chercher le bonheur et crever de rire

(ah ah uh uh gritam sem portugues algum)

escrito às 10:18 AM por giannetti

30.1.05

ZANZARE

– Onde é que você se meteu?
– Numa narina letrada.
– Foi bom?
– Enterro de escritor. Olha, é igualzinho a qualquer pessoa, só um pouco mais frio.

escrito às 2:07 PM por giannetti

28.1.05

FELIPE

Dez da noite passada – retrasada, maroto relógio de posts – telefonema de Mosca-de-Banana (que conheci num sebo, ele, pequeno monstro já desviado de seus instintos e, desde nosso primeiro encontro, senti que devia ajudar Felipe – tinha nome e era esse – a retornar ao estágio primordial de existência que define as moscas e a mosquidão. Mas ele insistia em virar traça e perseguia livros velhos em vez de bananas, bosta e cadáveres. Eu queria fazer ele voar.)

Felipe não quer conselhos, não aceita tutela. Dribla as pontas das brochuras capas duras pockets pelas prateleiras imitando o jeito de andar de algo que nem ele nem eu nunca vimos se mover. Felipe já travou contato com traças antes, em sua primeira semana de estadia na seção de ficção norte-americana, entre um Henry Miller e um alfabeticamente deslocado Truman Capote, e sabe muito bem que as traças não gingam nem se espreguiçam a cada dois passos. Mas deu tratos à bola. Inventou que têm malemolência de garrincha e agora caminha de acordo com isso pra cima e pra baixo, roendo de vez em quando pedacinhos de um bolo de canhotos de cheques velhos encontrado no fundo da minha bolsa que eu mesma lhe dou.

escrito às 11:19 PM por giannetti

DESPLUGAR

A Carol Bensimon fala no Insanus.org sobre ler, escrever, publicar.

escrito às 9:18 PM por giannetti

CONSIDERAÇÕES

(E-mail composto em Granjon tamanho 5, automaticamente tornada visivel ao olho humano graças ao Blogger, que desconhece essa fonte):

on 28.01.2005 Mosca-de-Banana wrote:

Ficção e mentirada? O maior atrativo da ficção é que ela pode ser mais viva que a vida (i mean, se a vida é chata que nem a sua, rs…)

Tô num cybercafe em frente à sua casa. Que horas você sai do trabalho?

bjs,
M.d.B

escrito às 2:43 PM por giannetti

FÁBULAS DE ESÔFAGO

Um jeito de virar escritor de ficção, Mosca-de-Banana, é ficar atento à sua própria mentirada e à maneira como ela sai boca afora. Começar em seu próprio quintalzinho. Depois, prestar atenção nos outros mentirosos. Todo mundo mente – pra se safar, pra proteger os outros ou por doença da cabeça mesmo – e esse talento, assim como seus subprodutos, podem ser revertidos em ficção escrita.

Analise os tentáculos dessas mentiras: por que são contadas, quem as fabrica e repassa e o que acontece às pessoas a quem elas são contadas? Quais as suas consequências?

O mentiroso que dá por encerrada sua obra ao criar um engano não é um autor de ficção. Mas o que não se contenta em espalhar pistas falsas com a boca pode tentar escrever para o mesmo efeito. “Aumentar” por escrito a mentira falada e espalhada é duplamente ficção.

O quê?… não, não, Mosca-de-Banana. Não precisa maldade pra fabricar isso. Vejo que esteve disperso lixando as unhas no começo da conversa. O que acontece às pessoas pra quem as mentiras são fabricadas? Descobrir-se enganado causa ricto, vômito, rugas, fricotes generalizados e beicinho trêmulo. Mas se você for uma Mosca autenticamente interessada em bullshit como todas as outras moscas há de lambuzar as patinhas e fazer do engano uma historinha.

Agora voa, Mosca-de-Banana, voa. Olha, logo ali, uma lixeira.

escrito às 11:15 AM por giannetti

SCHCHCHCHCH

(barulho de delay)

Não mando um texto pro editor ler faz muito tempo. Tava quase escrevendo alguma coisa que achasse recuperável, aí pediram outro conto pra uma antologia. Outros autores chamados não puderam aceitar porque estão escrevendo seus romances e roteiros e piram num assunto só. Eu sei como é (já soube mais que hoje).

p.s.: ali embaixo eu queria ter escrito uma coisa bonita. Mas ela não veio. Por enquanto está desse jeito. Não é só pesado. É que eu acho os textos do L.B. bonitos, mesmo quando são implacáveis. E eu tava muda, sem graça, só podia citar. Escute “Going in circles”, do Friends of distinction (Valeu Fred).

escrito às 1:56 AM por giannetti

27.1.05

O JOKER O CORINGA O PALHAÇO

L. B. morreu jovem e recuperado de vícios-xarope e outros mais pesados do farmacêutico universo tarja-preta. O que não interessa pra nossa história, que vem a ser:

Em dias assim suas notas devolvem fôlego a mortos-vivos e gente que dá importância a Visões, ruídos.

