necessitava ler. Roubou. Roubou a rodo.

O auditório ficou um pouco desconcertado. As carinhas dos estudantes ficaram um pouco mais jovens, ponto de interrogação rejuvenesce qualquer um. Roubar?

Nem tudo é preto no branco, como nas páginas do objeto-livro. Os tempos são outros. As lojas estao cheias de alarmes contra furto e cameras hiper-vigilantes. Bonassi completou explicando que há 20 anos, quando construía sua biblioteca a base desses pequenos delitos, a segurança nas livrarias nao era tao eficaz. Não recomenda o roubo hoje, não nessas condições. Não precisa ser ladrão pra ser escritor e bem “lido”. Mas precisa da mesma vontade de ser escritor e de ler que o movia a roubar. Se existir vontade séria, existe escritor e não vai ter dificuldade que se ponha entre o texto e essa vontade. Foi mais ou menos isso o final da conversa.
Embora a gente saiba que um debate não dá conta da complexidade disso aí, ainda assim bateu agonia, sensação de impotência, que eu imagino que não é um terço da que o garoto que levantou a questão sente.

***

No MediaBistro, outro tipo de roubo literário.

30.4.05

ESQUINAS, PRÉDIOS, CONVERSAS DE BAR

Procurando gente na cidade, Joseph Mitchell no Village Voice.

escrito às 7:28 PM por giannetti

CHICK LIT

O Guardian retoma esse papo.

escrito às 7:08 PM por giannetti


Chet no sokolsky.

escrito às 7:03 PM por giannetti

DENTRO DE UM LIVRO

Antologia com 17 contos em que romancistas, roteiristas, uma dramaturga e até um editor fazem ficção com assuntos ligados à obsessão pela literatura e pelos livros. Lançamento em maio.

Meu conto, “Inseto”, é sobre um garoto que larga a faculdade e passa o dia em casa fumando bagulho. Está começando a se virar vendendo pros vizinhos quando uma pessoa que ele nunca viu na vida aparece de mala e cuia na porta de casa e… o que isso tem a ver com literatura e com livros? Eu queria fazer uma história que não entrasse logo de sola no assunto, que apresentasse o momento em que bate em alguém, pela primeira vez, a necessidade de escrever.

escrito às 9:37 AM por giannetti

CORDA NO PESCOÇO

Hoje tem trecho de texto meu no Globo.

escrito às 9:26 AM por giannetti

29.4.05

SINTOMÁTICO

Foi o escritor norte-americano Michael Chabon quem definiu a doença da meia-noite – num livro que virou filme e num artigo que a reformulação do seu website escondeu de mim – como um distúrbio mental que ataca mesmo os que escrevem de manhã ou no meio da tarde. A qualquer hora do dia, a sensação de ser a única pessoa acordada na madruga, olhando pela janela de casa um céu noturno. Um tipo de “insônia emocional” – palavras dele – ligada ao cálculo de todos os azares possíveis e implausíveis, a insistência em pensamentos infrutíferos sobre assuntos que devem ser abandonados antes que todos os seus amigos te abandonem porque não agüentam mais te ouvir falando disso; e também a propensão a dar ouvidos a tudo, até a uma mosca que zanza dentro de uma garrafa vazia de Coca-Cola.

E os vizinhos – nada. Dormem como a gente menos esquisita que fingem ser ou sofrem da insônia comum. Aquela que a TV resolve, que não vai gerar duas ou duzentas páginas cheias de letras que podem ir pro lixo ou não. Os vizinhos saíram. Talvez escrevam livros melhores com o que vêem na rua.

Se isso fosse considerado produtivo, ok. Ok – se tivesse um capítulo resolvido pra cada noite dessas e sua gama de barulhos miúdos tipo brasa de cigarro queimando e um único grilo perdido no vão dos prédios. Às vezes um tiro longe, “forças especiais”, ou os fogos, coisa chegando lá em cima. Os móveis estalando e vem uma teoria mais absurda que a outra em fila indiana e sem o suposto efeito sedativo das ovelhas que nunca conheci quem contasse.

E o vício numa música só ou numa determinada seqüência de músicas repetida a noite inteira, embalando algum possível transe ou interrompendo uma idéia remelenta que deve ser esquecida, sim. Pode ser que as coisas fiquem mais claras depois. Os barulhos miúdos continuam, só um pouco abafados pelo som baixo, são melhores, sussurros de paranóias, um cantor de folk americano afogado, outro cantor de folk americano suicida, ou foi a namorada que lhe enterrou a faca no peito (cantor de folk não comete haraquiri), uma cantora americana que talvez durma na cama do Michael Chabon enquanto ele fica acordado escrevendo essas coisas (havia um link pra Aimee Mann no site do autor, mas talvez sejam vizinhos ou ela é o som que fica no repeat das meia-noites doentes dele), um cantor de folk fanho que está na trilha sonora do filme feito a partir do livro de Michael Chabon.

Outro sintoma da doença da meia-noite é a mania de amontoar coincidências (quem sabe fazer uma história com elas), estranhos paralelos entre elas, (“Strange parallel”, o documentário sobre o cantor de folk suicida)… dia e noite.

“Quando entramos de novo na cozinha, a festa estava acabando…” Letras pretas no papel branco, você continua em casa, idiota.

escrito às 4:44 PM por giannetti

22.4.05

FRAGMENTOS DE UM LIVRO ROUBADO

Faulkner: O artista não tem importância. Só o que ele cria é importante, já que não há nada de novo a ser dito. Shakespeare, Balzac, Homero, todos escreveram a respeito das mesmas coisas, e, se tivessem vivido mais mil ou dois mil anos, os editores não teriam precisado de mais ninguém desde então.

Pergunta: A individualidade do autor não é importante?

Faulkner: Importantíssima para ele.

***

Pergunta: O senhor mantém um caderno?

Forster: Não, eu o consideraria impróprio.

Pergunta: Mas o senhor se utiliza de cartas e diários?

Forster: Sim, isso é diferente.

Pergunta: Quando o senhor vai, digamos, ao circo, seria capaz de pensar: “Que interessante seria colocar isso um romance?”

Forster: Não, eu o consideraria impróprio. Nunca penso “isso poderia ser útil”. Não creio que seja correto para um escritor fazer isso.

***

Trechos extraídos do único volume que já tomei emprestado de alguém que não conhecia e, portanto, não devolvi. Tecnicamente, isso é roubo. Estávamos, eu e um grupo que agora se espalha por pontos diferentes do planeta, numa festa num estúdio em Laranjeiras. A biblioteca ficava no subterrâneo ao qual se descia por uma escada do tipo submarino (se preferir uma imagem menos cinematográfica, posso dizer que era uma dessas escadinhas de cama beliche infantil pregada à parede). Naturalmente, já era bastante difícil descer e subir a escada enquanto estava sóbria e a coisa piorou ao longo da noite. Não obstante – hoje eu vou gastar todos os termos que não uso nunca para não conspurcar (taí, conspurcar) a linguagem “rápida” que demanda o realismo corrente; esses palavrões ofendem os puristas do real – as pessoas saracoteavam da sala pra biblioteca, que ficava exatamente embaixo dela, e pra cima de novo pra buscar bebida. Os dois ambientes eram divididos por um vidro transparente: do subsolo, o chão-teto mostrava o que as mulheres haviam trazido sob a saia; de cima, o ângulo ajudava a cavar mais os decotes. Todo mundo achou o chão-teto transparente uma puta idéia e ficava transitando de um cômodo pro outro, dando tchauzinho pelo vidro. Nessa época, a urgência era só uma força sem alvo, sem direção – bandas, música, pintura, gravura, foto, texto; alguns faziam tudo ao mesmo tempo – nada, nada era mais urgente que fazer essas coisas nem tão necessário que não pudesse esperar a gente acordar, beber café, folhear o jornal, ler um pouco de um livro, escrever alguma coisa despertada pela leitura. E, hoje, qualquer bobagem feita nas condições frouxas que o tempo oferecia então me parece extraordinária. Do resto todo, depois, muito se dissolve na rotina: até as festas passam a se encaixar no cotidiano com uma sincronia monótona que tira todo o gosto da palavra “festa”. Na rotina cronometrada, a ressaca é sempre mais memorável que os acontecimentos da noite anterior.

Por isso é que eu me lembro de ter descido e subido várias vezes a escadinha com cuidado pra não embaralhar os pés nos degraus estreitos, segurando com uma das mãos nos que havia pisado e com a outra levando um copo de plástico e o maço do cigarro. Numa das minhas viagens ao mundo subterrâneo eu encontrei esse exemplar do volume um de “Os escritores – Históricas entrevistas da Paris Review” (Companhia das Letras), deitei no chão e comecei a ler. No final da noite, vendo que eu ainda não tinha desgrudado do livro, o fotógrafo que ofereceu a festa me disse pra eu levar e ler em casa com calma, então meti “Os escritores” despreocupadamente dentro da bolsa. Mais tarde descobri que a casa não pertencia ao fotógrafo, nem a nenhum parente de qualquer um dos meus amigos. Eu nunca soube de quem era a biblioteca e fiquei com o livro pra mim.

Sim, tecnicamente um roubo. Mas foi há uns dez anos e eu duvido sinceramente que o proprietário lesado leia isto e reconheça na minha descrição a sua biblioteca transparente e se dê conta do furto não-planejado. Só por isso que eu conto. E pra poder usar uma frase arrogante logo de manhã (dizem que é bom gastar essas coisas logo que a gente desperta; assim poupamos quem nos encontra mais tarde): discordo de Faulkner. Mesmo que Shakespeare, Balzac e Homero tivessem vivido mais dois mil anos, os editores e o mingüado público leitor continuariam precisando de outros escritores, sempre. Por excelentes que fossem – e continuamente – o leitor ia se encher da monocultura dos clássicos, que, vivos, opinariam sobre tudo como caetanos eternos. E eles, os autores, de repente não teriam mais a urgência de escrever, perderiam o que o Raimundo Carrero chama, nas suas oficinas, de “impulso”. Viveriam aquela eternidade borgeana – um trio mudo e esquecido da sua força. E, se continuassem na ativa, todo mundo que precisa de livros ia continuar renovando a sua curiosidade – leitores são uma raça infiel de devoradores de xerazades – querendo sempre saber, dos novos narradores, o que acontece depois, e depois e depois até o final dos tempos.

Mas concordo com Faulkner, após ter gastado um pouco da arrogância ao discordar: a individualidade do artista não tem importância, senão pra ele mesmo. Sem ela, não cria nada especial.

escrito às 9:26 AM por giannetti

20.4.05

escrito às 11:24 PM por giannetti

de vez em quando eu vejo um acesso de provedor dos estados unidos nas estatísticas de visitantes do site e imagino que pode ter sido a thabata ou o nicholas, o roger, a lu ou o paya, até o calvin, o calvin hoje certamente já domina e da última vez que eu o vi ele só tinha crescido até a altura dos meus joelhos. já mandei alguns e-mails e scraps, os frota e a lu andam mudos faz tempo, então isso é um recado aberto.

hoje em vez de sair cedo e suar, acendi um cigarro às nove, tendo ido dormir mal às quatro, ontem olhei os classificados do village voice, dizem que agora o bom mesmo é a austrália ou até o quebec (eu ia dizer que é o “quente” mas…)

vou reclamar meus direitos ali na universidade e já volto. quem sabe quando eu tiver o diploma?

escrito às 10:02 AM por giannetti

19.4.05

Ficou mais escuro no estacionamento de repente, a lâmpada do poste em cima do orelhão começou a piscar lá no alto como se a qualquer momento pudesse sacanear ainda mais o cenário e cuspir cacos de vidro afiados na cabeça do cara que estava falando no telefone. O celular inútil no bolso e tudo quase breu. Tentava dizer alguma coisa, a ligação não estava ruim mas às vezes ele fingia que estava, pra contornar os silêncios e disfarçar as fraquejadas na voz. Não queria que ela pensasse que era frouxo. Idiota, tudo bem. Frouxo, não.

– Sabe o que que é? Se você passa muito tempo sendo tratado igual idiota, você começa a agir igual idiota.

– Só se você deixar, Lu.

– Você me acha idiota? Você acha que eu sou um palhaço?

– Não acho – ela interrompeu, forçou um suspiro, retomou – não acho, não. Acho só que você dá mole.

– Eu não dou mole. Eu deixo cada um com seu cada um, não mexo com ninguém e espero que ninguém mexa comigo.

– Esse é teu problema.

– O que, tu acha que eu devia ser um escroto? Você preferia que eu fosse um escroto?

– Pára com isso, Luciano.

– Você me chamava de mô.

– Quê?

