Beijar o gato entre as orelhas é uma forma de solidão. Lavar a louça às três da manhã?. Comer pão com ketchup. Apreciar muito a própria letra. Ouvir a brasa comer o papel do fumo no silêncio. Acreditar nas estrelas que passam com mais pressa. Deitar sozinho. (deitar acompanhado também). Ter um casaco de lã cinza-escuro que não lava há dois invernos. Acompanhar um seriado (americano). Achar-se inadequado e esquecido, achar-se bom demais. Possuir apenas um cabideiro. Achar um tesouro, casar cedo, roubar chocolate, usar talco, espremer espinha. Beber destilado em copo plástico, esquecer o aniversário da amiga. Folhear revista do ano retrasado, ver televisão com fantasma, ouvir rádio de pilha. Conversar em fila, falar alemão, detestar turista, abrir mão de. Viciar em remédio pro nariz, ganhar na loto, guardar papel de presente, saber cerzir, não ser fascinado pela tecnologia, amar gadgets que não sabe usar (não amar ninguém). Telefonar a cobrar, divergir do método e fazer tudo sozinho, sim, chamar o garçom pelo nome e ser chamado pelo nome por ele, concordar que o rock morreu, escrever sem expectativa, confiar no conselho da manicure, escrever cartas, não enviar cartas ou mesmo enviá-las, preferir açúcar ao adoçante, perguntar se vai chover, congelar comida. Vender rifa de video-cassete, argumentar contra o chefe, latir, miar, comprar vinil, procurar algum elogio, sentar na terceira fila do cinema, botar bebedouro pra passarinho na janela, dormir com a caneta na m?o.