som e fúria

pesquisando: rosângela rennó.

“Talvez tenha chegado a esse material por esse meu interesse pelos arquivos, pela idéia de circulação e de ciclo de vida da imagem, como se ela tivesse uma imagem autônoma que nasce, se reproduz e morre. Porque as pessoas montam álbuns, eles cumprem uma determinada função dentro de um determinado grupo familiar, e depois de um certo tempo deixa de cumpri-la e vão parar no “troca-troca” da Praça XV?”

Tudo isto tem a ver com o tempo, que é um dos temas mais onipresentes no seu trabalho.

R.R. – E o que ele faz em beneficio do esquecimento. Talvez eu não queira esquecer as coisas. Daí essa necessidade de voltar, de retornar, e logicamente, cada vez que você volta retorna de outra forma. (…) Este trabalho que estou apresentando no Tomie Ohtake, “Espelho diário” tem a ver com tudo isso, porque é um rito de passagem. Sua primeira idéia surgiu há vários anos atrás, mas só agora consegui fazê-lo. Hoje eu avalio que tinha que passar por uma série de problemas para conseguir realizá-lo. Eu ainda não estava à altura do trabalho. Ele parte de uma construção de um personagem fictício, Rosângela, de muitas Rosângelas colecionadas em matérias de jornais (fait divers, escabrosos, de tudo), mas tinha um componente irônico que foi feito numa época em que muitas obras têm aspectos auto-referenciais por todos os lados. Assim pensei: vou fazer uma obra auto-referencial que não seja auto-referencial. Na verdade, quero mostrar minhas homônimas, porque nunca sou eu, apesar de eu “performar” essas homônimas. Em “Espelho diário” funciona um personagem que não existe, eu estaria criando uma identidade nova, impossível, futura, híbrida. Eu descobri essa personagem que não era eu, na qual não precisava interferir, só interpretar o mínimo. Há até um descompasso entre o que eu falo e o que a personagem é. É uma provocação às propostas de auto-referência da arte contemporânea.

atualizando: casino.