– Você me chamava como? Você já viu? Agora é “Luciano”.

– Deixa de ser maluco.

Ele ficou calado, engoliu alguma coisa, seco, olhou por detrás do ombro para o restaurante e verificou que o abajur ao lado da caixa registradora devia estar aceso porque fazia um borrão amarelo refletido na janela, possível seu Acácio calculando, se segurando pra não sair atrás dele com meia garrafa quebrada na mão. Ou era o irmão repetindo a cena de botar um gole na boca, retorcer a cara e cuspir o líquido na pia. A mancha no vidro parecia ampliada com o foco de luz que brilhava do lado de dentro e ele não conseguia ter certeza qual dos dois. Tinha limpado a janela de manhã e agora já estava como se dez cavalos tivessem feito fila pra lamber, babar, embaçar a vidraça com o bafo podre. Possível um dos que vão lá, mulas, parece um pé-sujo de faroeste o restaurante que o pai levou a vida inteira pra agora um saloon de faroeste parece parece parece que a qualquer hora vai entrar um cara escarrando no chão e pedindo cachaça etc. que bom porque essa cerveja tem gosto de mijo e preço de ouro. “É tudo amarelo, palhaço, mas não custa a mesma coisa”, Léo cuspiu.

– Tem alguém aí.

– Não fode, Luciano, bebeu?

– Quem tá aí do teu lado?

– Ahn, tá, quem você acha? O cachorro? O cachorro tá aqui, mas não tá dando a menor idéia pro que eu digo. Você também não. Às vezes eu acho que você e ele têm a mesma capacidade de concentração.

– Eu te liguei por que eu tô com um problema sério e você fica de

– Eu não tô de sacanagem, já não te disse o que é que você tem que fazer?

– E você acha que adianta?

– Não dá é pra você ficar reclamando e não fazer nada!

– Mas a única coisa que eu tenho pra mostrar que eu fiz só o que me mandaram é uma porra dum papel com a minha letra.

– Da próxima vez você pede pra ele escrever o que ele quer e assinar embaixo. Deixa de ser besta.

– O Léo tá aí, não tá?

Dessa vez ele teve que tapar o bucal do aparelho com a palma da mão e respirar fundo, bem fundo – igual um fraco, idiota, boçal, besta incompetente (respirar não ajuda a recuperar seja lá o que for que a gente perde nessas horas).

– A próxima vez não interessa! Interessa que tá acontecendo agora. Tem um prejuízo, é a mesma coisa que se eu tivesse comprado mijo em vez de cerveja. Entendeu?

– Eu sei, meu –

– É uma bosta! E agora, porra? Eu só tenho isso, botei ali o que ele mandou e não dá pra suspender. São, tipo, R$ 6 mil mais frete e o cara não aceita devolução. E quer saber do pior? Essa cerveja é uma merda mesmo.

Aqui, como não tivesse amostra do produto à mão, desejou que a lâmpada em cima do orelhão realmente estourasse – o barulho, podia ser quebrava uma garrafa, aí era um cara descontrolado num estacionamento às escuras em vez de um idiota dependurado no orelhão. Mas não foi.

– E o Léo, você acha que ele vai deixar você se fuder sozinho por –

– Olha, se ele tem coragem de dizer pro coroa –

A ligação ficou ruim outra vez.

– se ele tem coragem, entendeu, de dizer, e diz na minha cara –

Cada vez pior.

– mais cedo que eu e diz na minha cara! –

– Diz porque você deixa. Por que que você nunca falou nada? Olha, eu tô aqui desde –

– mente horário acha que vai dizer que foi ele que mandou pedir mijo –

Agora ela cobriu com todas as mãos os buraquinhos do telefone e afastou a boca. Ele teve certeza de ter ouvido o irmão dizer gostosa do outro lado da linha, mas Léo devia estar falando de alguma coisa que a Patrícia – na cozinha quando ele chegou de repente e nem sabia – no telefone com ele – e era isso mesmo que eles iam dizer depois quando tentassem – parece maluco. Luciano entrou no restaurante e disse para Acácio que ia anunciar o próprio carro logo cedo, pouco tempo, dias pra equilibrar o caixa de novo.

escrito às 11:29 PM por giannetti

18.4.05

É DROGAS

In 1943, when she was working in Hollywood, Dorothy Parker was one of the pre-eminent figures in the American intelligentsia. Her poems and critical writing in The New Yorker and Vanity Fair had made her a force to be reckoned with in highbrow circles; even if she wasn t revered in academic circles at that time, she was still a shining example of the liberal, educated mind.

So a confession she made that year about the uneasy relationship that has always existed between intellectuals and the popular art form known as the comics was both startling and revelatory.

“For a bulky segment of a century, I have been an avid follower of comic strips – all comic strips”, – Parker wrote. “This is a statement made with approximately the same amount of pride with which one would say, “I´ve been shooting cocaine into my arm for the past 25 years.” – Do site do jornalista canadense (CANADENSE, Fred) Jeet Heer.

Pra continuar no assunto, k-punk, blog de estudos culturais renegados do teórico Mark Fisher.

p.s.: É DROGAS, p.a. (Plural abjeto)

escrito às 9:09 AM por giannetti

17.4.05

P.h.DOTCOM

Naquele jornalzinho de distibuição gratuita na MegaMaçã fala-se em professores disponíveis 24h.

Enquanto isso, em algumas federais, parte dos professores não estão disponíveis hora alguma. Aqui, o “sistema” (se existisse, de fato, e não fosse apenas um bom gancho de discussão levantado por, repito, um jornalzinho de distribuição gratuita) representaria um avanço menos hipócrita. Online, ao menos, os professores faltosos assumiriam seu status virtual.

***

Na américa de cá – se é que as referências geográficas ainda valem de alguma coisa – o meu trabalho neste fimde é em parte via web e com um professor-autor que lança no próximo mês um guia para escritores. Adianto uma coisa: o livro é bom e o mestre aparece mesmo pra dar aula em seus workshops, ao contrário de

etc. Vou parar de fingir que critico com elegância velada a ECO, até porque frescura não leva a nada – basta analisar a maioria das teses escritas de acordo com os padrões exigidos pra verificar a inutilidade dessa virtude superestimada na produção de argumentos que pesem mais que uma pitanga. Favor liberar meu diploma. Nâo há qualquer justificativa possível para o atraso se estender ainda mais, nem neste mundo nem em Júpiter nem dentro da cabeça de algum ex-coordenador porventura perdida para sempre em viagem extra heavy de sálvia. Favor fumar menos. Favor espectum. Favor. Ora, porra, desejo ardentemente aprofundar meus estudos na acadimia, desta vez estendendo meus braços bem torneados em direção a questões que levem P., nosso Hackmuth honorário (relutante), ao riso e às lágrimas, não necessariamente nessa ordem.

escrito às 10:19 AM por giannetti

12.4.05

DELIBERATE SUSPENSION OF JUDGEMENT

Uma parte do que eu escrevi esses meses vai aparecer agora (duas antologias, duas revistas e um site). Outra parte, graças a Deus, não vai. Tem coisa em dois cadernos, pra ser reescrita. No computador, juntei uns fragmentos antigos numa pasta sem nome. Dois contos interminados, trechos de uma coisa indefinida. Os e-mails eu perdi na última formatação. Na falta desses leio as cartas do Graciliano. Queria ter os e-mails de volta mas ninguém guarda isso. Sobraram meia dúzia, nem todos de pessoas de verdade.

***

El Lutta,

I hope it´s not late to answer your message. It made me happy to read it at work, where I happened to be utterly bored too. Your message got me to imagine the whole scenario perfectly, with the saggy double bed and the radio on. Are you still in Kosovo? How long have you been away from Dublin now?

Original Message on Wed 10 Jan 2001 12:35:21 —

Hi, not sure as to the absolute sillyness of this, as apperantly you have not been online for the last few months. At any rate will simply be brief and hope that the summised total of my profile will predictably inspire you to engage in dispatch to someone halfway been Cairo and Constantinople. If however it doesn´t shame, as you sound very interesting. All the best.

Lutta Daire

***

forms.of.distorted.thinking.anxiety.disorder

Justo hoje que, de manhã ainda mais cedo, cruzei com a minha cara no espelho do banheiro no momento em que eu – e a minha cara – levantávamos de um mergulho à lixeira pra recolher o saco cheio de papel higiênico usado. E quando cruzei com esse rosto, que é o mesmo rosto que eu trouxe pra frente do computador, você me pede notícias? Não sei te escrever. Porém, sou um idiota completo… Nada lhe faltará: tempo claro, silêncio na vizinhança, nariz congestionado, geladeira vazia. Pão com manteiga, arroz com feijão, eu você. Aceita as coisas como eu sei dizer, combinações óbvias.

escrito às 12:06 AM por giannetti

9.4.05

BONDE DA DESIERARQUIZAÇÃO

Quer dizer que eu fui dormir loca depois do show do Mr. Catra e acordei “excelente”? De acordo com texto publicado no Prosa e Verso, do Globo, eu e o Catra temos pelo menos uma coisa em comum:

Inovações sofrem com preconceito
Beatriz Resende

Para a minha geração, essa categoria de gente estranha que prefere conversar sentada, não gosta de cerveja skol e usa telefone celular só para falar, observar a produção literária contemporânea é experimentar ainda agradável estranhamento diante da sensação de respirar os ares da liberdade. Com todas as agruras do cotidiano, atravessado pela violência de cada dia, produzir cultura em estado democrático, no convívio em liberdade, é outra coisa. Não me venham com os resistentes entre quatro paredes, poéticas do exílio ou criatividades de revolucionários perseguidos que não me convencem. Para a arte, a saúde da democracia será sempre melhor do que a fumaça das perseguições. Hoje, na América Latina, estamos superando, de formas diferentes em cada país, o trauma e o luto da pós-ditadura. As heranças que nos couberam, da corrupção ao narcotráfico, escurecem ainda o quadro, mas não podemos ignorar que vivemos a predominância de governos à esquerda num continente onde as vozes dos excluídos têm, forçosamente, que ser ouvidas, inclusive no sacralizado espaço da literatura.

Na ficção contemporânea a escrita cifrada, a opção pela alegoria, o domínio do subtexto sobre o texto, o uso da literatura como tribuna e espaço de denúncia são escolhas, entre outras. Como é decisão autoral o recato excessivo, a pouca ousadia que em alguns momentos me incomoda.

O efeito mais imediato da vivência democrática me parece ser a multiplicidade, a convivência de propostas as mais diversas, a pluralidade que se revela na linguagem, nos formatos, na relação com o público e até no suporte. São muitas as possibilidades que se oferecem a quem escreve, sem as restrições dos regimes autoritários, da submissão ao pensamento único, da necessidade de ceder a cooptações.

O interesse quase ávido por novos autores

Não que os ficcionistas não enfrentem obstáculos. Além do saudável fantasma pessoal a atormentar cada um ¿ companheiro inevitável para a sobrevivência da obra ¿ outros vilões continuam à espreita. O chamado ¿mercado¿, ou a sedução do mercado, parece ser o maior. Sem ele, porém, o livro não circula e, no caso da ficção, situação bem diferente do ensaísmo, percebo um interesse quase ávido por novos autores. Se vão vender ou não são outros quinhentos.

As editoras se multiplicaram, com as pequenas encontrando vantagens em ter perfil próprio. As livrarias estão mais sedutoras, as festas e bienais repercutem nas cidades. Há prêmios literários inclusive para iniciantes. Assim se revelou Santiago Nazarian, já no terceiro romance aos 28 anos.

Evidentemente, a ampla oferta de qualidade pode dificultar. Com a admirável constância de Antônio Torres, Sérgio Sant¿Anna melhor a cada safra, Silviano Santiago se renovando sem parar, a alta qualidade da obra de Bernardo Carvalho, Milton Hatoum fazendo valer a pena o tempo de espera e o impactante Luiz Ruffato lançando dois volumes de uma vez, fica difícil para o leitor acompanhar a meninada.

A grande novidade em termos de livre acesso ao público, no entanto, são as publicações eletrônicas. Os sites dedicados à literatura têm tratamento profissional, são visualmente agradáveis, de acesso rápido e oferecem vantagens. A primeira é a eliminação das distâncias geográficas. Escritores de todo o país tornam-se acessíveis aos leitores sem necessitar da passagem, antes obrigatória, por grandes centros e nomes como o paraense Edyr Augusto e o pernambucano Raimundo Carrero aproximam-se do debate literário.

