Platão pra presidente

Depois de admitir que eu sou babaca e largar o emprego, pra assinar carteirinha de maluco só faltava raspar a cabeça e passar três dias gritando Platão pra presidente! pulando num pé só. Não cheguei a tanto mas confesso que vim pro trabalho pensando em como seria o véio de ombros largos na presidência do país. Ah, também admiti que eu fumo. Passei anos dizendo “só fumo quando bebo.” Bom, eu bebo à beça.

Aí fui almoçar, depois de saber que tem um conceito pra criar aqui pro site do Rio Listas e eu tô sem a menor paciência pra inventar conceito pruma coisa tão besta. Pior: descobri que, além de mim, mais dois aqui estão igualmente sem saco pra isso. Coincidentemente (?) os dois chefes de criação. Putaquipariu. Não era novidade, desde o início do mês a gente já sabia que o Fábio, que toca com a gente no 4tréqui valsa, ia pular fora pra tentar a vida só como produtor e roquista de drumba. Saiu o Sandro , que é guitarrista do projeto Gerador Zero, na mesma época em que o Fábio soltou a bomba da demissão dele. Aí um cara da produção pulou fora. E eu anunciei que precisava estudar e deixar de ser medíocre e escrever uma boa monografia. Essas coisas. Vou ficar dura mas vai ser legal ser aluna ouvinte do IFCS enquanto todos os meus amigos se endividam com o credicard trampando nos empregos que mais detestam. Vou viver de frila. Ou Não. Não sei ainda o que vai acontecer. Quero estudar, mim quer tocar.

Mas aí eu fui almoçar, era isso que eu tava dizendo procês. Antes de sairmos do prédio para destinos gastronômicos diferentes, o Fábio me conta que a outra chefe de criação, tava aceitando um emprego no Globo.com. Cheguei no Terra Brasilis e enchi o prato de batata com pimenta, só comi isso, p edi uma cerveja. Fiquei lá meio esquisitona, que porra é essa?

Quando cheguei aqui, há uns quatro meses, conversava com o Sandro no Caneco 70 e ele me dizia que amava isso aqui. E eu amava isso aqui. E todo amava isso aqui porque isso aqui é muito divertido mesmo: a gente sai pra beber junto, ouve Blitz, Portishead, Burt Bacharah, Apollo For Forty, charme e proibidão. Foi alguma coisa na água da agência que mudou a nossa cabeça?

A gente vai cuidar das nossas vidas. Pode dar certo. Pode ser que o Fábio ganhe muita grana produzindo o novo mega som foda drumba e rock do brasil varonil. Pode ser que eu deixe de ser medíocre lá no Instituto. Pode ser que eu consiga fazer a minha banda virar uma banda. E a Dri pode ser a maioral na carreira que ela escolheu, que aquilo de que eu e Fábio estamos fugindo. Só temos agora pra arriscar. Pode ser que aquele guri que eu acho brilhante me dê bola um dia, pode ser que eu não goste da aula de Camus, ou pior, não entenda chongas dela. Cara, pode ser tanta coisa. Pra ser qualquer coisa, a gente tem que fazer alguma coisa.