E um trecho teu:

“(…) She looked forty, if she was alive (…) and he looked at her and she at him and a pact was thereby sealed before a single word was spoken on either side – now is that true love, or what? Mutual convenience perceived through alcoholic fog was more like it. He walked over and slid up onto the empty stool next to her, and she took one look at him – his hair, his clothes, his hangdog face – and immediately knew who was buying the drinks. She asked what he´d have, he ordered a shot of rum and a pint of Guiness. He wanted to court blackout or at least unaccountability before he had a chance o think about what he might be getting into. He drank so fast even she was a little surprised, laughing and drawling something like, “Surely I can´t look that bad – Christ, I just came back from the powder room or is Art really that agonizing? (…)”

“He was just too pathetic, anybody could eat him for a meal but she was the one willing to take him out of sheer strumpet benevolence if nothing else – and since she owned him dick to dorsal he might as well get an equivalent eyeful of his Owner: she looked good. Damn good. Better, in fact, at least to him at that moment, than all those damn ersatz Twiggies flitting around Carnaby Street on Dexedrine scripts and boyfriends in bands with first albuns just breaking in the U.S. Top 1000, the kind of girl you saw everywhere then and he´d fucked enough of to know he didn´t really like them, because anorexia somehow just failed to light his fuse (…)”

escrito às 2:49 PM por giannetti

20.1.05

AUDEN PARIS REVIEW

“Bem, estou perfeitamente de acordo com a idéia de cerimônias de casamentos, mas o que acho que estraga tantos casamentos é a idéia romântica de ficar apaixonado. É claro, isso acontece, imagino que para algumas pessoas de imaginação extraordinariamente fértil. Sem dúvida, ocorre uma experiência mística. Mas com a maior parte das pessoas que pensam que estão apaixonadas, a situação pode ser descrita de maneira bem mais simples e, acredito, brutal. O problema com todo esse negócio de amor é um ou dois parceiros acabarem se sentindo mal – ou culpados – porque as coisas não acontecem da maneira como eles viram nos livros.

Acredito que é absolutamente essencial que os parceiros compartilhem um senso de humor e uma maneira de encarar a vida.”

escrito às 10:33 AM por giannetti

CAMERA OBSCURA

Underachievers please try harder

“your favorite colour is that of red wine
which brings me around to your
favorite past time
with your pen and notebook
you blow me away”

escrito às 9:45 AM por giannetti

reescreve, reescreve

escrito às 9:39 AM por giannetti

19.1.05

OLHO VIVO

Poquim de POP: Bright eyes, mania recente que escuto em loop, no Village Voice.

I was living in the devil town
Didn´t know it was the devil town
All my friends were vampires
Didn´t know they were vampires
Turned out I was a vampire myself in the devil town

escrito às 7:10 AM por giannetti

18.1.05

PASTELÃO OU SOLITÁRIO NUNCA MAIS

“Qualquer criação que tenha unidade e harmonia, suspeito de que seja obra de um artista ou inventor que haja trabalhado com a audiência de uma única pessoa em mente.”

Dificilmente o resto do livro vai ser melhor que a introdução do Kurt Vonnegut. “A base do humor do Gordo e o Magro, creio eu, era que eles se esforçavam ao máximo em cada prova que tinham pela frente. Nunca deixavam de enfrentar de boa fé o seu destino, e eram fantasticamente adoráveis e engraçados na tentativa. Havia muito pouco amor em seus filmes. Era freqüente haver uma poética situação de casamento, o que é diferente. Tratava-se, no entanto, de mais uma prova – com possibilidades cômicas, desde que a ela todos se submetessem de boa fé”. O livro é de 1976, comprei usado num sebo em Ouro Preto. Fui colega de trabalho do dono da loja, que nunca vi de cara amarrada. Nasci quatro anos depois de 76 toda vez que consigo ser como ele. Converso (assunto relaxar antes de escrever) – Sabe como é que é? Você leva isso aqui – ele diz, saindo da bagunça que toma o canto da loja onde empilham os livros recém-chegados pra limpar. Vem tudo das casas das viúvas e dos jornalistas que recebem 800 títulos diferentes toda semana pra resenhar, ou assim quer a minha pouca imaginação hoje – Leva isso e vê se não resolve.

“Outra coisa: sou incapaz de distinguir entre o amor que tenho por gente e o que sinto por cachorros”. – Melhorou a concentração? – Ele lembra que é a segunda vez que me vê na loja na mesma semana. “Pastelão ou solitário nunca mais” dentro da minha bolsa pra ler no metrô, se eu conseguir espaço suficiente pra segurar um livro à minha frente no metrô às 18h. – Herbert H. Herbert: “Ficar sozinho pode ser muito solitário. Mas pelo menos com gente em volta podemos ficar solitários com barulho”. – Vonnegut foi intoxicado por o Gordo e o Magro, ele pelo Jerry Lewis. Filtra qualquer coisa com Jerry Lewis. Decodifica um dia depois do outro com o que se lembra desses filmes.