Até a academia ensaia aparição na nova mídia

O mais interessante na relação que a publicação on-line oferece é a desierarquização entre textos e autores, com consagrados e jovens no mesmo espaço virtual. Ferreira Gullar ou Lygia Fagundes Telles partilham a tela com as descobertas de Marcelino Freire no Portal Literal. No Paralelos, de Augusto Sales, darlings da ficção convivem com novatos; a excelente Cecília Gianetti, inédita em volume próprio, publica com o já reconhecido Nélson Oliveira. Isso não impede que os ficcionistas participem de edições em livro como ¿Paralelos,17 contos da nova literatura¿ ou ¿Prosas cariocas¿. Até a academia ensaia a aparição na nova mídia com um Fórum Virtual de Literatura, ancorado na UFRJ.

No entanto, parte da vida literária parece conviver mal com a desierarquização, seja pelo uso das novas mídias, seja pela presença nos tradicionais meios de comunicação. Evidencia-se uma dificuldade em lidar com a pouca necessidade de mediadores, intermediários outrora poderosos ente autor e leitor. Falo da resistência da crítica diante de novos autores e espaços. Mais do que isso: refiro-me, sobretudo, à escassa renovação, com poucos jovens intelectuais ousando se expor, enfrentando com independência seus pares, seus contemporâneos. Não consigo deixar de ver conservadorismo nos que acreditam que a inteligência extinguiu-se sobre o planeta com o século que passou, mas é aos jovens teóricos que cabe o protagonismo neste debate. No vácuo que se faz, termina havendo espaço para a surpreendente sobrevivência da crítica preconceituosa, capaz de misturar valores pessoais atrasados com análise literária.

Não é simples a tarefa do pensamento teórico de acompanhar a safra atual de criadores, especialmente quando, como dissera Sartre nos anos 60 ¿as bocas falam por elas mesmas¿ e a função do ¿intelectual público¿ está sendo, digamos, reformatada. Cabe à crítica estatuída, se quiser fazer sentido, aproveitar as vantagens do convívio com a pluralidade e aos nossos jovens intelectuais assumir a prática trabalhosa da reflexão crítica consistente. Espaço para isso ¿ aprendemos com o passado ¿ a gente inventa.

BEATRIZ RESENDE é crítica literária

escrito às 7:03 PM por giannetti

8.4.05

JOVEM PAN

Este mês tem texto meu na revista da Jovem Pan, um conto (“Paulista, como tá você?”) e uma matéria (sobre a M.I.A.). Não considerei o conto um frila comum: escrevi com muita vontade de conquistar o freguês. É o público que mais me interessa – a maioria ainda estuda, escuta o que toca no rádio, lê o que por acaso cai na sua mão. Como é que vão ler esse conto, que escrevi sobre isso mesmo – sobre as referências que voam por aí, sobre as que a gente escolhe agarrar e o motivo (ou a falta de motivo)? Sobre ler ou não ler. Será que vão ler?

escrito às 2:10 PM por giannetti

OLHEIRAS

Os amigos por aí cansados, um pouco menos vinte anos e mais o dobro, mais adiante: é cabelo branco na cabeça e vinco pra pensar em Botox desde já. Brinde precoce – é trabalho, todo mundo diz. Sinal que há emprego, ou frila. E que bom que existe. Mas não é a bonança que sugere texto de Ricardo Kotscho publicado No menino. Em geral, acredito que o país não chega a celebrar o terno branco de Jô Soares e a tímida melhora do mercado de trabalho para alguns nichos – só alguns – da imprensa.

Pra não generalizar como ele, digo só dos que conheço: tá ruim mas tá bom.

escrito às 2:09 PM por giannetti

LONGA JORNADA NOITE ADENTRO

Revisando um livro que não dá sono. Não é falta de modéstia, não: o livro não é meu.

escrito às 2:05 PM por giannetti

3.4.05

MÚLTIPLA ESCOLHA

Opções de contos pra enviar ao PACC, que está reforçando seu espaço de literatura na web. Trechos:

A vida secreta dos galos de crista vermelha: Seu irmão mais novo lhe passa as mulheres escangalhadas, as que precisam de conserto de algum tipo. Desde uns 15 anos gosta de ajeitar relógios, rádio-gravadores, aparelhos de ar-refrigerado, garotas, máquinas de costura, liqüidificadores. A habilidade de Ivan com aparelhagem doméstica defeituosa o fez atraente e indispensável para proprietárias ou não de eletrodomésticos defeituosos mas já não pode mais apertar parafusos por aí. Não agora, primeiros meses de apartamento dividido com a baixinha que deixou descer pra buscar gelo nos posto de gasolina (é do lado de casa, e ela não é nenhuma mulherzinha frágil e famélica), três anos de namoro. Contenta-se em imaginar uma luz difusa e cor-de-rosa que emana de um furo na sua camiseta, escapulindo direto do coração, toda vez que apresenta a Felipe uma mulher maluca. Sente que é generoso e deseja o bem a todos. Afasta pensamentos impuros sacudindo a cabeça no compasso do som que estiver rolando ou estalando aberta uma nova lata de cerveja. Anda pela sala enchendo os copos dos amigos e a gente às vezes tem a impressão de que ele está com uns cinco cigarros acesos na boca ao mesmo tempo. Felipe parece a sua sombra, uma versão mais larga, mais velha e sem jeito de Ivan, pra lá e pra cá atrás dele.

Judith: Pouca idade não se aponta nem pela turma nem por qualidade de pele; é pela cara de quem espera boa notícia. O rosto que ele teria depois de engolir sapo, sapo dos grandes, esse rosto acabado ele ainda não possuía. Não tinha a cara que lhe tomaria a cara depois que tivesse se arrependido. Do quê? Não importa do quê ou como nos arrependemos, mas o arrependimento, apenas. Depois dele não tem volta e ninguém nunca mais é novo de novo.

As imaginações disfarçadas: A. imaginou, muito suavemente, que lhe era feita a pergunta, e feita, especificamente, por B. Não imaginou de uma maneira agressiva, ruidosa. Imaginou disfarçadamente, sem fixar o trabalho mental de maneira obstinada e clara sobre o evento imaginado. A imaginação disfarçada, ou disfarçata, deve surgir espontaneamente e desaparecer no segundo seguinte em meio a outros pensamentos corriqueiros sem que a ela se dê qualquer importância além de uma breve constatação. É essencial o termo constatação ¿ o evento imaginado disfarçadamente é constatado como fato corriqueiro com que se pode contar garantidamente, como contamos com o jornal na porta de casa todos os dias, salvo aqueles que não assinam qualquer periódico e têm mesmo o hábito de repudiar a imprensa. Sendo assim, quando A. percebeu que sentiria imenso prazer em que B. se interessasse pelo que A. faria no fim-de-semana, pegou um vôo no Santos Dumont rumo a São Paulo, onde passaria o sábado e o domingo fora da rotina, obliterando aquele instante breve em que desejou ouvir a pergunta “O que você fez no fim de semana?”. Não é fácil afundar a memória e esperar (sem esperar) que ela volte à tona quando menos se espera, travestida de fato concretizado no futuro. É um processo realmente complicado mas eficaz. O problema é que nem sempre desejamos o que imaginamos.

escrito às 12:54 PM por giannetti

1.4.05

JUI KUEN

Micro de casa – o que se usa para escrever – devidamente consertado por Badass Tamarindo, herói pessoal da semana (não só pelo domínio que demonstra sobre as máquinas indóceis mas por uma charmosa conversa sobre a Oceania).

Outro que hoje merece algum tipo de menção honrosa é Matias, por explicar o óbvio e obter, em troca, o justo: trabalhar de casa pode ser infinitamente mais produtivo, principalmente para quem lida com texto e cultura.

Sua bravura me lembra o nobre guerreiro Wong-Fei-hung, que tornou-se uma lenda vencendo seus oponentes utilizando uma técnica pouco ortodoxa. Obrigada.

escrito às 11:48 AM por giannetti
28.5.05

INCENTIVO

Já sei: você desistiu do romance e vai escrever um livro de auto-ajuda pra gente.

escrito às 12:16 PM por giannetti

ENJÔO NA PROA

Podia ter sido um passeio de barco às 10h da manhã em Angra mas sair às 6h? Mas sair? E o sono desregulado, o STYLNOX [a provável piada do laboratório, pancadas de aço, steel knocks] opportunity knocks, deixa ela sangrar os nós dos dedos até desistir. É quase domingo, o sábado ilude mas o domingo traz ranço antecipado, fim da esmola de tempo conhecida como fim-de-semana, façam pedidos arremessando centavos que vão quicar e afundar na água. Mas ia ser bom… está sendo [ainda não é meio-dia], imagino que o barco agora lasca uns bons rasgos de espuma branca no meio do nada esverdeado, quebra o espelho, e vocês dão braçadas sob os cuidados dos oficiais subordinados pra quem fim-de-semana não faz diferença. Depois um almoço e opportunity knocks e talvez ensinar na Escola Preparatória, olhar as águas paradas de dezenas de olhos destinados à ascender [um ou dois pares verão refletidos um dia no espelho um almirante]. De qualquer jeito, vocês sabem que eu ia vomitar.

escrito às 11:28 AM por giannetti

26.5.05

Passo apertado, depois da praça a Marquês de Abrantes vai rápida, sinal vermelho pára os carros e os carros buzinam na pressa da quarta-feira pré-feriado. Sinal verde pra mim, já chego aí, pede mais uma e sossega, você e o outro na frente do boteco de fachada ridícula, o elefante cinza pintado e o trocadilho Trombada pairando sobre as cabeças ainda cheias de cabelos, vultos de mancadas e possíveis acertos invejáveis – de pé e de barba, com excelente disposição apesar do chuvisco ameaçador, sem nada pra dizer que azede o meu começo de noite, querem saber se já estou perto, mulher é foda, me apresso e faço a narrativa acelerada do trajeto pelo celular, eles não confundem a velocidade das minhas palavras com agressão, conhecem a minha língua e a corrida dos sem-carro pra chegar num lugar na hora marcada, tô a pé, mantendo a locução de jogo de futebol, tô chegando, ninguém sob a bênção do elefante cinza do Trombada me atribui tensão na voz, me aguardam de pé, de barba. Entre amigos, pressão só no chope.

[o velho de ontem, Miguel, diz que o Flamengo devora bêbados nos espelhos do Lamas e oferece muitas mesas, mas nenhum lugar para ir.] Acabamos saindo do bairro, um dos amigos some sozinho dentro do aguaceiro, dá as costas após um espanto quieto, como se de repente tivesse dado conta de si mesmo pela primeira vez. Ficamos e contamos as ratazanas do estacionamento – eram vinte e uma, se as duas com manchas de óleo de carro no lombo não forem a mesma -, esperamos roendo fórmulas precárias sobre as coisas que escolhemos pra nos dar sentido: pessoas, um livro, o aluguel.

A chuva de vento desgastou a manchete colada na banca de jornal,”Anti-poetas trágicos sem verso mergulham na chuva pra pescar chavão.” “Moça de cabelos pretos compridos e anáguas resgata náufragos: ‘só Deus sabe como estavam secos!’, diz “. “Anti-poetas confessam: tivemos medo da palavra”.

Quando cheguei em casa perdi o resto da madrugada e foi a terceira ou quarta ou quinta vez sem sono na semana, perdi a conta das semanas iguais a esta, toda noite até o despertador berrar pra quê, se ninguém dorme aqui, nem os postigos remelentos, nem as prateleiras de olhos esbugalhados, nem os armários escancarados, fileiras e caixas de livros como pestanas pesadas decidindo que não vale a pena pagar-lhes o teto se isso me bota em dívida comigo.

[a velha de hoje, Kamille, adivinhou a minha insônia, “o sono vem em gotas / e o amor, / enxurrada”], ouvimos, muito tempo atrás e de graça, os coroas tocando na loja de discos, e passamos tempo sem culpa. Essa palavra, nostalgia, não – aí era o fim da picada, ainda não temos direito a ela, estamos como novos, nenhum dia se passou desde que nos vimos pela primeira vez no espelho e, no entanto, nos conhecemos tão bem. Aí o amigo sumiu no meio daquela chuva carregando a idade no bolso do casaco de lã.

Quem também faz aniversário é o meu livro atrasado, uma múmia imobilizada por um monte de coisas que eu tenho que mandar pra casa do cacete.

escrito às 2:57 PM por giannetti

21.5.05

DAMAS GRÁTIS ATÉ AS DEZ

Reportagem de Cristina Zarur no Globo sobre o livro 30 mulheres que estão fazendo a nova literatura brasileira.

Eu tinha resumido minha resposta a duas perguntas feitas pela repórter num item só, dava muito bem pro gasto. O número 2 que aparece lá na materinha foi reply de um e-mail que dei em seguida quando ela quis saber por que eu não tinha desdobrado a resposta em dois itens. Por isso ficou repetitiva, eu já tinha dito tudo que queria dizer acima. O copy & paste da explicação da explicação dá impressão de que respondi de qualquer jeito. Sou mala, colega.

