todos os olhos me cansam como se pesassem todas as pálpebras do mundo sobre os meus. me dão sono, fadiga, cansaço, tédio, solidão, tédio, eu já disse tédio? tédio, não me dizem nada, não, azul, todos os olhos, até o olho do cu do mundo, menos os teus. vivemos no cu do mundo: apertado, fedorento, escondido, pregueado e o que mais de coisas você achar que pode ser um tal lugar. azul, como você, resolver nunca mais lavar a roupa, só na lavanderia. beber kir royal antes das dez da manhã grávida de tupac (ficava melhor 2pac) amaru shakur, de dr. dre ou de paul mccartney, abrir a porta de casa pra família, visitar gente que não vimos há 15 anos, fazer um talk show dublando como eu quiser as respostas dos entrevistados, fazer coisas fantásticas. fora do cu do mundo, azul. você tá bonito hoje. me dá o seu apego, o seu gelo, o seu descaso, um abraço apertado, um joelho e um guaraná, um queijo, um porto, um barco. imagina dormir sem ver, até que azul.