FELIZ OU TRISTE

Quase um mês para seis anos da morte de Elliott Smith. Um dos poucos caras (conto três nos dedos) que, em vez de me tirar a concentração para escrever, me coloca num loop propício a 10, 12 horas de escrita sem parar. Todo mundo tem suas obsessões musicais. Deve ter. Desconfie de quem não tem. Elliott Smith se enquadra em que estilo? Folk “alternativo”, diziam, quando ele era vivo; hoje comentam que o alternativo é o novo pop mas acho que é brincadeira dos guris. Que seja, não está no rótulo o motivo de eu ter desenterrado os velhos CDs com MP3 do homem pra ouvir em sequência repetidamente agora.

Não tenho conseguido escrever já há quase três semanas completas, porque quebrei o pé e aí operei o pé e agora achar uma posição para escrever por muitas horas seguidas com o pé pendurado ao alto e de barriga pra cima, bom, é muito difícil. Talvez sob um transe de Elliott e café e cigarro no ar-refrigerado, depois que tirar os pontos e iniciar fisioterapia. É o plano. Talvez uma pinóia, vai ter que ser.

Feliz ou triste?

Private joke de Elliott em show, uma das poucas coisas que diz à platéia, decidindo que música vai tocar em seguida: “happy or sad?” – piada porque não se pode dizer que ele tenha qualquer música exatamente FELIZ. há idéias afirmativas, algumas podem ser interpretadas como positivas, em algumas de suas letras. Na verdade, ele consegue falar afirmativamente ao vestir a carapuça de underdog (quando quer).

Mais comum encontrar letras carinhosas (compassionate, gringo chama) e melodias pra virar caramujo (ouvir em posição fetal debaixo da coberta). um risco falar assim de um compositor de primeira em tempos de bandecas “emo”

Às vezes ele soa rancoroso (rancor produz músicas muito boas). Elliott vai lá, se emputece e volta com um “‘cos my feelings never change a bit i always feel like shit i don’t know why i guess that i ‘just do’ ” ou manda um “ah, todo mundo entende, todo mundo se importa”, cínico, que tudo o mais vá pro inferno:

everybody cares, everybody understands
yes everybody cares about you
yeah and whether or not you want them to
it’s a chemical embrace that kicks you in the head
to a pure synthetic sympathy that infuriates you totally
and a quiet lie that makes you wanna scream and shout

A voz, ela passa entre inocência e cinismo, frágil, transforma momentos pesados de auto-depreciação em constatações sem muita importância, idiossincrasias em uma conversa em que o ouvinte é laçado a participar. Chamam de “compassionate” nas resenhas gringas, aqui acho que o melhor termo seria algo entre gentileza e delicadeza, por mais piadinhas escrotas que isso possa gerar. A soma de letras confessionais que são, ao mesmo tempo, prato cheio pra identificação pelo simples fato de serem letras sobre gente, não políticas, dos dedilhados intrincados – apesar de ser autodidata -, da voz que ri da própria solidão e dos solitários sem chacota.  É tudo vida; feliz ou triste, conte uma história.

Um texto escrito pelo próprio Elliott para a revista Spin exibe parte de seu currículo como músico; obsessão: Beatles. Nada demais até aí, é só que ele cita algumas das minhas faixas preferidas do Lennon e entrega o ouro, enumerando sem querer seus próprios temas principais a partir do que diz de cada música do Beatle. Uns trechos:

“I’m only sleeping”
: A maior parte das músicas que falam de querer ser deixado sozinho de uma maneira ou de outra não o fazem com tanta elegância como esta.

“Tomorrow never knows”
: A primeira frase (“turn off your mind, relax, and float downstream“) diz tudo. É como descrever um estado interior sólido, que você pode manter sem entrar em batalha com o mundo exterior.

“Yer blues”: Às vezes você tem que pirar. Talvez seja catártico; definitivamente inevitável. As pessoas em geral tentam esconder quando desabam, infelizmente.