Neste domingo, 22, tem o lançamento do livro na Bienal, de 20h às 22h, no auditório Carlos Drummond de Andrade. O ambiente vai estar meio insalubre (mulher em excesso, tipo bailão damas grátis até meia-noite) e, se a Record for bacana, vinhozinho pra aloprar de leve. Apareçam.

escrito às 11:13 PM por giannetti

LEITORA ILUSTRE

Isabelita dos Patins passou hoje pelo estande da editora Casa da Palavra. Comprou um exemplar do Prosas cariocas.

escrito às 10:39 PM por giannetti


fotografia de diane arbus

escrito às 10:30 PM por giannetti


“se essa mancha escura for o mar…”

escrito às 10:24 PM por giannetti


hora do recreio

escrito às 10:23 PM por giannetti

PAULISTA, COMO TÁ VOCÊ?

A biblioteca estava fechada para obras. Quando estava aberta, era um deserto: prateleiras refletindo o currículo árido e o jeitão seco como até mesmo os textos não-chatos eram ensinados em sala de aula. Fechada, cercada de sacos de cimento e pás de ferro, a biblioteca combinava com a nuvem cinzenta que cobria toda a escola mesmo nos dias mais radiantes.

Não sei em qual edição da revista da Jovem Pan saiu meu conto, o que dá título ao post. Mas assim que o editor me disser, eu aviso por aqui. O trechinho acima saiu desse texto e fala de uma entre as várias escolas por onde passei.

O único banco raramente ocupado no recreio do Colégio Cenecista Capitão Lemos Cunha ficava no pico mais alto do pátio e dava para a estrada do Galeão e para o muro que, ainda hoje, cerca uma reserva militar.

etc etc etc.

escrito às 10:15 PM por giannetti

17.5.05

Tanto tempo sem atualizar quer dizer muito trabalho, epifanias falsas ou não e mais trabalho, trabalho, trabalho.

***

Encontro A. numa festa, diz que o conto que entreguei a ela num almoço parece um primeiro capítulo, pede sequência. Engrenou na leitura e quando chegou à última página, concluiu que não era o fim da história. Deve estar certa. As certezas dos outros são reconfortantes.

***

As melhores coisas da Bienal pra mim até agora:

– O espaço Imaginário do Autor, com a Rachel Valença.
– Rever os amigos, do Rio e de fora.
– A moça da cerveja que nos adotou. Muito gratos abanamos o rabo do alto dos nossos banquinhos no bar, bando de cachorros sem dono.
– A descoberta de uma característica que eu disfarçava sendo expansiva: a timidez.
– Helen, leitora que se apresentou no estande da Casa da Palavra e levou um “Dentro de um livro”.

***

No domingo estarei lá de novo para o lançamento do “30 Mulheres”, aquele livro da Record que tem um título enorme e 30 autoras de diferentes faixas etárias, estilos e estados do Brasil. Meu conto nessa antologia se chama “Figurantes”, fala dos adjacentes sem paixão, e dos seus opostos, sempre temos medo de que estes tenham ficado no passado, sem ticket de volta. Esperamos que não.

escrito às 5:39 PM por giannetti

5.5.05
Entrar em si mesmo, não encontrar ninguém durante horas – eis o que se deve saber alcançar. Estar sozinho como se estava quando criança, enquanto os adultos iam e vinham, ligados a coisas que pareciam importantes e grandes, porque esses adultos tinham um ar tão ocupado e porque nada se entendia de suas ações. Se depois um dia a gente descobre que suas ocupações eram mesquinhas e suas profissões petrificadas, sem ligação alguma com a vida, por que não voltar a olhá-los outra vez como uma criança olha para uma coisa estranha, do âmago do seu próprio mundo, dos longes de sua própria solidão que é, por si só, trabalho, dignidade e profissão? – Rilke.
30.6.05

escrito às 12:51 PM por giannetti

FRILA

O Observatório da Imprensa afirma que ser frila é viver a Vida Fodona.

escrito às 12:46 PM por giannetti

29.6.05

DE OLHOS ESBUGALHADOS

É bom ter motivos pra virar a noite e não apagar durante o dia – um frila bem pago, um texto que eu não jogue na lixeira do micro e coisas do gênero alegria alegria – mas os motivos não devem ser os vizinhos do andar de cima. Acordam às 5h [ouço o despertador] e decidem jogar boliche ou praticar sapateado [nas quatro patas de seu fox terrier prodígio charlie angel devem ter atochado mini ferraduras]. Até as 8h são esses os ruídos que vêm do alto.

O zelador também acha que pode aloprar na madruga. No pátio colado à minha janela, às 6h começa a lavar as lixerias cor-de-abóbora gritante do prédio com a mangueira [o barulho dos jatos de água no plástico] rádio ligado e conversa com porteiro.

Eu vou virar a pessoa que bate com o cabo da vassoura no teto do apartamento. Eu vou virar a pessoa que joga água pela janela [com balde e tudo].

Já cheguei a ficar mais de 48h virada em junho. Acho que estou passando de novo por isso. Minhas olheiras estão fazendo aniversário. Mas vou estar mais tarde no Odeon para a inauguração da nova Livraria Dantes, botando som ao lado da Antonia Pellegrino e do JP Cuenca.

[cafeína]

escrito às 7:55 AM por giannetti

17.6.05

UM ESQUECIMENTO AZUL DA PÁGINA 26

Beijar o gato entre as orelhas é uma forma de solidão. Lavar a louça às três da manhã, apreciar muito a própria letra, ouvir a brasa comer o papel do fumo no silêncio também. Acreditar nas estrelas que passam com mais pressa. Deitar sozinho. Às vezes deitar acompanhado também. Ter um casaco de lá cinza-escuro que não lava há dois invernos. Acompanhar seriado (americano). Achar-se inadequado e esquecido ou achar-se bom demais pros outros. Possuir neste vasto mundo apenas um cabideiro. Beber destilado em copo plástico, esquecer o aniversário da amiga. (…) Telefonar a cobrar de um orelhão na chuva para outra cidade. Chamar o garçom pelo nome e ser chamado pelo nome por ele. Concordar que o rock morreu. Escrever sem expectativas, confiar no conselho da manicure, escrever cartas, não enviar cartas. Às vezes mesmo enviá-las é uma forma de solidão. (…)

Se gostou, tá .

escrito às 10:34 PM por giannetti

16.6.05

BRENO!

A amiga Kamille mandou essa mensagem e eu recomendo que leiam e espalhem. (E se liga, editoria de esportes: a história do cara é foda, tá na hora de fazerem uma matéria.)

Meu irmão mais novo, o Breno, tem 24 anos e luta judô. Mais do que isso: o Breno é faixa-preta. O primeiro faixa-preta de judô com Síndrome de Down das Américas. Um dos seis únicos do mundo. O Breno treina de segunda a sexta, um treino superpesado, fora a musculação. Por isso mesmo, quando participou de sua primeira competição internacional, no ano passado (em Clacton, Inglaterra), deixou os organizadores impressionados com sua técnica e coordenação motora. Ele luta na categoria “good judoka”, pra lutadores com 80 a 100% da capacidade motora. E venceu o torneio.

Desde Sidney, os deficientes mentais estão fora das Paraolimpíadas. Mas acontecem, todo ano, diversas competições importantes, dos mais diversos esportes, dedicadas a eles. Por ter ido tão bem em Clacton, o Breno inclui o Brasil no calendário internacional de campeonatos de judô para deficientes mentais e passou a receber diversos convites. A primeira competição seria no fim de maio, em Bradley, Inglaterra. Infelizmente, ele não conseguiu patrocínio a tempo e não foi.

Outras estão previstas. De confirmado, uma novamente em Clacton, em setembro. Seguimos procurando patrocínio pra ele. Resolvi pedir a amigos e conhecidos pra me ajudarem a divulgar, seja por email, publicando em blog, o que for. Quem puder ajudar ou tiver alguma idéia, por favor entre em contato pelo brenoviola@yahoo.com.br.

Só isso bastaria pra eu morrer de orgulho do Breno. Mas, além de tudo, ele é um cara muito legal. Provavelmente a pessoa mais legal que eu conheço. Dedicado, esforçado, persistente. Merece conquistar muito ainda.

escrito às 8:31 PM por giannetti

DIÁRIO DE ANDRÉS FAVA

– O senhor, que escrevia tão bem… – me dizia uma senhora.

(…) Sensação de liberdade, de jogo limpo, de não convencimento retórico, de demonstração e não de descrição.

escrito às 8:44 AM por giannetti

(fotos umbiguistas não serão deletadas.)

escrito às 8:16 AM por giannetti

15.6.05

TÔ DE OLHO NO SINHÔ


(eu sei que o texto tá bom mas quero que você diga!

escrito às 7:51 PM por giannetti

ACHADOS E PERDIDOS

Deixe-me ir, preciso andar, vou por aí a procurar, rir pra não chorar, quero assistir o sol nascer, ver as águas dos rios correr, ouvir o pássaros cantar, eu quero nascer quero viver… Deixe-me ir, preciso andar, vou por aí a procurar, rir pra não chorar, se alguém lhe perguntar, diga que eu só vou voltar depois que eu me encontrar… Quero assistir o sol nascer, ver as águas dos rios correr, ouvir o pássaros cantar, eu quero nascer, quero viver… Deixe-me ir, preciso andar, vou por aí a procurar, rir pra não chorar.

escrito às 6:52 AM por giannetti

E MAIS

Vai rolar lançamento de “Dentro de um livro” também em São Paulo. Aguardem notícias.

escrito às 6:50 AM por giannetti

MAIS LANÇAMENTO


christiano menezes, que assina as capas
e projetos gráficos de “Dentro de um livro”,
“Prosas cariocas”, “Geografia carioca
do samba”, “Rio Botequim”…


joão paulo cuenca observa uma dedicatória
comprida demais.

escrito às 6:19 AM por giannetti

Cêis gostam mesmo é de ver figura.

escrito às 5:58 AM por giannetti

14.6.05

DENTRO DE UM LIVRO

[o livrinho]

[o lançamento]


eu, pedro sussekind e antonia pellegrino,

rabiscando livro dosotro na argumento


mais tarde, na sala de justiça

escrito às 9:14 AM por giannetti

This speech I have, of course, invented for you out of my own head – another trick which living underground has taught me. You must remember that, for forty years I, through a chink, have been listening to the kind of stuff which you usually utter. Yes, I have been listening to it, and thinking it over, until it is no great marvel that I have learnt it all by heart, and can set it down in more or less literary form.

(preguiça de traduzir do inglês. e em russo não rolou. mas isso já diz).

escrito às 12:29 AM por giannetti

11.6.05

O DEDO É A MENSAGEM

Venho recebendo advertências de Uganda e Moçambique a respeito da maneira como eu teclo. Uso os indicadores para escrever e, por não distribuir o trabalho entre os outros dedos, imprimo força demais ao toque. Aparentemente, o barulho que faço nas teclas tem atrapalhado ritos e rotina por lá, superando os tambores tribais. Alguns chefes (de tribos) consideram esses ruídos de digitação uma afronta. Como se eu quisesse, com meus pobres dedos, ameaçar sua paz.

A ONU não vê necessidade de intervenção: a organização afirma que só será considerado incidente diplomático significativo se eu erguer o dedo médio em represália às advertências.

escrito às 2:54 PM por giannetti

8.6.05

TEMPO LERDO

É isso mesmo, lento. Parece até que está parado. Isso, claro, até a gente se dar conta de que está voando. É assim, no avião, a gente olha pela janela e parece que vai devagar. Quando vê, já tá do outro lado do mundo.

Paciência. Não consegui ainda responder todos os e-mails que recebi desde a volta lá do Sul, não mandei as fotos pros chegados. Relógio parado.

Não digo essas coisas aqui na impessoalidade, no geral, economizando contato. Tô é ampliando o raio-de-ação do agradecimento a quem apareceu lá ontem na Argumento, comprou o livro, ou não comprou, abraçou, beijou, bebeu cervejinha, até aos que autografaram meus peitos (a parte disponível no decote), a quem telefonou se desculpando por não ir porque tava rolando um tiroteio na saída da Ilha e outro em Vila Isabel, a quem ficou preso no trabalho, na Pós, ou em Santos e até tentou carona às 18h mas não chegaria a tempo e não sabia direito onde era essa Argumento portanto deixou pra próxima. Sem pressa.

