Tenho escrito bastante, menos do que esperava e nada que eu queira mostrar.

Sinto saudades de algumas pessoas, ou do grau de intimidade que eu tinha com elas. Encontrá-las não vai substituir esse sentimento por outro menos melancólico, por satisfação. As saudades são sempre de coisas que não podem mais ser ou que nunca puderam.

Quando comecei, eu achava que tudo que escrevia sentindo mesmo virava verdade, em uma inversão do jornalismo. E virava. Mas só as coisas boas. Amar não vale, senão não sou eu quem escreve mais. É outro. E outro não deixo contar minhas histórias. Eu posso escolher ouvir as histórias deles e contá-las mas eles não ditam como acontecem. Por isso não. Da última vez que amei, perdi a autoria. Mas no jornal também as coisas inventadas passam a circular vivas e vermelhas, se você não entende onde começaram. Quem escreve, quem decide, quem lê. Os limites não me interessam mais, eu quero um processo de verdade não-automático à noite, antes de dormir. Ele precisa ser descrito à mão, em garranchos arredondados.