você tá fazendo errado. perguntando as coisas pras pessoas lá atrás. elas não vão escutar. mas não é pra isso que serve a memória? pra eu poder fazer as perguntas pras pessoas lá atrás? mas você sabia. eu achei que isso podia acontecer. caras estranhas. elas são assim. não não. a sensação permanente de invadir e ser acompanhada de má vontade à porta cinco segundos depois de entrar. isso. o que você acha que eu devia fazer? pega o telefone e diz o que você tava pensando. não acho isso certo, entendeu? não me interessa. pega o telefone. eu acho que não vale a pena. não me interessa. eu não vou deixar de fazer, eu uso o que eu quiser e não preciso explicar. mas se você procurasse um jeito de apresentar isso com mais… clareza, deixar óbvio que é ficção. é ficção, não é? se não ficou claro, metade do problema é de quem lê. a minha parte tá feita. quanto menos gente paranóica no caminho, melhor. mas você não acha que podia ganhar alguma coisa com isso? eu sou totalmente ignorante. e eu tô cagando e andando. pensa nas pessoas que gostam de você. a decepção só existe quando ainda existe expectativa. e profissionalmente. profissionalmente pega muito mal pra você. imagina como esse último texto foi lido. como uma carta ressentida. ninguém vai te dar um emprego depois de ler isso. e daí? é o nirvana da existência. eu arrebento a tua cara usando apenas a força do meu espírito de porco. essas coisas que você tem dito sobre seus superiores terem hálito de fezes… sim, bafo de cocô. você não acha um pouco infantil? não. teoria da dependência. não tenho superiores. se você parar de beber agora, pode morrer como lester bangs e o pai do henry miller. meu avô era um sapateiro comunista. há alguns anos, descobriram que ele tinha 13 mulheres trabalhando pra ele na praça mauá antes de conhecer minha avó. o sogro o obrigou a largar um negócio lucrativo pelo casamento. antepassados presentes como fantasmas de chapéu e terno brancos humildes desde a primeira visão aos sete anos, nunca poderia disfarçar essa origem distante e transparente por causa das gerações seguintes que foram à universidade com dinheiro de catador de papelão. eu não fui genética e historicamente constituída pra escrever (estudos culturais, inglaterra, década de 80) como você acha que isso deve ser feito. e, no entanto, o que é isso que acabo de fazer? pode imprimir e limpar o rabo se quiser mas vai continuar sendo o que eu imaginei em primeiro lugar.