Meu conto, “Inseto”, tem um tempo lento pra caramba. O narrador fala, fala, dá voltas, larga a faculdade, deixa uma estranha entrar no apartamento que aluga numa cidade que não é a sua, dá pitacos fragmentados sobre o pouco que lhe acontece e às pessoas que, do mesmo jeito que ele, são sozinhas até o talo. Sem salvação, a não ser contar esses detalhes insignificantes. Ele não come a estranha, a estranha não paga um boquete pro porteiro, o irmão do narrador – um instrutor de musculação – não dança nu lambuzado de mel. “Inseto” não tem ritmo de trepada frenética. Tá mais pra quem deita de barriga pra cima na cama e pensa em acender um depois mas freia o gesto de apanhar o maço na mesinha de cabeceira porque tem vergonha do clichê e a moça do lado – que é cretina e mais velha – podia rir da cara dele. Pega o cigarro, no final das contas, está sozinho mesmo. A cretina era coisa da cabeça dele.

escrito às 9:44 PM por giannetti

7.6.05

LANÇAMENTO É UM PORRE

This one is on the house.

escrito às 10:02 AM por giannetti

6.6.05

O TERROR DOS RPs

Na volta tirava o nariz da Bravo e botava na janela do avião, a revista critica o último livro o Tom Wolfe numa das principais matérias e dá ecos disso em trechos de outras matérias. Suco, senhora?, acabamos de experimentar uma pequena turbulência mas estaremos pousando em São Paulo dentro de uma hora. Acabamos de experimentar uma pequena turbulência mas conseguimos dormir, afinal, nas últimas oito horas. Viajei acompanhada de uma pessoa que eu não via faz tempo. Chegamos em paz.

Vou escrever uma matéria sobre a viagem. Antes, agradeço Paulo Ribeiro, Juliano Machado, Cintia, Paula, Chuck, Nicky, Lidiane. Caramba. Cintia, Paulo, Ana, Fabrício, Marcelino, Cardoso. Foi doido. GuiMig, ótima recepção no Belmonte.

escrito às 5:35 PM por giannetti

3.6.05

FALA FALA

Tô indo pra Caxias do Sul fazer uma palestra na UCS sobre escrevescreve. O Cardoso e o Marcelino Freire também estarão lá. Mínima de 10 graus, máxima de 20 graus. Ou seja, pra carioca, tá frio.

escrito às 8:11 AM por giannetti

TANTO FAZ

Presenteada com o livro de 1981 de Reinaldo Moraes. A forasteira BB entrou em certo sebo inóspito e conseguiu compra-lo. Sei de gente que desiste de levar o que escolhe depois de se dirigir duas, três vezes a um vendedor e deduzir que ele morreu em pé. Ontem mesmo fui deixar convites para o lançamento do “Dentro de um livro” e, pra me responder se eu podia ou não deixar os flyers, um sujeito fez um dos esforços mais comoventes que já testemunhamos num misantropo.

Minha mãe, que só entra lá pra (agora vou dar uma cardosada) ACARINHAR OS GATOS do local, também já se irritou com o simpático. O cara a vigiava de perto. “Não vou roubar teu gato não. Tô só coçando.”

A Berinjela vive cheia não é à toa. E o gato é liberado.

escrito às 8:00 AM por giannetti

1.6.05

ELE DISSE, ELA DISSE

“Journalism for Women, A Practical Guide”, de E.A. Bennett. Livro publicado em 1867, que pode ser lido aqui.

Nellie Bly, repórter pioneira que derrubou o “modelo de jornalismo feminino” de Bennet:

“In September 1887, Nellie succeeded in joining the staff of the New York World where her first assignment was to be committed to the Women’s Lunatic Asylum on Blackwell’s Island. This adventurous and daring stunt propelled Bly into the limelight of New York journalism. She was the inventor of investigative reporting and an expert at under-cover work. She posed as a poor sweatshop worker to expose the cruelty and dire conditions under which women toiled. When shop owners threatened to pull their advertising from the Dispatch, Nellie was put on the fashion beat. She responded to her new assignment by taking a six-month working vacation in Mexico. She continued to write articles for the paper which focused on poverty and political corruption in Mexico. Eventually the articles got her ejected from the country by its government.”

***

O livro de Bennet é engraçado quando ele se dedica a analisar a raça das repórteres. No capítulo entitulado “Imperfections of the Existing Woman-Journalist”, não hesita em afirmar:

“The female sex is prone to be inaccurate and careless of apparently trivial detail”.

Deixa de ser patético quando fala sobre jornalismo sem gênero. É até bom. Podia ter ficado só no tema da introdução, os solitários, os entediados:

“Life (says the public) is dull. But good newspapers are a report of life, and good newspapers are not dull.”

“Therefore, journalism is an art: it is the art of lending to people and events intrinsically dull an interest which does not properly belong to them.”

“For the majority of people the earth is a dull planet.

It is only a Stevenson who can say: “I never remember being bored;” and one may fairly doubt whether even Stevenson uttered truth when he made that extraordinary statement. None of us escapes boredom entirely: some of us, indeed, are bored during the greater part of our lives. The fact is unpalatable, but it is a fact. Each thinks that his existence is surrounded and hemmed in by the Ordinary; that his vocations and pastimes are utterly commonplace; his friends prosaic; even his sorrows sordid. We are (a few will say) colour blind to the rainbow tints of life, and we see everything grey, or perhaps blue. We feel instinctively that if there is such a thing as romance, it contrives to exhibit itself just where we are not. Often we go in search of it (as a man will follow a fire-engine) to the Continent, to the Soudan, to the East End, to the Divorce Court; but the chances are a hundred to one against our finding it. The reason of our failure lies in our firm though unacknowledged conviction that the events _we_ have witnessed, the persons _we_ have known, are _ipso facto_ less romantic, less diverting, than certain other events which we happen not to have witnessed, certain other persons whom we happen not to have known. And such is indubitably the case; for romance, interest, dwell not in the thing seen, but in the eye of the beholder. And so the earth is a dull planet–for the majority.”

escrito às 4:57 PM por giannetti
29.7.05

BUDISMO

Não tinha pelo que te agradecer, voltei a fumar. Gracias, esquecia como pode ser bom de madrugada (só por três, três maços then i´ll quit).

escrito às 1:22 AM por giannetti

27.7.05

TV SEM SOM

“(…) I was a stranger in the country where I was born. I had friends whom I drank with and friends who invited me to dinner but sometimes it all seemed like TV with the sound turned off.” – Russell Hoban.

escrito às 10:21 PM por giannetti

CHICOTE

matérias pra versão calibrada daquela revista.

trilha sonora bucha e datada [sick tired & sleepless / with no one here to sing for – cardigans, “sick & tired”, do disquinho life, lançado em 1995.]

notas retomadas: tenho uma fé enorme que às vezes se desprende de mim e não tenho controle algum sobre ela, que pousa em cima das coisas erradas, do tipo em que ninguém quer acreditar. é quando me chamam de pessimista.

escrito às 9:56 AM por giannetti

26.7.05

CEP 20000

Paulo Scott continua no Rio e vai participar hoje do CEP 20.000 no Sérgio Porto. Enquanto Scott fala os textos, JP Cuenca vai tocar aquela guitarra verde que ele costuma varejar na parede, jogar cerveja em cima etc nos shows do Netunos.

Dá pra ir no lançamento da Cris no Travecão e seguir direto pra pegar a maluquice dos caras no CEP às 20h.

escrito às 3:51 PM por giannetti

PENA DE ALUGUEL

O jornalismo, especialmente no Brasil, é um fator positivo ou negativo para a arte literária?

O que significou a aproximação entre o escritor e o jornalista?

Como viver de jornalismo ou literatura num país com com 17,6 milhões de pessoas que não sabem ler nem escrever?

Como é que eu vou pagar o aluguel se não alugar meu texto?

Se estas questões soam muito familiares pra você, seus pobremas não se acabaram-se. Mas ao menos agora são discutidos: Pena de Aluguel (Cia. das Letras), de Cristiane Costa, lançado hoje, na Livraria da Travessa (Travecão) de Ipanema, mostra que a redação pode não ser mais o lugar do escritor ganhar seu dinheirinho e trata dos diversos momentos em que jornalismo e literatura se cruzaram no Brasil.

No trecho abaixo, a autora toca no assunto e chama o Graça (escritor conhecido por araciçar gente antes mesmo de o termo ser cunhado pelo Fred) pra conversa:

Num artigo de pouco mais de cinco páginas, “O fator econômico no romance brasileiro”, publicado em 1945, Graciliano Ramos chama a atenção para a relação entre a precariedade da profissão de escritor no Brasil e a dificuldade de nossos autores em abordar questões relacionadas a dinheiro em sua obra.

“Procuramos a razão da indiferença dos nossos escritores para os assuntos de natureza econômica. Talvez isso se relacione com as dificuldades em que se acham quase todos num país onde a profissão literária ainda é uma remota possibilidade e os artistas em geral se livram da fome entrando no funcionalismo público. Constrangidos pelo orçamento mesquinho, esses maus funcionários buscam na ficção um refúgio e esquecem voluntariamente as preocupações que os acabrunham. Sendo assim, temos de admitir que são exatamente cuidados excessivos de ordem econômica que lhes tiram o gosto de observar os fatos relativos à produção. O que eles produzem rende pouco, quase uma insignificância, e é possível que não queiram pensar nisso.”

Há uma profunda e pouco estudada correlação entre valores estéticos e monetários, aponta Graciliano. Para ele, o resultado dessa ocultação do fator econômico seria a causa de um excesso de subjetividade nos romances brasileiros e uma flagrante inverossimilhança de suas tramas e personagens, que, desprovidos de necessidades essenciais, só agiriam movidos por sentimentos.

“Perguntamos com desânimo se estamos condenados a ver surgirem nas vitrinas livros que fazem barulho e em menos de um ano morrem e se enterram, a elogiar outros que um patriotismo vesgo afirma serem ótimos e ninguém lê.”

É ducaralho.

escrito às 2:36 PM por giannetti

NOSSA GAROTINHA ESTÁ CRESCENDO

[ou seja: já olha pra trás]

[…]e a vontade de ficar
pra sempre
parada
ao lado da bicicleta
no canto esquerdo da garagem
esperando que algo nos encoraje
a cruzar a folha em branco
do caminho.
Bruna Beber.

escrito às 2:04 PM por giannetti

25.7.05

THE FUTURE

Love is the only engine of survival – Leonardo Cohen.

escrito às 10:21 PM por giannetti

BEIJA A BOTA DE COURO BRI-LHO-SÔ

Tô cansado
Tô aporrinhado
Se eu dormir mil anos, acooooooordo mal
E sonho uns sonhos doidos
Arco-íris salgados
Largados por brechas de pálpebras cerradas
– Lou Reed, tradução bunda-na-janela.

95% do meu mau-humor eu invento pra te fazer rir. Os outros 5% são pra valer.

escrito às 9:48 PM por giannetti

23.7.05

CRONOGRAMA

[araciça de almeida returns]

Latiam os últimos acordes de um hit alcoolicomatoso do Wander Wildner no Odisséia ontem quando a pergunta me cutucou ali nas costas. No ombrinho. Com a ponta de um dedo de subtexto paranóico-imaginário soando como nota errada. Ei. A Data. Quando é que sai o livro?

O meu subtexto paranóico pra essa pergunta é: por que o livro não saiu ainda?

Os motivos todos aparecem aqui sempre, desde o final de 2003. Porque ia levar mais que um show inteiro do Wander pra eu contar tudo que rolou desde que comecei a escrever. Eu até venho neste cybercafe abafado, xexelento, desde que fiquei sem micro próprio (há 15 dias) só pra não deixar o espaço aqui desfalcado de mais este episódio Hrundi V. Bakshi dos bastidores do livrinho. [vozes na cabeça: livro de merda, pois. eu devia ter continuado a cantar e me aporrinhar com outras coisas, como evitar que o baterista desfigurasse as músicas todas improvisando junto com o gene krupa que vivia dentro da cabeça dele na época.]

Atrasos e avanços do livro aconteceram sempre por conta de emprego. Primeiro atraso: entrei pra um jornal. Redação pela primeira vez na vida. Não escrevi nada que prestasse enquanto passava o dia e parte da noite na redação (isso durou oito meses). Algumas matérias bacanas, mas ficção não. Depois troquei o jornal por uma editora (11 meses). E aí a editora passou a precisar mais de uma açeçora de imprença que de alguém pra escarafunchar os originais que chegavam. Assessoria não é comigo, daí… saí da editora.

Só agora tô status-frila 100%, o único que deixa a gente fazer o próprio horário. Elevado grau de paranóia me obriga a escrever e reescrever qualquer paragrafozinho de merda, fazer meu próprio horário e trabalhar em casa é o que eu preciso pra fechar o livro. Aí o micro morre. Sacou? Justo na primeira segunda-feira (aquela pós-Flip) em que eu estava oficialmente frila.