“Cold turkey and Jealous guy”
: Ser tão honesto pode ser arriscado “o que, claro, é uma excelente idéia. Pode ficar bobo ou corajoso. Ou ambos. Ele arriscou e conseguiu. Algumas pessoas têm que escrever assim o tempo todo. Lennon tinha acesso a todos os andares.

“I am the walrus”:
É sombrio, complicado, engraçado, e popular. Gosto de músicas assim porque ativam minha imaginação. Coerência é bacana e tal mas não é a medida de uma letra interessante.

“Across the universe”: essa canção é fluida e musical de um jeito que, pra mim, sobrepuja todo o comentário cultural e político que cerca a vida dele.

***

Here it is, the revenge to the tune


DUAS DO GRACILIANO

Desencavando cartas, lá vão trechos de algumas do alagoano, escritas em 1935 [foto: @sergiofonseca]:

Nunca trabalhei assim, provavelmente um espírito me segurava a mão. Vou perguntar à d. Luísa. A letra era minha, embora piorada por causa da pressa, mas é possÌvel que aquilo fosse mesmo feitiçaria. Ou efeito de aguardente. O certo È que não vi espírito nenhum. Ontem, como já disse, o que vi foi o diabo, mas um diabo doméstico, com olhos de gato. Não é possível reduzir mais o sobrenatural.

*** 019

(…) uma proposta de José Olimpio, que se oferece para editar o “Angústia”, ainda não escrito. Edição de três mil exemplares. Acabo de escrever ao Zélins dizendo que o livro só estará terminado lá para o fim do ano.

NUMA NICE ATÉ O PRÓXIMO PIPOCO

Minha coluna da Folha de S. Paulo desta semana. Para abrir o debate, pedi que os leitores de SP me enviassem histórias que se comparassem ao que vemos diariamente no Rio de Janeiro, em termos de violência. Claro que não sai nisto nenhuma pesquisa do CESeC mas os contrastes são bem interessantes. De acordo com o que relatam os leitores, enquanto no Rio de Janeiro muita coisa rola às claras, em São Paulo bandido parece preferir o turno da noite. O body count RJ, não parece maior? Será? Diga você também.

São Paulo, terça-feira, 22 de setembro de 2009

CECILIA GIANNETTI

O RISCO ESTÁ aqui. Vocês e sua impotência e fragilidade diante dele podem contar com isso. É frequente, poderia se desenhar uma constante com as ocorrências -e, por mais cansativo que possa parecer o comentário sobre a violência no Rio, é necessário tentar juntar lé com cré, crime após crime, para que não passem como fatos isolados, manchetes sem relação umas com as outras. Ou com as vidas que ainda não cruzaram, por acaso, com arrastões, sequestros e tiroteios que sucedem um após o outro, dia sim, dia não; às vezes dia sim e no dia seguinte também.

Em 16 de setembro, uma tentativa de arrastão no túnel Zuzu Angel -que terminou com “só” um assalto- despertou o lado “numa-nice” daqueles cariocas que nunca foram vítimas de ataques dos mais comuns, nem jamais levaram um “pipoco”, nem perderam alguém que já levou. Conheço poucos, mas alguns sortudos ainda existem; e quando surge uma sombra de dúvida sobre qualquer sinal da falta de segurança em que sobrevivemos, debatem o assunto como se este fosse ainda o Rio de 1950; um Rio dourado, porém repleto de estraga-prazeres noiados.

Para eles, o terror no túnel não passa de paranoia coletiva, provocada pelo ruído dos canos de descarga de motocicletas. Não foi nada, não, os “numa-nice” sorriem: coisa da mídia. “Pra quê abandonar os carros e sair correndo? Por conta de uns estouros no escuro? Medo de tiro? Gente estressada.”

São esses os “numa-nice” -baseada em gíria tão ultrapassada quanto seu pensamento sossegadão.

