Assim Falava Zarasamba

Enquanto o resto do país se preparava para o feriado da Independência, no auditório do Instituto de Filosofia e Ciências Socias, no Centro do Rio de Janeiro, uma atenta platéia ouvia o filósofo francês Philippe Lacoue-Labarthe esculhambar a leitura de Nietzsche feita aqui na brazuca:

– No Brasil, vocês só lêem o “Assim Falava Zarasamba” – afirmou, querendo dizer que isso aqui é uma zona até na hora de ler Nietzsche, de quem seríamos capazes de entender apenas o seu lado “festa”.

O indivíduo precisava de umas caipirinhas na Lapa. Seria como matar dois coelhos com uma garrafada só: levando com ele um exemplar de “Assim Falava Zarathustra” e uns três ou quatro intelectuais brasileiros embebidos em álcool para servir de amostragem, ele poderia verificar empiricamente o que afirma; no caso de a prata letrada da casa contrariar sua afirmativa e mostrar uma compreensão sem oba-oba do livro, o Labarthe pelo menos teria se divertido um pouquinho.