Paciência. Micro volta semana que vem. E eu volto a trabalhar no livro semana que vem, entregar final do ano e lançar primeira metade do ano que vem (num é isso, Paulo?). Por enquanto, rola por aí um livreto que a editora fez pra ciruclar na Flip e adianta um trecho do livro, além dos contos espalhados numa pregada de antologia. Tô coçando não.

escrito às 4:32 PM por giannetti

22.7.05

POETAGEM

Hoje, a partir de 19h, na Dantes (Odeon) rola dub com Sensorial Sistema de Som + leituras de Omar Salomão, Ericson, Mauro Sta Cecilia, Danilo Monteiro e quem mais quiser ler.

escrito às 3:18 PM por giannetti

21.7.05

CANETA-TINTEIRO

Desde que voltei de Paraty meu computador se encontra em poder de um técnico. Primeiro ele levou apenas a placa de vídeo. Numa segunda visita, carregou o processador. Hoje levou a torre inteira. Promete devolver em algum dia da semana que vem. Tudo muito vago e remoto.

Pra fazer frila, pago algumas horas num cyber (claro que não compensa) mas não tenho conseguido responder e-mails direito. Não dá nem pra ficar confortável nesta cadeira, num cubículo, com gringos em bando e putas em par rindo, orkut, ouvindo música, MSN, combinando programa. Portanto não xinguem, não mandem hate-mail, não desistam de mim. É só que a minha máquina, o técnico…

Fora os frilas, rabisco uma coisa ou outra no caderno. Uma coisa ou outra, hora de fazer escolhas.

escrito às 12:15 PM por giannetti

PARA GIORGIO, OUTRA VEZ

Continuo não conseguindo enviar mensagens a você: tudo undelivered.

escrito às 12:07 PM por giannetti

19.7.05

CHACRETE POR UM DIA

manhê, olha eu no ricotta.

escrito às 4:20 PM por giannetti

15.7.05

ATENÇÃO GIORGIO

Caro Giorgio,
desculpe não ter respondido antes a sua mensagem. Ela ficou no meu computador em casa, que está em conserto [estou num cybercafe]. Tentei responder sua última msg por webmail mas sempre retorna [undelivered]. Daí… decidi usar o blog.

Pode usar o texto, quero apenas dar mais uma olhada nele para garantir se não devo mudar qualquer coisa antes de considerar definitiva a versão que lhe enviei.

Não tenho agente, vamos nos falando diretamente mesmo [você tem um email alternativo da editora ou algo assim? o tomarchi@libero.it dá problemas].

escrito às 12:01 PM por giannetti

DAY TRIPPER

Uma trouxa nas costas e uma pauta no bloquinho [preu não esquecer que viajo hoje é pra trabalhar]. Na cabeça, nem te conto [good buzz]. De volta na segunda: molhe minhas plantas [do jeito que achar melhor] e vou diexando sorrisos-fantasma no espelho das duas casas por onde passar, à guisa de bilhete, e olhares embrumados de lentes-dormidas [mas tá uma poeta]. Tô, tô. Nem te conto.

escrito às 11:49 AM por giannetti

RELAX, É COPA

Morei dois anos em Copa. Tô desde novembro no Flamengo. E nunca canso de me surpreender com o bairro quando venho visitar os ex-vizinhos. Fui à farmácia do Leme tirar dinheiro no caixa eletrônico e encontrei o Homem-Bagana. Plena luz do dia. Ai de ti, Copacabana.

escrito às 5:40 AM por giannetti

PAUTA

Eu amo a Dantes no Odeon. Eu amo muito mais a Dantes no Odeon do que amava no Leblon. Eu tinha preguiça danada do Leblon, e à Dantes na Cinelândia eu vou até a pé, como fiz anteontem. E achei três Henry Miller em inglês, edições velhinhas, caqueradas, custando o que o povão paga. “Wisdom of the heart” + “The world of sex” + aquele que relata seu período de alopração na Grécia. E a Dantes do Odeon parece mais afeita à farra, propícia à festa, aquele negócio da gente lançar os livros lá e DJzar. Acho. Hein, Ana?

***

“I have faith in the man who is writing, who is myself, the writer. I do not believe in words, no matter if strung together by the most skillful man: I believe in language, which is something beyond words, something which words give only an inadequate illusion of. Words do not exist separately, except in the minds of scholars, etymologists, philologists, etc. Words divorced from language are dead things, and yeld no secrets. A man is revealed in his style, the language which he has created for himself. (…) The great writer is the very symbol of life, of the non-perfect.” – HENRY MILLER, THE WISDOM OF THE HEART.

***

Ainda sem web, espancando o teclado do Fred. O guri hoje garantiu na reunião de pauta (aka sopa + cerva + idéias soltas + riso frouxo) que o design novo da Revista Bala tá quase pronto. Isso é uma convocação pra todos os colaboradores: mandem as paradas que tá bom o negócio.

***

Esse negócio de *** chateia.

***

N.P.:“Nightswimming”, REM.
“Painbirds” – Sparklehorse
“Holland, 1945” – Neutral MIlk Hotel
[como é que tu não tem “(i´m gonna be drunk) at your wedding”, do smog?]

escrito às 3:37 AM por giannetti

14.7.05

ENERGIA

Conversei com o Cara Que Usa Uma Chapinha Na Testa e o Felippe Ricotta gravou. O Cara da Chapinha na Testa é um personagem que eu não via desde 1997:

“Eu tenho 48. Uso ela desde os 25.”
“Mas ela tá colada aí?”
“Não, eu troco o tempo todo.”
“Mas como que ela se conecta à sua testa? É por energia?”
“Ela gosta de ficar aqui. É uma proteção contra más energias.”
“É, aqui tem muita energia negativa, né?”
“Bem, todo lugar que tem birita…”
“Mas não precisa ter birita. Pensa num lugar de trabalho. Não tem lugar mais bad vibe do que um escritório.”

É. Eu devia sair à noite mais vezes.

escrito às 7:52 PM por giannetti

A VERDADEIRA ARTE DE VIAJAR

A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali…
Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando! – Mário Quintana

Como eu ia dizendo pro Chico: cybercafe sem ar-condicionado é oficina do diabo. Porém, se a gente pensar como o Quintana… nah. Não tem poesia que resista a isto aqui. Ainda: lento, barulhento – clichê e rima pobre.

Parecer do técnico que carregou minha placa de vídeo há dois dias: “Ih, é, né. Esqueci de te ligar, né. É. Num é a placa não.”

escrito às 9:44 AM por giannetti

13.7.05

SOUND FURY ESSAS BODEGAS


Hoje, no Teatro Odisséia (Av. Mem de Sá, 66, Lapa)

Abertura da casa: 20h; início do show: 22h

Ingresso: R$ 16

escrito às 3:08 PM por giannetti

12.7.05

QUALQUER UM PODE TOCAR GUITARRA

here we are with our running and confusion
and i don´t see no confusion anywhere
and if the world does turn
and if london burns
i´ll be standing on the beach with my guitar

Como é costume ocorrer toda vez que fico meio vagabunda (aka trabalhando em casa ou quando o tempo vira), meu micro não me aguenta batucando e reclamando dia e noite e entra em greve. Chamei o técnico e o sujeito é aguardado pra hoje mesmo mas não tô botando muita fé na pronta recuperação do micro: ele faz barulho de helicóptero toda vez que ligo e não mostra nada na tela. Desta vez eu fiz back-up.

Tô num cyber mastigando e-mails e flashes de Paraty – na bolsa, a nova edição da Cult com Antonioni na capa e o DVD de A Noite, pra animar as coisas enquanto o técnico tenta ressuscitar o computador. Na bolsa também o livro do Cardoso, que vou ler no jardim do Museu, perto dos patos (algo a ver com meu amor pelos vocais do Bob Dylan).

Com a máquina em estado de coma profundo, restou tirar um bocado de coisas do fundo de estantes onde juntavam poeira e mágoas a meu respeito. O primeiro do Radiohead, meu violão, meu caderno preto.

escrito às 2:17 PM por giannetti

11.7.05


No bar do roque, em Paraty, bebendo água (seus incréus)

escrito às 2:43 AM por giannetti

BILHETE QUE NÃO ESCREVEMOS

“Caríssimo,
O senhor por favor perdoe o lapso matinal. Não era nossa intenção apalpá-lo, muito embora às vezes o senhor de fato desperte por aí diversas más intenções, as nossas para consigo sempre foram mais que discretas: eram omissas. Nunca as pusemos em prática, não até esta manhã, quando, ainda sonados e fortemente under the influence, confundi-mo-lo, eu e meus dedos, com o colaborador que nos acompanhara noite adentro até então. Esperamos que, em nossos próximos contactos, nosso relacionamento não se revele estremecido por esse curioso engano.
Abraços (sem quaisquer segundas ou terceiras intenções), Nós.”

escrito às 2:42 AM por giannetti

FLIP 2005

colunismo social de pobre

Em sentido caótico, da esquerda para a direita, todo mundo misturado no ajuntamento que rolou no sábado no Bar do Roque ou Bambu´s (filial): Conferindo uma cana Coqueiro caramelada, Diana de Hollanda, Bruna Beber e Leonardo Levis * Cenas de Paixão, Cachecol & Óculos entre Fred Leal e Cardoso * Bruno e eu * Giuseppe Bona Gente * Criador do projeto Na Tábua, Paulo Scott pergunta a Alexandre Nix qual o Segredo do Blazer * Bruno e Carol Bensimon * Depois do trampo com o Portal Literal na cobertura da Flip, Omar Salomão encara uma cerva * Delfim, das Edições K, com a esposa – porque o Bar do Roque também é de família * Observando o povo chegar pra micareta * Rindo à toa * No som do boteco: Pavement, Teenage Fanclub, Wilson Simonal, Monarco, Jorge Benjor, Roberto Carlos, Van Morrison, Asian Dub Foundation, MIA, Zeca Pagodinho, Buzzcocks, Rolling Stones * Na pauta: lançamento do livro do Cardoso, Cavernas e Concubinas * Na boa: geral trocando idéia, livros, telefone * Fusão entre a Cleptomaníacos de Corações S.A. e a Paixões Platônicas LTDA * Festinha no play pra adulto que não cresce, rock in rio de escritor.

escrito às 2:15 AM por giannetti

10.7.05


Pedro Mandagará: elegância de gravata na PoZada-Favelão
durante a FLIP

domo
(por Pedro Mandagará – publicado na Paralelos):
“o mundo das pessoas grandes, uma vez, não o das pessoas inho. pensei nos furos de ar e sair por ali de tão inho. ah, quando vêm me alimentar é que. ser again decidido blah blah que soubesse tal e tal dar um soco, é claro no momento certo. mas tremo: meus olhos radiam-te: resta meu candor.”

escrito às 9:49 PM por giannetti

PILHA ERRADA

“Dia a dia de quem quer se tornar um astro das letras”?! Nós é que bebemos e ele que fica tosco. Fomos tomar uma cerva com os amigos na micareta de Paraty. O resto é preâmbulo de jornalista frila. Se liga.

escrito às 8:18 PM por giannetti

9.7.05

CASINO

Oi Cecília, tudo bem?

Estava navegando à toa, quando parei no blog BadTrip, e resolvi baixar o podcast do É Batata! (http://badtrip.com.br/batata/). Nele rola umas músicas do Casino, sua ex-banda, confere? Ouvi, gostei (muito), e me senti na obrigação de enviar-lhe este e-mail, parabenizando-a.

Vi no É Batata! que tens um blog, vou lê-lo agora.

Novamente, parabéns pelo talento e pela boa música!

Rodrigo P. Ghedin.
http://www.rodrigoghedin.com.br/

escrito às 5:25 PM por giannetti

7.7.05

PINDAÍBA E FRIACA EM PARATY

Na última das últimas horas pré-FLIP eu percebi que ficar no Rio enquanto todo mundo vai pra Paraty não ia me ajudar a arranjar os próximos frilas, sejam eles de texto ou lapdance. A decisão de vir pra cidade foi tomada na terça à noite mas ainda tinha a coisa da grana. Ou melhor, não tinha. O frila que eu ia fazer pra pagar a PoZada-Favelão tinha falhado, eu não nasci na realeza, não sei falsificar dinheiro e não namoro nenhum sugardaddy bilionário. Lembrei do Bar Mitzvah do Oren. O seu Fuchs me conhece desde garotinha e vem ameaçando me contratar como DJ pra festa do garoto desde que me ouviu tocando num teatro no centro da cidade, por acaso, quando saía de uma peça ali perto (or so he says, tem um monte de cinema suspeito na área e o seu Fuchs é um coroa suspeito). No próximo fim-de-semana após a FLIP, eu vou tocar seis horas de som pro Oren e amigos, com dois intervalos de 15 minutos, pelo patrocínio. Acredite se quiser.