Panos quentes foram colocados sobre o assunto -com a ajuda da polícia, de acordo com sites que debatem constantemente essas ocorrências, além de blogs de repórteres especializados em criminalidade e mesmo de policiais. Mas o ataque ao túnel não foi cosplay de violência.

A delegacia da Barra da Tijuca teria ao menos um registro que o demonstra: quatro bandidos, em duas motos, e um motociclista vítima de roubo, no túnel Zuzu Angel, às 21h. Registro baseado em efeitos especiais holográficos? Os “numa-nice” creem que sim. Vamos à praia, pois.

Na mesma semana, um técnico judiciário foi morto com um tiro em Ipanema, depois que dois homens tentaram roubar sua moto. O crime foi a poucos metros de onde um médico teve uma moto importada roubada; apesar de baleado, sobreviveu.

Cerca de um mês antes, quatro assaltantes armados com pistolas fizeram a limpa em quem passava pelo túnel Santa Bárbara, sentido Catumbi -com direito a troca de tiros enquanto rolava a ação. E, antes disso, os mesmos criminosos roubaram um carro no Leblon, na zona sul, fazendo refém o motorista.

No começo de setembro, aproximadamente dez homens armados fizeram um mui bem sucedido arrastão no túnel velho, em Copacabana. No mesmo dia, houve outro arrastão em Ipanema, tiroteio rotineiro na favela da Rocinha, o tráfico impediu que bombeiros atuassem em incêndio no Morro do Juramento e, em Campo Grande, foram encontrados três corpos -isso porque focamos aqui na narrativa oficial que chegou aos jornais, e dentro de um período curto, de semanas.

Menos de 24 h antes, um prédio luxuoso, num dos pontos residenciais mais caros do Rio de Janeiro -a av. Delfim Moreira, no Leblon, onde vive o governador Sérgio Cabral- sofreu arrastão, bem como um prédio de classe média na Tijuca.

E em São Paulo? Está tudo assim tão “animado” também? E-mails à Redação (ou para giannetti@ gmail.com); gostaria de ouvir suas ideias e comparações.

WORKING CLASS HERO e mais

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Graham Smith, I thought I saw Liz Taylor, Bob Mitchum in the Backroom of the Commercial South Bank, 1984

Smith: temática working class, anos 70 e 80, Era Tatcher. Tough.

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Tony Ray-Jones, Ramsgate, Kent, 1968

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Crabs and People, Skinningrove, North Yorkshire © Chris Killip, 1981

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John Hinde, Butlin’s Ayr: Lounge Bar and Indoor Heated Pool (Ground Level), circa 1970

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Chris Shaw, Life as a Night Porter

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© John Hinde Ltd/ Chris Boot Ltd

Mais aqui.

OLDIES GOLDIES

20.4.04
AH, M.D., D.M.

Sua mão gastou vários palitos até que a chama iluminasse uma cara de boneca cuja cêra derretera-se em crostas, arremedo de superfície lunar, forrada de bolhas e crateras profundas (…) tentava levantar-se, mas desabou pesadamente no banco, tonto, atraído pelas garras vermelhas que deslizavam em seu peito, puxavam-lhe os pêlos, puxando-o para si, rendido ao aperto cego sem resistência, nesse buraco do tempo onde as línguas famintas costumam penetrar. necessárias como a noite. Tampando o escuro cu do mundo.

Ela pediu um gim tônica e uma cerveja. Fiquei no martini e na cerveja só porque eu sou uma franga e ela é Márcia Denser, 50 anos, num boteco da Aclimação ou outro bairro que não lembro o nome, em São Paulo, onde ela vive. Conforme me contava que nunca anotava nada quando trabalhava pra Folha de São Paulo, eu também deixava o bloco e a caneta quietos dentro da bolsa, cuidava melhor do copo, dos cigarros, da gordura na toalha plástica sobre a mesa. Ficamos lá até bem tarde, muitas misturas depois é que tive que ir, dia seguinte tinha trampos naquela feira.

