não a que estava sentada com o gordo mas a que entrou com o pedaço de ferro e derrubou de um golpe as garrafas perfiladas nas prateleiras atrás do balcão, acertando em seguida os espelhos que revestiam a parede do bar, os pratos virados pra baixo nas mesas vazias, os copos, a caixa registradora, as garrfas e eu já mencionei as garrafas, já, os uísques todos e conhaques nacionais terríveis eram tantos que eu podia falar “garrafas” o dia inteiro. a expressão no rosto da morena era de quem já imagivava aquilo possível. “não seria nenhuma surpresa se a fulana…” ou “ah, outra vez?” a expressão nos rostos das outras pessoas deve ter forçado o homem a reagir de alguma maneira e o que fez foi saltar por cima do balcão e dominá-la com intimidade. jogou longe o ferro e prendeu os pulsos da diaba com as mãos. meus olhos devem ter ficado muito gigantes enquanto ela destruía o salão e eu ainda não conseguia piscar. ela se debatia e tentava morder o coroa, enquanto a morena já tinha corrido pra rua e o casal simplesmente sumira, escada acima ou porta afora; não prestei atenção. só consegui olhar para aquela luta, que se movia aos poucos pelo corredor do restaurante e logo desembocaria lá fora. pude ver um pm se aproximar, provavelmente chamado pela morena. e daí todos sumiram. fiquei só com meu prato cheio de cacos de vidro.

ele voltou. sentou sobre o balcão com um pequeno impulso e curvou o tronco para trás para mexer em alguma coisa que eu não podia ver de onde estava. seus movimentos era de quem percorria um arquivo. levantou um vinil grosso que ficou olhando um tempo sob um foco de luz que sobrara intacto, e logo soou a agulha no sulco. eu conhecia aquilo, o chiado e a cantora. ouvimos o disco inteiro calados até que um novo roçar fino sobre o disco permitiu que dissesse:

– não gosto de novela.