Tô num cyber na Rua da Lapa, no Centro Histérico de Paraty. Cheguei ontem sem saber onde ficar e saí caçando a PoZada-Favelão que o Cardoso e mais umas dez pessoas haviam alugado. Eram três quartos pra todo mundo, dois com banheiro externo (a “casinha”) e uma suíte. Colchonetes pelo chão e a dona do local decreta: “vou ter cobertor pra todo mundo não”. Ah, e tem isso: tá uma frio da porra na cidade. E chovendo. Cardoso gentilmente me cedeu o cobertor dele, com a justificativa de que gaúcho não sente frio, e deve ter vestido todas as roupas que tinha na mala (duas calças, duas camisetas, três casacos) pra dormir. Eu, mesmo com o cobertor, fiquei gripada. O Nix, deitado na cama ao meu lado (não que role um affair, mas o quarto era um barracão lotado) começou a ficar muito puto quando a gente recebeu as primeiras visitas de amigos lá pelas 2h da madrugada. A intimidade da gripe transmitida de um morador pra todos e a fumaça espessa dominando o ar viciado do barraco, tudo lembrava demais viagens de adolescência. É assim: tu fica velho e, automaticamente, fica fresco. Me senti meio invasora também, já que eu não tinha reservado quarto no favelão e tava ali, roubando o cobertor do meu muso ruivo gaúcho. E o Fred dormindo no chão sem cobertor nem nada?

A PRINCESA E OS AMOTINADOS DO FAVELÃO

Hoje de manhã, Nix acordou decididão: “aí, vou arrumar outra parada”. Botou um blazer e saiu. Eu dormi mais um pouco (até as 13h30, aproveitando que a insônia deu trégua) e fui tomar café no Centro Histérico. Encontrei o Paulo Scott com o Marçal Aquino e discutimos a situação do favelão. Minha proposta era motim: ou dá mais cobertor pra todo mundo ou cobra menos. Marçal: violência não, melhor beber conhaque. Scott: mas se beber conhaque, vai ter guerra. Não chegamos a um consenso, exceto que a boa de hoje é comer de graça na festa do portuga (o escritor Gonçalo Tavares).

Quando reencontrei o Nix, ele já tinha almoçado com a realeza. Parece que conheceu a Princesa, mais o seu D. João e uns chegados da Coroa Portuguesa e virou monarquista. Eu sabia que o blazer ia funcionar. O cara fica lindo de blazer. Só sei que saiu do evento com um quarto e duas camas numa pousada de verdade e conseguiu regatear ainda pra chegar ao mesmo preço de uma vaga no favelão. Como é que esse cara faz isso? E o que é que a princesa tem a ver com a pousada? Essas são perguntas que meu reticente amigo não pôde me responder antes de se deitar e descansar mas promete esclarecer melhor mais tarde, quando nos encontrarmos para o coquetel dançante em homenagem a Gonçalo Tavares. Living la vida loca.

escrito às 5:53 PM por giannetti

4.7.05

BOO-HOO

Não vou à FLIP porque o frila que eu tinha engatado pra financiar cinco dias em Paraty foi pra CUCUIA. É uma verdade universalmente conhecida que a festa é imperdível mas boo-hoo, i did it my way. Aos poetas deambulatórios, boa viagem e não deixem de olhar pras paredes por lá: tem um texto meu no Na Tábua.

escrito às 5:45 AM por giannetti

PRA BOMBAR NO SEU ESTÉREO

Oi Cecília, tudo bem?

Olha que coincidência engraçada… tava eu na aula hoje e a monitora recomenda uma leitura e imagina qual é? Pra escolher um dos muitos contos do livro que vossa senhoria participa.
Legal, né? Acabei que peguei e vou ler o seu. Tava querendo já mas não encontrava o livro. Já tinha lido uma previa sobre o que se tratava no seu blog mas vou ler. Entaõ, é só …
Abraços

Deleve

Tomara que ele goste [eu sou fã do cara].

escrito às 8:26 AM por giannetti

27.8.05

TRABALHO, CONHECE?

De 6h45 às 19h. O resto é brincadeira.

Às vezes, mais de doze horas, mas só na fase inicial. Depois seremos liberados à tardinha para fazer loucuras, colher flores do campo, paquerar colegiais, distribuir esse amor que não cabe na notícia curta e grossa. Ri, porra, tô mandando você rir.

Acompanhada pelo lorão e por velhos cowboys digitais que conseguem extrair risadas àquela hora ingrata da matina falando da retirada em Shirat HaYam. Todo mundo merece prêmio [restante dos afetos antes aqui expressos, agora censurados].

Dou essa palhinha de pvt aqui pra justificar o sumiço temporário e a falta de trechos de contos [o Método Feliciani de Manutenção do Núcleo Familiar vai sair na Itália também] e papo sobre os avanços do meu livro escrito em embrulho de pão. [Justifico pra quem for de paz. Que os outros tenham olhos e não me vejam, tenham o número do meu celular e não me alcancem. Conforme a oração.]

escrito às 10:46 AM por giannetti

24.8.05

“I’d love to wear a cowboy hat now. You know how people get on Prozac and all that stuff? It’s impossible to be depressed wearing a cowboy hat.” – Owen Wilson.

escrito às 4:20 PM por giannetti

22.8.05

E PAPAI VIROU FOGOS NO CÉU

No fimde, as cinzas de Hunter Thompson foram disparadas via canhão em cerimônia conduzida e bancada por Johnny Depp. Jann Wenner, editor-fundador da Rolling Stone, lembrou que Hunter foi o DNA da revista [em seus dias bons, diga-se de passagem]. Os fogos estouraram junto com as cinzas e, em seguida, “Mr. Tambourine Man”, do Bob Dylan; rolaram tamborzinhos japoneses e leitura de escrituras budistas em tibetano. Tem mais no Times.

escrito às 2:04 PM por giannetti

SE VACILAR O JACARÉ ABRAÇA 2

O novo podcast – gravado na madruga de ontem, segundo informa o produtor Fred Leal – pode ser downloadeado aqui. Para quem insiste na pergunta, a âncora do bloco de comentário político Lilian Wite Fibbe ON DRUGS não sou eu. Mas por acaso tenho aqui a transcrição do Letras mal-traduzidas desta semana [“Mulder & Scully” / “O Técnico está lá fora”, do Catatonia] e a da semana passada [“No surprises” / “Não vem que não tem”, do Radiohead], quem quiser me pede que mando por e-mail.

No segundo programa: o Brasil na reconstrução do Iraque, Sunny Afternoon, o soldado blogueiro Colby Buzzell e os blogs da guerra, Happy Xmas (War Is Over), Ronaldinho e as dogRas, Don´t Bogart That Joint, Lilian Wite Fibe ON DRUGS, mico do governo Lula apagado da Wikipedia, kit-piscina e as reviravoltas da política nacional por causa de um chifre, Everybody´s Talking at Me [dedicada a Palocci] e Cesar Maia conquistando eleitorado entre os nerds com seu blog. E no SE VACILAR O JACARÉ ABRAÇA, o Capitão Paul Bucha, Esperando a Saudade, ator de “Desperate Housewives” é preso com doRgas, Sem Compromisso, Clarice Lispector na Galeria de Cornos, e O Técnico Está Lá Fora é a Letra Mal-Traduzida que encerra o programa.

escrito às 8:05 AM por giannetti

19.8.05

BIBLIOTECA VIVA

Estocolmo – Uma biblioteca sueca, percebendo que não apenas livros são julgados pela capa, vai oferecer uma oportunidade diferente aos visitantes este fim de semana – o empréstimo de um muçulmano, uma lésbica ou um dinamarquês. – [AP].

escrito às 3:55 PM por giannetti

TALK SHOW

Toda segunda-feira, a voz rouca de International Jetset e a perspicácia zen de Frederico Leal comentam no Batata Frita os acontecimentos que chacoalharam o mundo durante o fim-de-semana enquanto você estava chapado e não lia o jornal, não ligava a televisão e não fuçava o GloboOn.

E Batata Frita não é só jornalismo. Traz também o bloco Se vacilar o jacaré abraça com barracos, chifres e fossas selecionadas entre blogs e histórias de ouvintes mandadas por e-mail. Além de comentar a miséria alheia, a dupla do Jacaré narra na Galeria de Cornos histórias de amor de gente famosa como Nietzsche e Gore Vidal. No meio de tudo isso, dor-de-cotovelo e cantadas musicais, de Cartola a Damien Rice, sem preconceito.

Clica pra ouvir a primeira edição. Se você tem alguma história de bucha, corno ou fossa e gostaria de ouvi-la contada no podcast, mande um e-mail [anônimo ou assumidão] pro Fred Leal.

escrito às 2:48 PM por giannetti

TIRANIA DA LEITURA

Victoria Beckham declarou por esses dias que nunca leu um livro. Em seguida, Noel Gallagher, do Oasis, se empolgou e anunciou em entrevista que agora, aos 39 anos, leria o seu primeiro: “Anjos e demônios”, de Dan Brown. Hester Lacey, articulista do Guardian Books, manda a real: E daí?.

escrito às 1:55 PM por giannetti

17.8.05

JUNK

Eles não páram nunca.

escrito às 3:14 PM por giannetti

14.8.05

SUJEITO DE SORTE

Na falta de computador, lápis, papel, caneta, sossego, vontade – tire seu violão do saco e:

E F#
Presentemente eu posso me considerar um sujeito de sorte
A E
Porque, apesar de muito moço, me sinto são e salvo e forte.
E
E tenho comigo pensado:
F#
Deus é brasileiro e anda do meu lado.
A E
Assim já não posso sofrer… no ano passado. (repetir tudo 2x)

F#
Tenho sangrado demais, tenho chorado pra cachorro.
A E
Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro.
A E
Ano passado eu morri, mas esse ano eu não morro.

[à tarde frilei num cyber, à noite teclo rapidinho do fred, terça já devo ter meu micro de volta. e o trabalho. e o trabalho. e o trabalho.]

escrito às 6:26 PM por giannetti

11.8.05

MIL PRECES GENTIS POR NÓS

que não conseguimos ainda ligar o som nem o computador, desistimos de arrumar tudo na mesma noite e bebemos cerveja no meio das caixas de papelão e sacos de lixo azuis cheios do meu lixo, não conseguimos ainda ligar a televisão nem sabemos onde colocar o sofá, deixamos o gato beber e fumar, esperamos ansiosamente o telefone tocar e esquecemos: também não conseguimos ligar o telefone.

escrito às 11:16 AM por giannetti

9.8.05

REVISTA ÁCARO

Vimos a revista pronta ontem, em evento da Nestlé [patrocinadora]. Meu conto, Método Feliciani de Manutenção do Núcleo Familiar, abre a revista e é ilustrado por Guto Lacaz [Folha de S. Paulo]. E o Alexandre Matias passou pelo Rio e carregou meu exemplar [ele merece, ele merece]. Mas eu quero outro.

Pra lançar a Ácaro no Rio, estamos armando festinha na Dantes. Aguardem.

escrito às 10:41 AM por giannetti

QUEM TE PERGUNTOU ALGUMA COISA

Saí na Revista Quem [edição com uma atriz descabelada na capa, saiu na quarta-feira passada e eu só vi anteontem]. Achou graça? Fica melhor: Eu e Antonia Pellegrino saímos na Revista Quem… com nomes e biografias trocadas. Na página dela, informações sobre mim; na minha informações sobre ela. Pra compensar [sic], a editora mandou avisar que semana que vem saio de novo, com foto e legenda correta.

Quando chamaram a gente pra fazer as fotos, eu e JP achamos que podia se tratar de uma pauta tipo “Como vivem os pés-rapados”. Mas saímos limpinhos [sem photoshop], ninguém nos fez vestir Daslu.

Chora cavaco.

escrito às 10:33 AM por giannetti

TEMPO LIVRE PARA LEITURA

Do Arts Journal.

A contest in the UK to find the best reading group had to disqualify the group originally chosen as winner. “The High Down Prison Group” from Surrey was judged to be the best in the competition, but its members were prevented from accepting the top prize as it involved spending two days and a night in Edinburgh. [The Scotsman 08/07/05]

escrito às 10:11 AM por giannetti

PROCESSO SOLITÁRIO

O Guardian diz que os editores andam meio marotos.

escrito às 10:05 AM por giannetti

1.8.05

PODCAST

Tá ruim de idéia aí? O podcast mais bombado da internet, sem saca, é uma: É batata!, do Fred Leal.