O negócio é que é preciso ignorar a propaganda feita pelos amigos e críticos da Denser, gostar do que ela escreve apesar do que escrevem sobre ela. Ela é muito mais poderosa que um punhado de adjetivos ecoando dos anos 80, ela vale mais que as resenhas positivas do Paulo Francis, que o título de musa dark – os adjetivos ficam passe, o que ela escreveu, não.

***

O papo no bar tinha Luís Paulo Faccioli e Cíntia Moscovitz, única mulher da coletânea “Transgressores” (Boitempo) que estava cobrindo a Bienal pro Zero Hora. Por uma graça concedida pela organização da feira, estavam hospedados no mesmo hotel que eu. Tinha ainda, de Floripa, D., 20 anos, em SP pros primeiros afazeres de estágio em jornal e acabou batizada numa mesa com a Denser.

FIGURANTES

abrasso nos otro amigo

Trecho:

Desde o hotel St. Paul que eu não pensava nos figurantes mas os bilhetes de cinema trouxeram Thaís e seu irmão de volta. Ela, morena, olhos levemente puxados. E Ânge-Lorde magro que hoje engole o Village ou o Brooklyn com a ajuda de Thaís. O St. Paul em Copacabana e 1996 espancaram a porta do quarto hoje, arrastados pelos irmãos igual vira-latas presos na coleira a dois fantasmas. Não são eles os figurantes, olham pra gente com pena.
Latidos aos pés da cama, ele ressona ao lado, o cachorro lambe meus pés, late mais. A noite vai.
Foi no hotel onde falamos dos figurantes pela primeira vez, sentados no chão, encostados na parede perto da porta da varanda do 10o. andar. Os apart hotéis têm papel fundamental em momentos transitórios de vidas desregradas. A função do St. Paul estava clara: escoar com rapidez os salários de frilas dos irmãos, aglomerar gente em torno de uma guitarra com duas cordas e um amplificador Stanner com chiado, fornecer sofá e teto para amigos e estranhos que parecessem legais. A serventia dos figurantes era mais difícil de explicar, como é insondável o motivo de eu e ele ainda nos deitarmos juntos toda noite.
Não era possível aceitar a existência de gente destinada a uma atividade superficial no mundo. Qual era a atividade superficial dos figurantes?
É presunção, doença, fixação ficcionista suspeitar da existência de formas de vida decorativas? E agora, tempos depois do St. Paul, ainda forçar a barrar além dessa idéia esdrúxula, imaginando um desígnio para a acessória atividade da figuração? Tenho que me distrair de alguma maneira enquanto ele dorme.
Queria um livro escrito na língua dos três irmãos para ler antes de dormir. Um palavrório elíptico, dono do mundo que ainda reviram, descobrindo enquanto falam o que querem dizer mas como se sempre tivessem sabido. O livro, que não existe, é um murmúrio, uma conspiração na minha cabeça, me trazendo doses pequenas de passado, com um capítulo sobre jeitos de não viver no presente.
O apartamento era visitado regularmente por mais ou menos uma dúzia de conhecidos. Não tinha regra alguma para entrar ou sair de lá mas um resto de educação suburbana me fazia avisar antes de aparecer com a mochila nas costas. Telefonava de um orelhão na mesma rua e o porteiro dizia mecanicamente “xampu, boa noite” ou “xampu, boa tarde”, não sabia pronunciar St. Paul.
Os figurantes surgiam levados por amigos dos amigos, que encontravam sempre a caminho do hotel. Podiam ser simpáticos, podiam ser taciturnos. Podiam se atirar em você com cumprimentos expansivos ou se retrair inteiros. Nunca se sabe, podiam ser qualquer pessoa fora do nosso grupo. Só confiávamos em nós.
Eles vinham de qualquer jeito, fugindo a qualquer definição. E até hoje não contraem uma miríade de características indecifráveis, esquivam-se de tudo que é mais humano. São ponto-morto mas nada sobrenatural: sua imagem reflete o espelho, chegam a ter amigos, filhos. Não têm paixão mas se apaixonam, assim como quem gosta muito de queijo ou do verão
