Ócio, beócio

31º 10:42 31º 10:45 31º 10:49 31º 11:15 d0º 20:88 Engarrafamento. E dizem que os mostradores digitais espalhados pela cidade não acusam uma temperatura alta como 43º para evitar que a turma deixe de trabalhar, o que certamente ocorreria (pois seria considerado calamidade pública) caso tivesse uma justificativa ali, óbvia, piscando enquanto o trânsito não se move, de que o mundo se encaminha para um fim infernal e por isso não faria sentido trabalhar àquela altura do championship.

Escholé é grego para ócio, de onde tiramos a nossa palavra “escola”. O ócio significaria, no sentido grego (se não posso dizer que existe tal coisa como um “sentido grego”, que me perdoem os acadêmicos), estar aberto para as possibilidades do mundo. Nec-otium é o contrário disso, é negar o (produtivo) ócio, é o tal do “negócio”.

Estou olhando para o mesmo mostrador digital há vinte minutos e sei que ele está nos enganando. Que o ônibus está fervendo. Que as pessoas na praia estão correndo o risco de sofrer queimaduras de primeiro grau. Que o Rio de Janeiro é assim mesmo. E que minha cabeça está fria: é meu último dia neste emprego.