Já saiu no Estadão, no Terra, mas você ainda pode fazer bonito com o seu editor. Chama ele, mostra um programinha já downloadeado… Ou melhor: não mostra não, ele vai ficar confuso. Ouve você, que ainda é um cara safo, e depois mente pra ele, diz que é outra coisa. Senão vão surgir aquelas perguntas malas na reunião de pauta: “mas pera lá, a gente chegou na Internet pra voltar a ouvir rádio pirata?”, “o locutor tá chapado?”, “o que ele ganha com isso, não tem anunciante?”

Rolam seções como “Espírito-de-Porco”, em que o apresentador conta o final de filmes que ninguém tem que ir ver mesmo, tipo aquele do Tom Cruise que tem uma garotinha que me apavora, ela é macabra; “Larica da Madrugada”, receita pra você que, por algum motivo inexplicável, sente essa fome-de-comer-porcaria no meio da noite; “Proposta” [perceba a ironia], leitura de textos de escritores da nova safra e de compositores que mandaram bem quando se aventuraram a não fazer refrão, tipo o Bob Dylan e o Lou Reed. Tem ainda uma edição com pronunciamento do Brizola e entrevista com JP Cuenca, além de receitinhas que a Ana Maria Braga não ensina [chave-de-cadeia] e hits do udigrudi que as rádios só vão tocar se a gravadora pagar. Não é supimpa? Daqui a pouco já tem um palhaço copiando na televisão.

No primeiro programa, músicas da minha antiga banda, Casino; no mais recente, tem Wado, cuja canção Se vacilar o jacaré abraça batizará meu próprio podcast, que o Fred vai me ajudar a gravar, editar etc. Baixa lá, pô.

Outro que começou depois mas já acumula bastante freguês é o Nix. O cara conta a história do blues no som e nos causos [com humor], desmentindo a tese de Steve Martin sobre homens branquelos e música de Nova Orleans.

escrito às 11:57 PM por giannetti
26.9.05

ELES QUE NÃO SÃO (A) GENTE

Se você pára aqui de vez em quando é porque conhece a cara dura e o olho morto. Conhece o olho de pedra, a cara de múmia. Deve te assustar esse tipo de coisa ou não me lia, não me escrevia. Me assustava quando eu tinha 12 anos e ia com a uma Yashica miserável para a porta do Rio Othon Palace, onde ficavam hospedadas as bandas que se apresentavam no Hollywood Rock e outros festivais patrocinados pelas companhais de celular de então – os fabricantes de cigarro. Hoje em dia somos obrigados a ter celulares que disparam em qualquer lugar. Nêgo fala qualquer coisa em qualquer lugar, pra qualquer um ouvir. Fica o ar pior que se a fumaça dominasse. Ninguém pede pra ouvir a conversa dos outros que estão em volta num restaurante, vagão do metrô, fila de espera do ginecologista. Eu já pesquei um “amor, eu não sei, tem uma secreção esquisita…” Não pedi pra ouvir isso. Por outro lado, é proibido acender um cigarro no mesmo lugar em que é permitido atender e falar ao celular. A fumaça incomoda a vida privada alheia, cuspida, escarrada, não. Fumar é execrável, aka feder a cinzeiro. Pior: é proibido que fabricantes de cigarro patrocinem festivais.

Me envieso, esqueço o que ia dizendo e reclamo de outras coisas que não eram a coisa original. A coisa original era a fisionomia rija, o olhar teso, a minha dúvida sobre se o que eu sentia ao encontrar esse casamento num rosto era medo mesmo ou se era um outro tipo pior de pavor, curiosidade ou pena. Se era, por último, receio de ficar igual. Me envieso mas, apesar de eu ter entregado ontem a outro fumante meu maço inteirinho de Marlboro, jurando que não fumava mais, jurando que não mais soltava fumaça pelas ventas, este cigarro retirado do maço novinho que acabei de comprar aqui embaixo tá demais.

A primeira vez que vi olhos daquele jeito – jeito rijo, duro, congelado, mumificado – foi na porta do hotel. E eu era criança, tinha saído de casa escondida às cinco horas da manhã para fotografar o filho da puta do Kurt Cobain, que poucos anos depois se suicidaria e renderia filme de Gus van Sant em exibição no Festival do Rio. A gente soube pelo RJ TV que o futuro defunto auto-encomendado lá estaria tomando todas. A gente era um grupo de meia dúzia de candidatos suburbanos à delinqüência, ao desemprego e à insatisfação permanente, prontos pra quebrar a cara no mundo mas sem um pingo do charme godardiano de um Band of outsiders; mais pra bando de trouxas. A gente foi, assim mesmo ou por causa disso. (Foram dois ônibus pra conseguir chegar ali. Sempre achei engraçado terem construído o Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro num bairro-buraco contramão. E sempe me pareceu mais lógico entrar num avião e sair do país que pegar dois ônibus pra chegar à Zona Sul.) Hoje muito parentética, me desculpar aê êta putaquiospa.

Fui lá, fotografei o trouxa dos trouxas, celebrei com guaraná na pastelaria do posto 6 e aí me deu na telha de entrar. No hotel. Como é que não podia? E se eu, de bermudão, boot e camisa de flanela de lenhador, e se eu, de cabelo sem formol (na época o povo sequer imaginava que haveria essa revolução capilar-tecnológica) fosse hóspede? Ah, mas eu tinha que tentar entrar. Tinha um espírito sem luz, uma menina na porta do hotel, com um bloquinho e um fotógrafo, quase tão animado por estar ali quanto o bloquinho dela. Cheguei chegando. “Eu sou da Folha da Ilha do Governador”. A moça não virou pra me olhar, não. Mas eu, que tinha 12 anos e estava de boot, cutuquei ela no ombro. “Eu sou da Folha da Ilha do Governador”, insisti, apresentando credenciais fictícias de um jornal que nunca existiu. Ela respondeu sem me olhar, com um “__________”, um gap, um silêncio, um qualquer coisa não-tô-aqui-mas-me-dá-umas-aspas-que-eu-finjo-que-tu-é-gente. Como a minha mão não descolou do ombro da mulher, ganhei dela uma girada de cabeça na minha direção. Ela estava nitidamente puta, procurava disfarçar. Fazia forfait. Congelava o olhar, e o rosto, e a voz. Eu era uma coisinha de 12 anos. Quis logo saber que é que causava aquilo. O ricto, o nervo estrupiado. Mas tinha mais pena de quem acha que tá safo de que dos que fecham a cara. Não esqueci. “Sou do ____”.

A moça carrancuda era do jornal grande, né. Um dia, muito tempo mais tarde, fui fazer entrevista no jornal grande. “Oi, não tenho diploma, mas rola?” Quem tinha me arrumado era um chapa meu da época da Ilha. Eu na Ilha. Ele no jornal. Eu com 12, ele com …. sei lá, 30? E eu dizia a mulher de cara dura “Eu escrevo.” E meu amigo mais velho, virtual: “Excelente”. Mas eu… anos depois, eu era a própria cara dura e ela não me reconheceu.

escrito às 10:05 PM por giannetti

ILUMINAÇÃO DO DIA

Zadie Smith diz que ela “não é sua pior crítica“. Que basta dar um Google para encontrar gente que a odeia mais que ela mesma se odeia]. Isso apesar da descrição que ela dá de seu estilo no primeiro livro: “a script editor for The Simpsons who’d briefly joined a religious cult and then discovered Foucault”.

escrito às 8:47 AM por giannetti

25.9.05

LISTA DE FRASES FEITAS

uma penca de desculpas esfarrapadas pra justificar o sumiço [do blog e de gente]:

férias em trafalmador com kurt.

estou voltando a cantar, apesar de o silvio essinger dizer que nossas bandas não deram certo porque temos cabelo ruim.

i am manufacturing z z z z z z´s.

tô escrevendo. agora é tri-destilar. noutro dia mandei um capítulo fraco pra duas pessoas que eu achava que deviam ler. aí depois reli, reescrevi e pensei que a gente quase sempre pode evitar parecer idiota. devia ter ajeitado antes de enviar. ando doida pra entregar tudo, só que ainda vou mexer, que é pra evitar também esse bico de madalena arrependida no espelho.

a essa altura tem uma coisa que mais ajuda que atrapalha: ninguém esperar mais porra nenhuma.

escrito às 2:56 PM por giannetti

14.9.05

MÉTODO FELICIANI DE MANUTENÇÃO DO NÚCLEO FAMILIAR

Meu conto com este título que aparece aí em cima está na terceira edição da Revista Ácaro e é ilustrado pelo Guto Lacaz [da Fôia de S. Paulo]. É aquela editada pelo Chico Mattoso e pelo Paulo Werneck, que vem numa caixinha charmosa, agora patrocinada pela Nestlé [chocolate não-incluído].

Não deu pra ir no lançamento ontem mas vai rolar um no Rio também, em breve, e aviso por aqui assim que souber data e local. O mesmo conto vai sair numa antologia na Itália, onde hoje vive a amiga de quem roubei o sobrenome para a família dos personagens e que aos 14 gostava de passar no Garage pra ver um showzinho e tomar um trago. Fico repetindo igual CD sujo esse detalhe sobre a publicação na Itália que é pra ela não levar um susto por lá.

Não existe “sobre-o-quê” é um conto, um romance, ficção de qualquer tipo. Mas inventar artifícios pra definir cada história é quase uma exigência do trabalho. Há quem não leia algo que não caiba numa definição, assim como é preciso tomar emprestado dos compêndios de patologias definições para pessoas que não cabem na fôrma de bolo protocolar – é o preço que se paga para que circulem, livros e autores, livremente.

Então, esta semana, a história do Método pode ser definida como “uma conversa de telefone-sem-fio entre membros de uma família que não se falam.” Da próxima vez que alguém perguntar, a resposta será outra.

escrito às 1:04 PM por giannetti

12.9.05

escrito às 3:36 PM por giannetti

9.9.05

PALAVRAS PARALELAS

E tome falação: dia 13 de outubro, às 18h30, tô lá num debate do ciclo Palavras Paralelas, no Castelinho do Flamengo. Vou falar sobre escrever, ou seja, pra não ficar chato preciso que vocês apareçam, perguntem coisas doidas, me ajudem a perder o fio da meada. Depois podemos esticar num boteco, pra diversificar a conversa [a organização do evento não ofereceu barris de chope].

O Palavras Paralelas faz parte de um projeto de revitalização do Castelinho [Centro Cultural Oduvaldo Viana Filho] criado pelo jornalista Marcelo Pacheco. O ciclo começa dia 22 de setembro, com Marcelo Moutinho (organizador do Prosas Cariocas), segue com o João no dia 29 de setembro e a Cristiane Costa (autora de “Pena de Aluguel”, tô pra entrevistá-la e já colei por aqui várias citações do livro) no dia 06 de outubro. As inscrições podem ser feitas pelo e-mail castelinho@pcrj.rj.gov.br, com número de inscritos limitados a 30 por palestra.

escrito às 8:28 AM por giannetti

7.9.05

A coisa mais difícil num blog que [vá lá, às vezes] fala num livro é não falar demais da conta sobre ele. Eu gosto mais dos comentários enviesados que do abre-aspas e cospe um trecho.

Costuma acontecer comigo achar que dei muita informação quando nem sequer abri a boca. Vou dando só os links conforme lançam os livros em que saem meus contos, pra ficar fácil achar em loja online. E, mesmo assim, só agora – esta semana – é que vou colocar ali à direita uma barrinha permanente com esses links, mais de um ano depois de ter saído meu primeiro conto numa antologia. [eu— adoro os—– gaps —- buracões —- que eu mais gostava eram os…. “a fila ———– insatisfeitos no ———“]

[Porque somos muito interrompidos.]

escrito às 10:39 PM por giannetti

4.9.05

DECIDIDA A NÃO NOMEAR OBSESSÕES

“People always ask what a book is about, as if it has to be about something. I don’t want to write books that lend themselves to that sort of description. My books are more a kind of breaking-down.”

escrito às 9:32 PM por giannetti

2.9.05

SAMBA-ENREDO

No sábado, 3, às 17h, vou participar de um debate com Antonia Pellegrino e João Ximenes Braga na livraria Dantes. É a primeira edição do ciclo de debates “Propostas para samba-enredo”, assim chamado não porque a gente vá discutir o trabalho de carnavalescos para 2006 mas… bom, o site explica.

A conversa faz parte do evento que terá ainda “matinê no cinema, brunch no ateliê, feira de livros, moda, fotografia, cds e brinquedos”.