É bom poder escrever de casa novamente, embora o Mundo das Caixas de Papelão não seja exatamente acolhedor e perfeito como um gato o percebe, sim, porque só os gatos penetram as Poderosas Caixas e nadam no plasma de sua onipresença esquisita, da sala ao quarto, pelo corredor e até no banheiro, Caixas, oh, Caixas. Eu ignoro a baderna, como sempre fiz – questão de sobrevivência – e tento circular, respirar e pensar aqui dentro. Fica fácil se lembro que todo prédio é uma Caixa de Papelão gigante. Eu olho pelas frestas da minha caixa pros buracos nas caixas de papelão vizinhas e vejo os ratinhos lá dentro brincando de circular nas mesmas idéias uns dos outros na frente do tubo de imagens e é satisfatório imaginar que eu não sou a única incapaz de ter um pensamento original.