Ele tem um isopor com gelo e cerveja atrás do balcão, embaixo do aparelho de som. De vez em quando vai lá e tira duas latinhas. O teste mais difícil é ficar sozinho e depois saber voltar pro mundo toda vez que precisar. – Cuma? – Desconfia que essa conversa vai degringolar, lata em riste – O irmão do escritor é cientista. Especializado em questões ligadas à atmosfera. O outro, você sabe em quê. Mas os dois querem saber o que está acontecendo por baixo do que escrevem, de números ou frases compridas.

escrito às 11:34 PM por giannetti

BLOG

Citado no Estadão pelo Marcelino Freire.

escrito às 9:09 PM por giannetti

16.1.05

COMIGO NÃO TÁ

Depois de escrever, consertar e entregar pra quem vai publicar, a melhor coisa é deixar quieto. Como tentaram me avisar noutro dia: “deixa quieto”, a tradução – em duas excelentes palavras – de sete parágrafos assinados por Cesare Pavese que recebi do Chico por e-mail e colei aqui, como post-it pra mim mesma. Mas tem que mostrar, e escutar. Escolher dois ou três que tenham bom histórico de paciência e alguma vontade de ler e comentar. O objetivo não é buscar aprovação. Tem que escutar as diferenças, não inalar o que parecer boçal (aka boçal para além de suas próprias possibilidades), salvar o que parecer pertinente (muito passível de erro) e combinar tudo no que passa a ser a nossa versão da versão dos outros sobre a nossa versão dos fatos ou de fábula que passa por fato. (Não escrever ‘ah’ em minúsculas e entreparênteses depois de uma frase longa, boba, pra imprimir distanciamento porque a moda agora é eliminar todo o cinismo. Vamos ver até onde isso vai).

Não é tão preto-no-branco assim e nem sempre acontece da mesma maneira mas, assumindo a simplificação: qualquer coisa escrita num estilo de tom confessional pode passar por escrita autobiográfica se as pessoas que lêem conhecem trechos da sua vida. Dá pra confessar assassinato em primeira pessoa e esperar a pergunta: ‘tu que matou ou conheceu o assassino?’ Aceita a dúvida esdrúxula, e aí pode escrever qualquer coisa. Tem que aceitar também o que não é perguntado, mas afirmado (qual a necessidade de perguntar se a resposta já é óbvia desde o parágrafo em que o autor faz uma personagem dizer ‘eu matei’?). Como eu já disse, não é tão simples assim e eu sei – sem e-mails (Billy Bragg avisa que “scholarship is the enemy of romance”. Não sucateia nosso amô com resenhas, leitô. Canta o refrão).

Isso deixa mais fácil pro autor dizer o que ele viu e fez fora do quarto quente onde batuca, alinhado com a tendência baixa-renda que vem emprestando charme romântico a rotina desinteressante da classe há vários séculos. Quando não tem mais o que criar, inventaria mudando a ordem dos fatos, uma palavra ou outra, a cor dos cabelos da menina que cospe pro alto e encontra de volta na cara o relato do beijo.

Mas de verdade, de verdade mesmo eu tô falando dessas coisas pra engambelar minha vontade de picotar trechos do conto, de refazer. Tô sempre tentando reescrever tudo.

escrito às 9:22 PM por giannetti

12.1.05

REVISTA ACARO

Liguei pra casa depois de 60 dias sem um alô. Eles ainda usam o modelo de telefone lançado no ano em que eu nasci, com um disco e furos em cima dos números. Minha secretária eletrônica vive cheia de vozes abafadas sob os chiados do velho aparelho. Tomei a iniciativa por causa de uma seqüência desses recados ininteligíveis, e me preparei pra um monólogo cheio de ruído e conversa de cerca-lourenço.

Trecho do “Método Feliciani de Conservação do Núcleo Familiar”, meu texto que deve sair mês que vem ou no próximo (eu nunca sei as datas) na revista Ácaro, do Chico Mattoso e do Paulo Werneck, com ilustração do Guto Lacaz (Fôia de SP). Bárbara, não fique aborrecida; roubei só o nome da sua família. O Método de Conservação é inventado.

escrito às 12:35 PM por giannetti

escrito às 12:28 PM por giannetti

11.1.05

TERRÍVEL IVANA

Os patrões que humilham seus empregados, os chefetes que usam o poder para prejudicar seus funcionários, os homens que batem em mulheres, os pais que batem em seus filhos que se cuidem porque praga de um pequeno ofendido impotente é potência pura.

A prece acima rogada sai de uma crônica de Ivana Arruda, que agora atende neste endereço http://doidivana.zip.net e, em breve, lança livro pela AGIR. De vez em quando leio um negócio deles (de sumpaulo) que dá vontade de correr pra bater papo todo dia na Mercearia, viu.

escrito às 10:41 AM por giannetti

6.1.05

MANJADO E ESSENCIAL

“Eu tinha 20 anos. Não me venham dizer que é a mais bela idade da vida.” – Paul Nizan.

escrito às 4:05 PM por giannetti