Um desdobramento da sua frieza é a inapetência pela vida, interesse arrastado e insípido. Nada é condição para que existam, são sempre assim, apesar de conhecerem a importância de algum tipo de gana para a formação da personalidade. Até são capaz de querer e gostar de coisas, assuntos, pessoas mas em decepcionantes doses homeopáticas, ministradas a conta-gotas.
Dispõem de forte tendência a aderir ao gosto pessoal do interlocutor, graças a seus tentáculos de eu-também, arma que expele uma secreção tediosa em cima das vítimas. O lodo escuro do tédio – seu sangue – é altamente nocivo pelas propriedades paralisantes que lança enquanto falam. Nenhuma conversa sobrevive ao eu-também que se desprende do fastio desses polvos. Os figurantes só lançam mão do recurso do eu-também para manter seu disfarce na sociedade. Não quer dizer que queiram se enturmar. Querem se proteger e sumir na multidão comum. Por algum motivo, que eu e os três irmãos nunca conseguimos entender qual é. Os figurantes são e serão sempre escorregadios. Não se ultrapassa com eles certo nível de intimidade.
Podem ainda discordar do que você diz: a retração dos tentáculos fastidiosos é uma rotina clássica de despiste empregada pelos figurantes ou às vezes resposta a estímulos externos que sinalizam carência e masoquismo na sua vítima. E – apesar da ausência de paixões -, podem emular esperanças, ambições, tesão. Serão eficientes e aí se tornam quase atores, incapazes de agir sem a carapaça cênica.
Podem até estar vivos debaixo do enfado, da fibrilação de plástico, do lodo modorrento, do seu tudo morno, dos olhos desbotados. Pode até ser que vivam. Mas terão de ser sacudidos, precisam chorar, precisam confessar. Chacoalhados, examinados por doutores dispostos a chafurdar no nada, a escarafunchar o vazio, pode ser que arranquem lá de dentro qualquer evidência de que gente sem paixão é, de fato, gente. É?
Ninguém, gente ou imitação de gente, foi como nós porque estávamos 
mais vivos que todo o mundo.
Lembrei dos figurantes de repente. Na época, embora alguns deles acabassem aparecendo todos os dias no St. Paul como baratas indesejáveis, tínhamos a casca protetora da nossa juventude excessiva, da fome pela nossa companhia, da música de duas cordas de guitarra.
Agora, como se multiplicaram assim? Quem deixou que se tornassem uma legião, como permitimos que invadissem? Estão aqui, vêm e vão sem dizer nada. E me assusto ainda mais quando são capazes de rir ou olhar para nós com a velha desconfiança que dispensávamos a eles.
Como se cumprimentassem um manequim de loja, falam e exigem de mim interesse. Disfarço, improviso uma resposta, finjo ficar feliz com alguma coisa que me contam. Não entendo o que eles dizem, acho que é nada. No cinema eles não incomodam, desligo tudo.
Na cama, ele dorme, não ronca. Nem isso.

ME ADD

Um post metido a besta.

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Cada vez que ocorre a orkutização de um bagulho feito o Twitter o povo se vê novamente às voltas com o problema da ironia.

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geeks e Estatísticas) calcula que cerca de 89% dos usuários do Twitter não saberiam reconhecer 140 caracteres de ironia ainda que fosse possível fazer um desenho explicando a eles a piada.

Nesses casos não tão raros, a regra é clara: gente bonita vai pra Escolinha do Professor Raimundo de Inclusão Digital. Gente mal-diagramada, bom, por seleção natural já deveria ter aprendido a diagnosticar ironia.

***

Agora vou voltar pro meu livro que Twitter é cachaça muito diferente daquela que Graciliano costumava manter no desktop dele.