paratempo

O tempo foi impedido de ser conjugado num ponto e outro da cidade. Vai ver de varias cidades, nao sei, so conheço isso aqui. Uma lei nova de que ninguém ouviu falar, mas acho que em Paris também vigora, ja me disseram isso. E, me disseram que la ha uma Praça Rio, como ha aqui uma Praça Paris, e que nessas praças estao todos parados – embora se mexam perfeitamente bem. Eu acredito que sim: mexendo parados, ha movimento, o que nao ha é tempo. Para pior ou melhor, nao faz diferença o movimento.

O tempo gosta de parar em praças, principalmente nelas, e proximo a elas. E p?ra também num gigante que nao percebemos quando se abaixa pra beijar um camelô com o cacetete, para numa fila que estrangula o quarteirao do banco na hora do almoço, para no silêncio do ruido continuo das calçadas.

Eu ando procurando os lugares onde, propositadamente me esquecendo dos lugares quando. Porque o sentido do relogio nao é o mesmo dos movimentos: ja vi o tempo parar num boteco, quase dava pra segurar no ar; pairou quieto em cima da mesa como se fosse uma mosca varejeira zumbindo de mim. Se isso ainda nao serve de prova, teve também um dia ai (nao sei quando) em que o tempo parou num bilhete: “quando você ler isso eu ja estarei no trabalho mas pensando muito em você, beijos etc., C.” O negocio é que os teus netos um dia vao te dizer que é assim mesmo, que sempre foi assim, e v?o te chamar de filho ou de pai ou de irmao. Eu acho que era assim mesmo. Tentei até provar que nao importava a teoria fragil dos eixos, o tempo nao fazia diferença. Tremendo fracasso, mas ja nao me importava mais. Nunca importou, eu so achava que gostaria que fosse diferente porque ainda olhava o relogio de vez em quando.