e não tem reza que recupere o que rejeitei com convicção e mágoa. a própria fé se abalou e encolheu longe do que descarto, e ainda não quero. porque deve haver uma outra maneira de existir que não seja sentindo intensamente. mas aí descobre-se que não existe sentir sem intensidade. tudo que se sente é a força das coisas, das pessoas e dos eventos e negar uma fração sequer dessa força pode viciar a percepção. tornar-se alheio a todas as forças que existem e a si. nem mesmo a lembrança toca, a memória de tempestades não restaura o que está morto e seco.

é possível ser vazio? é ser? ou uma sub-vida estranha ao que antecipa na imaginação satisfeito as possibilidades de dias e dias, das próximas horas e mãos. as minhas mãos secas, vitrine. os olhos e o nada secos. uma internação voluntária. eu diagnostico uma ausência de fúria e o oco da história de quem não procura mais nada pra contar.