a mim amanhã

gosto mais de escrever ouvindo música agora do que antes mas ainda prefiro me ouvir pensando. deixo os videoclipes passando na tv sem som. disse que parei de fumar e realmente parei por algumas semanas, o que me rendeu um parabéns e um sorriso de um cara bonito com jeito de quem gosta de esporte mas agora eu já estou preocupada de novo porque só tenho dois cigarros num maço. a cinza continua caindo em cima do meu teclado antes de eu alcançar o cinzeiro que está logo em frente e eu roubei de uma gafieira no aniversário do meu editor. de todos os meus amigos, eu sou a pessoa mais hipócrita. tenho uma fé enorme que às vezes se desprende de mim e não tenho controle algum sobre ela, que pousa em cima das coisas erradas, do tipo em que ninguém quer acreditar. é quando me chamam de pessimista. a única coisa que eu beijo sem achar que desmereço o carinho é o gargalo das garrafa. não sei onde vou chegar com textos execrados pelo vencedor do jabuti ou jaburu ou seja lá qual o prêmio que o permite viver sem a fragilidade de quem se expõe. tenho raiva dos preconceitos dos meus colegas de trabalho e perco a paciência com o telefone. o celular eu não atendo mais. meu sono químico não faz mais efeito e acordo cansada todos os dias. me apaixonei por um cantor semi-analfabeto com quem conversei ao telefone por meia hora. minha ficção tem a extensão das palavras que mediam o que vivo e o que penso e não vejo como isso pode ser mais medíocre que a literatura produzida em qualquer outra época apenas por tomar parte da vida. cada um dá a espessura de fantasia que pode ao que enxerga, como sabem os paranóicos e os escritores, que às vezes habitam a mesma carcaça.