chego em casa sabendo que não lembro onde poderia ter enfiado o cd da bisca. o cd da bisca chegou por correio há alguns dias e venho postergando sua audição porque sabia que ia achar um saco. posterguei tanto que esqueci onde havia colocado aquela merda circular brilhante. na minha mesa, as pilhas de papéis e CDs crescem de um dia para o outro e costumam também expandir-se para áreas próximas como as estantes de roupas e livros, tornando impossível que se encontre um objeto entre elas quando se tem a intenção e necessidade de encontra-lo.

assim, o cd da bisca estava definitivamente perdido. procurando-o, no entanto, encontrei vários outros pequenos objetos de que vinha dando falta no últimos dias. empolgada com essas descobertas, continuei minha expedição cavando nas pilhas de estantes vizinhas à mesa e encontrei uma pista: um envelope pardo forrado por dentro com aquelas bolhas que a gente adora estourar quando alguém não telefona ou sem motivo aparente. isso só me deu mais determinação e acabei encontrando aquela merda. um sentimento de frustração imediatamente mastigou meu fígado. não, isso era o vinho que eu tomei de estômago vazio no show do meirelles sábado dando alô dois dias depois. um sentimento de frustração imediatamente abocanhou minha existência quando me dei conta de que, achado o cd, eu não teria outra opção senão escutá-lo e resenhá-lo.

tentei me animar, mas não tinha nada alcóolico na geladeira. sobre a pia, a única garrafa disponível era de detergente e aquele CD não valia o experimento. botei pra tocar na careta mesmo e caralho, era tão ruim quanto meus piores instintos o imaginavam. por que essas mulheres insistem em cantar como se fossem retirantes quando são moças cariocas ou paulistas bem alimentadas? e essas batidas eletrônicas farofeiras no fundo?