Cameron Crowe: 15 anos outra vez

Aos quinze anos ele era repórter da revista especializada em música Rolling Stone e pouco tempo depois já escrevia o roteiro de “Fast Times At Ridgemont High (o popular “Picardias Estudantis”, com direção de Amy Heckerling). Aquele negócio de cinema era bom mesmo e ele virou um roteirista/diretor de filmes que nunca esconderam sua primeira paixão: rock. O cara não costuma ser nada sutil nas referências e é assim que tasca uma surrada camiseta do The Clash em John Cusack em “Digam o que quiserem”, chama o Pearl Jam inteiro para uma participação em “Vida de Solteiro” e filma a história de uma banda de rock e um jovem (demais) repórter encarregado de fazer uma matéria sobre ela.

Aos 43 anos, Cameron Crowe aponta a câmera para o garoto que foi aos quinze. Seu novo filme, “Almost Famous”, mostra como William, um guri que além de fã de rock é um outcast total no colégio, vai lidar com a incumbência de escrever uma matéria para a Rolling Stone sobre uma banda em ascenção. São os anos 70 e sua “objetividade jornalística” está devidamente comprometida, já que William acaba se enturmando com a banda e todo o círculo que a acompanha, inclusive uma groupie bem interessante.

Deus abençoe quem fez o casting, sendo Crowe essa pessoa ou não: Jason Lee está no papel de vocalista da banda em questão. Refrescando: Jason Lee, aka Brodie (“Mallrats”), aka Banky (“Chasing Amy”). Percebe o que eu quero dizer? Nenhum outro ator parece ter currículo suficiente para viver um rockstar tão bem quanto esse cara; ele vai do cínico ao cativante e, se for capaz de traduzir isso para o papel, crio para ele um altar na minha casa.

O último filme de Crowe foi “Jerry Maguire”, de 1997. Da curta filmografia do diretor, foi o que trouxe menos elementos adolescente-fã-de-rock. Ainda assim, seu personagem principal era um desdobramento do garoto que não sabia o que fazer da vida quando saiu da escola (Lloyd, de “Digam o que quiserem”), como ele se comporta depois que descobre o que quer fazer da vida, trabalha na área escolhida e se decepciona com ela: chuta o balde e tenta modificar tudo. E é claro que se dá bem no final, porque está nas mãos do mesmo sujeito que escreveu “Fast Times”, “Say Anything” e “Singles”.

Mais um filme para a lista da longa espera em que já está “Alta Fidelidade”, de Stephen Frears, adaptação do livro homônimo de Nick Hornby.

Sabe-se lá quando chega no Brasil.

Por enquanto, visitem o site: http://www.almost-famous.com

Tá muito bacana e ainda traz uma seleção das músicas que inspiraram o cara a escrever o roteiro, tudo prontinho pra ouvir direto do browser ou por MP3.